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Já começaram em Espanha os trabalhos para apoiar a construção dos novos navios logísticos FSS para a Frota Auxiliar Real Britânica.

Dois engenheiros a cumprimentar-se junto a mesa com planta, capacete e navio ao fundo em doca seca.

A Navantia deu início, no estaleiro de Puerto Real (Cádiz), aos trabalhos do programa Fleet Solid Support (FSS), que prevê a construção de três navios de apoio logístico para o Ministério da Defesa do Reino Unido através da sua subsidiária Navantia UK. Esta etapa assinala mais um avanço no calendário do projecto, três anos depois da assinatura do contrato e do arranque da construção do primeiro navio em território britânico.

Contexto do programa Fleet Solid Support (FSS)

O programa FSS nasceu em novembro de 2022, quando o Ministério da Defesa do Reino Unido adjudicou o contrato ao consórcio Team Resolute, formado pela Navantia UK, Harland & Wolff e BMT. A decisão respondeu à necessidade de assegurar apoio logístico aos porta-aviões britânicos em missões de grande alcance e longa duração.

Ao longo de 2024, a Navantia avançou com a aquisição dos activos de produção da Harland & Wolff, um processo que culminou em janeiro de 2025 com a sua integração na Navantia UK. A operação envolveu um investimento de 77 milhões de libras (£) e a criação de cerca de 2.000 postos de trabalho, reforçando a base industrial indispensável para executar o programa no Reino Unido.

No primeiro aniversário dessa aquisição, o presidente da Navantia, Ricardo Domínguez, sublinhou: “A Navantia UK está a dotar-se de capacidades que respondem aos desafios e acrescentam valor tanto ao mercado britânico como a outros programas internacionais, reforçando a presença e a credibilidade da Navantia no mercado internacional.”

Arranque da construção em Appledore, com Luke Pollard

A construção do primeiro navio FSS começou a 3 de dezembro no estaleiro da Navantia UK em Appledore, no sudoeste de Inglaterra, durante uma cerimónia presidida pelo Ministro da Indústria de Defesa do Reino Unido, Luke Pollard. Nesse momento, foi efectuada a primeira operação de corte de aço, dando formalmente início a um programa considerado decisivo para o apoio logístico da Royal Fleet Auxiliary (RFA) e para os grupos de ataque de porta-aviões da Marinha Real Britânica.

Início das obras em Puerto Real: Navantia e FSS em fase de produção

O começo das actividades em Puerto Real foi assinalado por uma cerimónia de corte de aço que contou com a presença do Adido de Defesa do Reino Unido em Espanha, Capitão Antony Crabb, e do Director de Operações e Negócio da Navantia, Gonzalo Mateo-Guerrero. O acto simboliza a passagem do programa da fase de concepção para a produção industrial.

Neste enquadramento, Antony Crabb afirmou: “Saudamos o compromisso contínuo da Navantia em entregar o programa Fleet Solid Support (FSS) dentro do prazo e do orçamento previstos. O início da construção em Puerto Real representa um marco significativo para este programa. Após o bem-sucedido corte de aço no estaleiro da Navantia UK em Appledore, em dezembro passado, o evento de hoje marca a transição do programa FSS da fase de projecto para a produção. Os módulos construídos em Espanha serão depois transferidos para o estaleiro de integração em Belfast. Aguardamos com expectativa a continuidade da nossa colaboração à medida que avançamos com a entrega destas importantes embarcações para a Marinha Real.”

Por seu lado, Gonzalo Mateo-Guerrero salientou: “O arranque dos trabalhos neste estaleiro demonstra o compromisso da Navantia com um cliente vital. Estamos a dedicar os nossos melhores recursos a este programa e à sua execução com os mais elevados padrões de qualidade e rigor.”

Características dos navios de Apoio Logístico da Frota (FSS)

Os três navios de Apoio Logístico da Frota (FSS, na sigla inglesa) serão operados por pessoal da RFA (Royal Fleet Auxiliary) e terão como função prestar apoio logístico, no mar, ao Grupo de Ataque de Porta-Aviões da Marinha Real Britânica. Entre as capacidades previstas inclui-se o fornecimento de munições, peças sobresselentes, géneros alimentares e outros recursos essenciais.

A missão central destas unidades será permitir que os navios britânicos mantenham operações prolongadas sem necessidade de regressar a porto, assegurando continuidade operacional em cenários de grande distância e elevada exigência.

Cada navio terá 216 metros de comprimento e um deslocamento aproximado entre 39.000 e 40.000 toneladas, o que os colocará como os segundos maiores navios ao serviço da Defesa do Reino Unido, apenas atrás dos porta-aviões HMS Queen Elizabeth e HMS Prince of Wales.

Além da dimensão, este tipo de navio distingue-se por concentrar capacidades de abastecimento e armazenamento concebidas para sustentar forças navais durante largos períodos. Na prática, trata-se de uma peça-chave para reduzir dependências de infra-estruturas costeiras e ampliar a autonomia logística dos grupos navais em operação.

Cooperação industrial entre o Reino Unido e Espanha

O programa FSS está a ser desenvolvido de forma conjunta pelos estaleiros da Navantia UK em Appledore e Belfast, com o contributo dos centros da Navantia em Espanha, responsáveis pela construção de módulos e blocos. Estes componentes serão depois enviados para Belfast, onde decorrerão a montagem final, os testes e a entrega.

Para lá do trabalho estrutural, as unidades espanholas acrescentam valor através de actividades ligadas a sistemas, integração e transferência de conhecimento, consolidando uma cadeia industrial repartida entre os dois países.

Em paralelo, continuam os trabalhos de modernização no estaleiro de Belfast, que assumirá um papel determinante como centro de integração do programa. O centro de Methil participa igualmente, ao construir uma barcaça destinada à movimentação de blocos, enquanto reforça as suas capacidades industriais. Já os centros de Methil e Arnish, apoiados na experiência acumulada no sector offshore, mantêm potencial para programas futuros, sobretudo na área da energia eólica offshore.

O modelo de produção distribuída - com blocos fabricados em diferentes instalações e integrados num único ponto - permite ajustar cargas de trabalho, reduzir estrangulamentos e acelerar fases críticas do cronograma. Ao mesmo tempo, exige coordenação apertada de qualidade, prazos e interfaces técnicas para que a integração final decorra sem desvios.

Um programa que avança dentro do planeamento

Deste modo, o início da construção em Puerto Real integra-se num projecto que segue a trajectória prevista, consolidando uma estrutura industrial repartida entre o Reino Unido e Espanha para entregar os novos navios de logística FSS destinados à Royal Fleet Auxiliary britânica.

Imagem de capa meramente ilustrativa.

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