A antevisão do mini-G foi mostrada pelo próprio Ola Källenius, diretor-executivo da Mercedes-Benz, no Salão de Munique (IAA 2025), lado a lado com o Classe G e o novo Classe G descapotável. A mensagem foi clara: mais do que um modelo isolado, a letra G vai afirmar-se cada vez mais como uma marca com uma verdadeira família de veículos.
Embora já se soubesse que um Mini-G estava a caminho, até aqui a expectativa era a de que o projeto aproveitasse a base técnica do novo CLA, numa lógica de economias de escala. Afinal, a estratégia será diferente.
Plataforma inédita: o mini-G da Mercedes-Benz não vai “emprestar” uma base qualquer
Em declarações à Autocar, Markus Schäfer, diretor técnico da Mercedes-Benz, garantiu que o mini-G será um produto singular, com partilha de componentes muito limitada face ao resto da gama: o G é um modelo “muito especial e autêntico”, e o Mini-G terá de respeitar esse mesmo princípio. Por isso, explicou, não faz sentido “pegar numa plataforma qualquer” - será necessário desenvolver uma base específica, num trabalho descrito como “completamente novo”.
Esse caminho significa que o Mercedes-Benz Classe G de dimensões mais compactas assentará numa arquitetura própria. Schäfer caracteriza-a como um “chassis de longarinas e travessas em miniatura”, deixando, no entanto, uma nuance importante: não será uma réplica do que existe no Classe G atual; as diferenças estarão sobretudo relacionadas com suspensão e dimensão das rodas. Como esta solução se materializará no produto final é algo que só os próximos desenvolvimentos permitirão confirmar.
A exclusividade não se fica pela plataforma. A carroçaria e grande parte dos componentes exteriores também serão desenhados especificamente para este modelo. A marca sublinhou ainda que não pretende replicar elementos visíveis do Mercedes-Benz Classe G tradicional, reforçando a intenção de dar ao mini-G uma identidade própria dentro da gama.
“Nem sequer consigo pegar num puxador de porta do portfólio atual, porque o Classe G tem puxadores de porta tão únicos.”
Markus Schäfer, responsável técnico da marca.
mini-G elétrico: um Classe G mais acessível, sem abdicar do ADN
Apesar de, por enquanto, não existirem especificações técnicas detalhadas, a Autocar adianta que o mini-G deverá ser exclusivamente 100% elétrico. Ainda assim, Markus Schäfer preferiu não encerrar o tema, deixando espaço para outras hipóteses: “Aguardem. Não quero entrar em tantos detalhes”.
A chegada ao mercado é apontada para entre o final de 2026 e o início de 2027. E, apesar do rótulo “mini”, não se espera um veículo verdadeiramente pequeno: tudo indica que terá dimensões generosas, posicionando-se como provável rival do Defender britânico mais compacto, que já circula em testes de estrada.
O próprio Ola Källenius, durante a apresentação em Munique, adiantou que a fase de ensaios em via pública está iminente: “Os primeiros protótipos de testes aparecerão nas estradas em breve.”
Do ponto de vista do estilo, Gorden Wagener, diretor de design da Mercedes, confirmou que o mini-G conservará traços fundamentais do irmão mais velho: silhueta cúbica, faróis redondos e a postura imediatamente reconhecível do Classe G.
Ao mesmo tempo, deverá apresentar superfícies mais vincadas e uma assinatura luminosa atualizada, numa interpretação pensada para ser “mais jovem e moderna do que o G atual”.
Legado do Classe G, exigências urbanas e o que isto pode significar na prática
A Mercedes-Benz insiste que leva muito a sério a herança do Classe G, mas reconhece que as exigências do mercado mudaram - tanto no plano ambiental como na utilização urbana. Ainda assim, a promessa é que, no capítulo das capacidades, o novo modelo estará à altura do nome Classe G.
Uma arquitetura do tipo longarinas e travessas (mesmo em formato “miniatura”) tende a privilegiar robustez e aptidão fora de estrada, mas também traz desafios, como a gestão de massa e de embalamento quando se trata de um 100% elétrico. Será por isso particularmente relevante perceber, quando houver dados oficiais, como a Mercedes-Benz equilibra autonomia, eficiência e capacidade em pisos difíceis - sem desvirtuar o carácter do G.
Por outro lado, num modelo pensado para responder também a necessidades mais citadinas, será natural que o mini-G venha a apostar em soluções de utilização diária - desde a manobrabilidade até à experiência de carregamento. Num contexto europeu, e também em Portugal, a facilidade de carregamento em casa e em postos públicos poderá ser decisiva para o sucesso de um mini-G elétrico, sobretudo se a marca conseguir alinhar preço, equipamento e desempenho com a expectativa de um Classe G “mais acessível”.
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