Quase todos os motores elétricos têm um “ingrediente” obrigatório: cobre. Mas e se desse para o substituir por outra coisa, sem comprometer o funcionamento? A ideia soa radical, e é precisamente por isso que pode mexer com tudo - e acabou de ficar muito mais próxima da realidade.
Investigadores do KIST (Korea Institute of Science and Technology) construíram um protótipo de motor elétrico sem cobre, trocando as bobinas metálicas por um conjunto de cablagens feitas com nanotubos de carbono.
É uma tecnologia que pode tornar componentes-chave como os motores elétricos muito mais leves e, ao mesmo tempo, tem potencial para reduzir drasticamente as emissões associadas ao fabrico de motores para automóveis elétricos.
O KIST já realizou testes com um pequeno carro à escala equipado com um protótipo deste motor elétrico sem cobre, para demonstrar a viabilidade da solução. O motor conseguiu atingir 3420 rpm a 3 V, o que parece pouco quando comparado com as 18 120 rpm alcançadas por um motor equivalente com cobre.
Nos ensaios, o modelo à escala percorreu 10 metros em 25 s, alimentado por uma pilha de 3 V. Pode parecer um resultado modesto, mas está alinhado com o objetivo do projeto: mostrar que existe uma alternativa funcional ao cobre, com menos peso.
A diferença de peso é uma das maiores vantagens. A densidade dos fios de nanotubos ronda os 1,7 g/cm³, contra os 8,9 g/cm³ do cobre. Apesar da menor condutividade elétrica absoluta - 7,7 milhões de S/m (Siemens por metro) face a ~59 milhões de S/m do cobre -, a velocidade específica por massa fica em valores semelhantes. Para carros elétricos, em que cada grama conta, isto pode ser decisivo.
Porque pode mudar tudo
Outra grande vantagem desta abordagem - para lá da redução de peso - está ligada à sustentabilidade. O fabrico exige menos metais e as fibras de nanotubos podem ser recicladas quase sem perda de propriedades, reduzindo as emissões associadas à produção.
Ainda assim, existem obstáculos importantes a resolver, como a produção de cabos longos e homogéneos, a resistência de contacto entre fibras (as junções entre filamentos geram perdas elétricas que reduzem a eficiência global do sistema) e a adaptação às normas de segurança e arrefecimento. E, claro, os custos continuam elevados.
Mesmo assim, a promessa é evidente. Se os custos descerem e a fiabilidade se confirmar, esta tecnologia de motor elétrico sem cobre não será apenas uma curiosidade de laboratório: pode mesmo revolucionar a mobilidade elétrica com uma solução mais leve, eficiente e sustentável. E não tem de ficar limitada ao automóvel.
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