A instituição de protecção animal RSPCA está a pedir às pessoas que, neste inverno, olhem duas vezes para o que sobra na cozinha: um alimento muito comum pode ser uma ajuda decisiva para o pisco-de-peito-ruivo e outras aves de jardim quando a comida natural escasseia.
O inverno é duro para as aves pequenas do jardim
As geadas podem ser bonitas, mas para aves de pequeno porte são implacáveis. Quando o solo fica rijo com o frio, minhocas, escaravelhos e muitos outros insectos ficam fora de alcance. Além disso, os dias mais curtos reduzem o tempo disponível para procurar alimento.
Espécies como pisco-de-peito-ruivo, melro-preto, chapins e tentilhões precisam de um fluxo constante de comida energética para manter a temperatura corporal. Um pisco-de-peito-ruivo pode perder uma parte considerável do seu peso numa única noite gelada se não conseguir comer o suficiente durante o dia.
Em períodos de frio intenso, o que coloca no comedouro pode significar a diferença entre a vida e a morte para as pequenas aves do jardim.
A RSPCA sublinha que não é obrigatório gastar dinheiro em rações especializadas caras: vários alimentos “de pessoas”, quando escolhidos e oferecidos com cuidado, também podem ajudar as aves a ultrapassar os piores dias.
A “surpresa” que a RSPCA sugere partilhar: massa cozida simples
Entre os alimentos que têm despertado atenção, há um em particular: massa cozida simples. A instituição refere que o pisco-de-peito-ruivo e muitas outras espécies a podem comer sem problemas, desde que seja fornecida da forma correcta.
A massa cozida, preparada apenas em água e sem sal nem molhos, pode dar ao pisco-de-peito-ruivo um impulso de energia útil durante o tempo frio.
A massa é rica em hidratos de carbono, que se transformam em açúcares rapidamente utilizáveis para calor e actividade. Para uma ave pequena que consome calorias só para “aguentar” a noite, esse reforço energético faz diferença.
Como preparar massa em segurança para o pisco-de-peito-ruivo
Nem toda a massa servida à mesa é adequada. A RSPCA realça que deve ser básica, insípida e segura para aves - isto significa sem óleo, sem queijo, sem temperos e sem qualquer molho.
- Cozer a massa apenas em água
- Não juntar sal, cubos de caldo, manteiga ou azeite/óleo
- Deixar arrefecer totalmente antes de oferecer
- Cortar formatos maiores ou esparguete em pedaços muito pequenos
- Disponibilizar poucas quantidades, para ser consumida depressa e não azedar
Ao partir a massa, facilita-se a apanha e a deglutição por aves pequenas como o pisco-de-peito-ruivo, reduzindo desperdícios e também o risco de engasgamento.
Outras sobras seguras que as aves do jardim podem aproveitar
A massa é apenas uma das opções de cozinha que podem apoiar as aves quando o tempo se torna mais severo. A RSPCA menciona diferentes alimentos que, se forem bem oferecidos, podem integrar uma alimentação variada.
Restos de cozinha amigos das aves
| Alimento | Como oferecer | Avisos principais |
|---|---|---|
| Arroz cozido | Simples, já frio, espalhado num tabuleiro ou prato | Sem sal, molhos ou temperos |
| Batata cozida | Sem sal, esmagada ou cortada miúdo | Evitar batata assada, gorduras e aromatizantes |
| Queijo | Queijo suave, ralado, para pisco-de-peito-ruivo e melros | Não usar queijos azuis nem queijos fortes com bolores |
| Couro de bacon | Cru, sem sal, finamente picado | Não usar bacon fumado, curado ou temperado |
| Fruta | Maçã e pêra em pedaços, passas, sultanas, bagas macias | Retirar rapidamente qualquer parte com bolor |
Estes alimentos devem estar sempre frescos e ser colocados em quantidades moderadas. Comida esquecida no comedouro pode atrair ratos, raposas e outras pragas, ou ganhar bolor - algo que pode prejudicar as aves.
Sementes, frutos secos e alimentos específicos continuam a ser importantes
Embora as sobras possam ajudar, um bom ponto de alimentação no inverno beneficia muito de sementes, frutos secos e gorduras pensados para aves selvagens.
A RSPCA destaca várias opções particularmente eficazes para o pisco-de-peito-ruivo e “vizinhos” do jardim:
- Miolo e sementes de girassol
- Misturas de sementes com níger e milho-miúdo
- Aveia (não papas instantâneas com açúcar adicionado ou aromatizantes)
- Amendoins sem sal em comedouros de malha
- Sebo e bolas de gordura, sem rede plástica
- Larvas de farinha vivas ou secas e larvas de traça da cera
Os amendoins devem estar frescos, sem sal e nunca ser oferecidos soltos a aves jovens, porque os frutos inteiros podem provocar engasgamento.
