A 18 de janeiro, a Dinamarca encerrou oficialmente a era dos caças F-16 no país, concluindo 46 anos de serviço notável. Ainda assim, o destino dos aparelhos provenientes da antiga Real Força Aérea dinamarquesa continua a ser decidido entre a Argentina e a Ucrânia, dois países que estão a avançar com a sua incorporação. Neste momento, a Força Aérea Ucraniana já estará a operar doze (12) dos dezanove (19) comprometidos, enquanto a Força Aérea Argentina deu início, em fevereiro de 2025, ao processo formal de integração, registando a chegada, em dezembro do ano passado, dos primeiros seis (6) caças em condição de voo. Em seguida, fica um resumo do calendário e do ponto de situação das entregas para a Argentina.
Do fim de um ciclo ao começo de outro: F-16 na Força Aérea Argentina
A escolha e compra dos F-16 pela Argentina veio fechar um processo longo de avaliação e análise conduzido pela Força Aérea ao longo de vários anos, com avanços e recuos naturais numa decisão desta dimensão. O país encontra-se agora em plena fase de incorporação de 24 F-16AM/BM - 18 monolugares e seis bilugares - aos quais se junta o treinador terrestre F-16BM Block 10 “M-1210”.
Dentro do programa Peace Condor, foi assinalada a chegada dos primeiros aparelhos: a 5 de dezembro, os seis primeiros exemplares deram entrada na Área Material Río Cuarto, que passa a funcionar como a primeira base de apoio do novo sistema de armas, enquanto prosseguem os trabalhos de requalificação e as obras de infraestruturas na VI Brigada Aérea de Tandil.
Aeronaves já recebidas e identificações
Após a conclusão do voo de transladação desde a Dinamarca, a Força Aérea Argentina passou a dispor de um total de seis aeronaves, distribuídas da seguinte forma:
- 2 F-16AM: matrículas M1009 e M1020
- 4 F-16BM (bilugares): M1004, M1005, M1007 e M1008
Esta primeira etapa é particularmente relevante por permitir iniciar, em paralelo, a fase prática de familiarização com a aeronave e a consolidação de rotinas de manutenção, documentação técnica e procedimentos operacionais.
Cronograma de entregas até 2028
De acordo com informação oficial transmitida por autoridades da Instituição, pelo Ministério da Defesa e pela Chefatura do Gabinete de Ministros, prevê-se que os 18 F-16 restantes sejam recebidos em três lotes de seis aeronaves, com entregas previstas para:
- final de 2026
- final de 2027
- final de 2028
Em paralelo com as entregas, continuam a avançar a formação e o treino de pilotos, tripulações e pessoal de apoio, bem como a adaptação de infraestruturas na Área Material Río Cuarto e na VI Brigada Aérea de Tandil, de forma a suportar operações regulares, manutenção programada e a sustentação logística do sistema.
Logística, sustentação e Capacidade Operacional Inicial (IOC)
A integração do sistema não depende apenas da chegada das aeronaves: a componente logística tem vindo a ser recebida para garantir a operação e o sustentamento durante os próximos anos, com o objectivo de alcançar, em prazos compatíveis, a Capacidade Operacional Inicial (IOC).
Um indicador desse progresso foi a chegada, a 9 de janeiro, de 50 contentores com ferramentas, sobressalentes, componentes e armamento, conforme noticiado pela Zona Militar. Este carregamento juntou-se aos pacotes já recebidos no início de 2025, aquando da chegada do treinador terrestre M-1210, e aos que tinham sido entregues durante o mês de setembro. Este ponto ganha ainda mais peso por reflectir a entrada em funcionamento e a implementação do novo sistema de gestão ILIAS, essencial para organizar inventário, manutenção, rastreabilidade e cadeias de abastecimento.
Para além do impacto imediato na disponibilidade das aeronaves, a consolidação do ILIAS tende a reduzir tempos de imobilização e a melhorar a previsibilidade de manutenção, algo determinante quando se pretende evoluir de uma fase de recepção para uma fase de operação sustentada.
Preparação para os primeiros voos de treino
Pouco mais de um mês após a chegada dos primeiros F-16 ao país, a Força Aérea Argentina está a acelerar os trabalhos de aprontamento e os preparativos para iniciar os voos de instrução. Em simultâneo, registam-se avanços na qualificação de pilotos e de pessoal técnico, tanto em território nacional como no exterior, como evidenciado pela presença de militares argentinos nos Estados Unidos e na Dinamarca.
Se não surgirem alterações, é esperado que os primeiros voos com os F-16 ocorram durante o próximo mês de fevereiro, representando mais um marco na linha de execução definida pelo Programa Peace Condor.
Aspectos complementares da transição operacional
A introdução de uma nova plataforma de combate implica também ajustamentos doutrinários e de procedimentos: desde a padronização de checklists e rotinas de segurança até à harmonização das práticas de manutenção com os requisitos do fabricante e dos operadores anteriores. Este período de transição é normalmente aproveitado para validar processos, corrigir lacunas de formação e estabelecer critérios de prontidão realistas para cada etapa (treino básico, voo táctico, emprego combinado e manutenção em profundidade).
Ao mesmo tempo, a adaptação de infraestruturas - como áreas de armazenamento de componentes e armamento, oficinas, ferramentas calibradas e fluxos de documentação - torna-se tão determinante quanto a formação de pilotos. Uma integração bem-sucedida depende de garantir que aeronaves, equipas e cadeia logística evoluem em conjunto, evitando que a falta de um elemento (peças, ferramentas, certificações, sistemas de gestão) limite a disponibilidade do conjunto.
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