O universo dos leilões automóveis, de tempos a tempos, oferece vendas verdadeiramente irrepetíveis - quase sempre acompanhadas de valores astronómicos. Um dos casos mais marcantes é a Coleção Mansour Ojjeh, um conjunto de 20 McLaren muito especiais, reunidos com um nível de exclusividade raramente visto, mesmo entre colecionadores.
À semelhança do que aconteceu há alguns meses com os 69 monolugares de Fórmula 1 associados a Bernie Ecclestone, também aqui não houve lugar a vendas fracionadas. Em vez de cada automóvel encontrar o seu próprio comprador, um único colecionador decidiu adquirir o lote completo, mantendo a coleção intacta como um todo.
A identidade do novo proprietário não foi divulgada e o montante final também não foi tornado público, mas admite-se que a transação tenha atingido várias dezenas de milhões de euros. É uma estimativa plausível: só um McLaren F1 ultrapassa com facilidade a barreira dos 20 milhões de euros - e, entre os 20 exemplares, existem dois automóveis com utilização. O que, então, torna esta coleção tão singular?
Coleção Mansour Ojjeh: 20 McLaren únicos de Woking
O núcleo desta coleção inclui, naturalmente, o McLaren F1, mas vai muito além desse ícone. Entre os 20 automóveis estão todas as versões do McLaren Senna produzidas até hoje: GTR, LM e versão de estrada - sempre com a particularidade de serem as últimas unidades a sair da linha de montagem, um detalhe que reforça o caráter “definitivo” de cada peça.
A lista continua com outros nomes de topo: um P1 exclusivo, um P1 GTR, um Elva e ainda um Sabre, modelo produzido em apenas 15 unidades. Num conjunto desta natureza, a raridade não aparece apenas num ou noutro exemplar - é uma constante.
Mesmo assim, os McLaren mais raros não apagam aqueles que, por comparação, podem ser vistos como “mais comuns” dentro da marca, embora continuem a ser desportivos altamente desejados. É o caso dos 650S, 675LT, 720S e 765LT, disponíveis nas configurações Coupé e Descapotável.
E, como não podia faltar, o lote inclui também um Speedtail particularmente elegante, com a carroçaria no indispensável Laranja Mansour e com a mesma quilometragem que tinha no momento da entrega, preservando o estado de entrega como parte da sua história e valor.
Proveniência, preservação e valor de mercado
Numa venda deste calibre, o que está em causa não é apenas a soma das fichas técnicas. A proveniência (isto é, a história e a origem de cada carro), a coerência do conjunto e a forma como a coleção foi preservada pesam tanto quanto a raridade. Coleções mantidas inteiras, sem dispersão por múltiplos compradores, tendem a ter um apelo acrescido por representarem uma narrativa completa e intencional.
Também é relevante o lado prático: manter uma coleção desta dimensão exige planeamento, condições de armazenamento adequadas e uma gestão rigorosa de manutenção. Para muitos compradores, a valorização está tanto na condução como na possibilidade de conservar cada exemplar com documentação, histórico e estado condizentes com o estatuto de peça de referência.
O que se segue?
Apesar da mudança de mãos, é plausível acreditar que a próxima adição à Coleção Mansour Ojjeh venha a ser o novo McLaren W1. No entanto, seguindo a lógica que marcou esta seleção - a preferência por unidades finais de produção - isso só deverá acontecer depois de todas as restantes unidades do modelo terem sido construídas.
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