Procure amendoins identificados como próprios para aves e livres de aflatoxina, uma toxina produzida por alguns bolores que pode ser nociva.
Porque o pisco-de-peito-ruivo prefere larvas e alimentos macios
O pisco-de-peito-ruivo alimenta-se naturalmente de insectos, apanhando minhocas, aranhas e escaravelhos em relvados e canteiros. Por isso, alimentos macios aproximam-se mais da sua dieta habitual do que sementes muito duras.
As larvas de farinha, a fruta seca demolhada e o queijo ralado tendem a atraí-lo bastante. Colocar estas opções logo de manhã e voltar a reforçar ao fim da tarde ajuda o pisco-de-peito-ruivo a abastecer-se antes e depois das horas mais frias.
Água fresca pode ser tão essencial quanto comida
Em vagas de frio, é frequente encontrar bebedouros e banheiras de aves congelados - e isso pode deixar as aves em dificuldades reais. Precisam de água para beber e também para manter as penas limpas; penas em bom estado isolam melhor do frio.
Verificar um recipiente com água uma ou duas vezes por dia durante uma geada pode ser tão útil quanto reabastecer o comedouro.
Se não tiver uma banheira de aves, uma taça pouco funda ou um prato de vaso resulta muito bem. Use água morna (não quente) e nunca adicione anticongelante nem químicos. Em dias muito frios, uma pequena bola a flutuar pode atrasar por algum tempo a formação de gelo.
Coloque a água num local aberto, onde os gatos não consigam esconder-se facilmente para emboscar aves enquanto bebem.
Proteger o pisco-de-peito-ruivo de perigos discretos
À medida que mais pessoas alimentam aves, certos riscos passam despercebidos. A RSPCA alerta que o local onde se coloca comida e água influencia bastante a segurança.
- Manter comedouros longe de moitas densas onde gatos se possam ocultar
- Evitar pôr alimento encostado a janelas para reduzir colisões
- Lavar comedouros e tabuleiros com regularidade para limitar doenças
- Remover de imediato comida húmida ou com bolor
Para quem tem cães, há ainda outro ponto importante: uvas, passas, sultanas e alguns adoçantes artificiais podem ser tóxicos para cães mesmo em pequenas quantidades. Se partilhar fruta seca com as aves, garanta que os animais de estimação não conseguem apanhar o que cair no chão.
O que significa uma “alimentação equilibrada” para um pisco-de-peito-ruivo
Quando se fala em dieta equilibrada para aves, não se trata de um menu rígido. O objectivo é assegurar uma combinação de alimentos que forneça energia, proteína, vitaminas e gorduras.
No inverno, para um pisco-de-peito-ruivo, isso pode traduzir-se em:
- Hidratos de carbono energéticos vindos de massa, arroz ou sementes
- Proteínas a partir de larvas, insectos ou um pouco de queijo
- Açúcares naturais e vitaminas através de fruta
- Gorduras fornecidas por sebo ou bolas de gordura de boa qualidade
Ir alternando o que disponibiliza ao longo da semana ajuda várias espécies a beneficiar e diminui a probabilidade de um único alimento se estragar.
Dois complementos que fazem diferença: abrigo e consistência
Para além da alimentação, o jardim pode oferecer refúgio. Se tiver possibilidade, mantenha algumas zonas com arbustos densos, heras ou sebes onde as aves possam abrigar-se do vento e descansar com menos perda de calor. Pequenas áreas mais “naturais” também tendem a atrair insectos, o que reforça a alimentação de forma indirecta.
A consistência também conta: é preferível uma rotina simples e regular (em vez de grandes quantidades esporádicas). Ao colocar porções pequenas e renovar com frequência, reduz-se o desperdício, evita-se a deterioração e as aves aprendem a visitar o seu espaço nos horários em que mais precisam.
Como uma rotina pequena pode transformar o seu jardim no inverno
Imagine um hábito fácil: um punhado de massa simples cortada e um pouco de queijo ralado perto de um arbusto para o pisco-de-peito-ruivo, um comedouro com mistura de sementes para tentilhões e um recipiente de água fresca verificado todas as manhãs. Em poucos dias, o jardim volta a ganhar movimento.
Para lá do prazer de ver o pisco-de-peito-ruivo a saltitar confiante no relvado, há benefícios silenciosos: aves bem alimentadas têm mais hipóteses de chegar à primavera, altura em que nidificam, criam as crias e ajudam a controlar pulgões, lagartas e outros insectos que podem danificar plantas.
Uma panela de massa sem sal a arrefecer no fogão pode parecer insignificante. Mas, partilhada com as aves lá fora, torna-se uma forma simples e económica de apoiar a vida selvagem - e de trazer de volta o vermelho-alaranjado no peito e o canto ao longo de uma vedação coberta de geada.
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