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USS Zumwalt (DDG-1000) volta ao mar para ensaios após modernização para mísseis hipersónicos

Navio de guerra militar a navegar no mar com marinha a bordo em dia claro e céu limpo.

De acordo com o que foi acompanhado nos últimos dias através de fontes abertas de informação (OSINT), foi confirmado que o futuro destróier de mísseis hipersónicos USS Zumwalt (DDG-1000), da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), voltou a largar amarras para dar início ao que deverão ser provas de navegação e verificação de sistemas. Trata-se de um dos marcos mais relevantes de um processo de modernização longo e tecnicamente exigente.

Conforme registado por observadores, o navio zarpou a 15 de janeiro do porto de Pascagoula, no estado do Mississippi, rumo a um destino que não foi divulgado.

Primeira saída por meios próprios desde 2023

Esta nova campanha no mar é a primeira realizada pelo destróier pelos seus próprios meios desde agosto de 2023, altura em que entrou nas instalações da Huntington Ingalls Industries (HII) para uma transformação profunda. O navio voltou a ser colocado a flutuar durante 2024, e o facto de regressar agora ao mar aponta para a conclusão das intervenções estruturais mais críticas.

A partir deste ponto, o foco passa a ser a verificação e validação operacional: ensaios em condições reais para confirmar que sistemas, equipamentos e integrações recentes funcionam como previsto.

Modernização da classe Zumwalt para mísseis hipersónicos e o Conventional Prompt Strike

A actual fase de testes enquadra-se no programa de modernização da classe, iniciado em 2023, cujo objectivo é transformar os destróieres da classe Zumwalt na primeira plataforma de superfície da Marinha dos Estados Unidos capaz de operar e projectar mísseis hipersónicos.

Essa capacidade será alcançada através da instalação e integração do sistema Conventional Prompt Strike, o que implicou alterações de grande dimensão. Entre as mudanças mais significativas contam-se:

  • Remoção dos dois canhões originais Advanced Gun System (AGS);
  • Instalação de lançadores verticais de mísseis de grande diâmetro, concebidos para alojar este novo armamento estratégico;
  • Trabalhos extensivos de integração para garantir compatibilidade com os restantes sistemas do navio.

O que se pretende avaliar nas provas de mar

Nos últimos meses, imagens e comunicações oficiais já tinham evidenciado avanços importantes na integração do sistema de lançamento de mísseis hipersónicos, além de intervenções na estrutura interna, em sistemas eléctricos e em componentes do sistema de combate.

A saída para provas de mar permite agora medir, de forma integrada, aspectos como:

  • desempenho global da plataforma;
  • propulsão e resposta do sistema de energia;
  • manobrabilidade e comportamento em navegação;
  • interacção correcta entre novos subsistemas incorporados e os sistemas já existentes.

Além da validação técnica, estas provas costumam servir também para consolidar procedimentos e rotinas operacionais, incluindo verificações de segurança e a confirmação de que o navio mantém margens adequadas para operar com novos equipamentos de grande impacto na configuração interna.

Ensaio bem-sucedido do lançador hipersónico em 2025: CPS e lançamento por “gás frio”

Como passo adicional dentro deste esforço, em maio de 2025 a Marinha dos Estados Unidos anunciou que o novo sistema de lançamento de mísseis hipersónicos instalado no USS Zumwalt (DDG-1000) foi testado com sucesso.

Segundo foi então comunicado por canais oficiais, a actividade decorreu no âmbito dos Programas de Sistemas Estratégicos e foi considerada um marco por representar a primeira vez em que se empregou a capacidade de Ataque Rápido Convencional (CPS) recorrendo ao método de lançamento por “gás frio” que a força está a desenvolver.

De destróier multimissão furtivo a vector de ataque de longo alcance

Importa recordar que o USS Zumwalt é o primeiro navio de uma classe pensada, inicialmente, como um destróier multimissão, com elevado grau de automação e forte ênfase em características de furtividade. Ainda assim, custos elevados, problemas técnicos e mudanças nos requisitos operacionais acabaram por conduzir a uma redefinição do seu papel.

A orientação passou a privilegiar missões de ataque de longo alcance contra alvos de elevada relevância estratégica. A conversão do navio num vector de lançamento de mísseis hipersónicos procura, assim, tirar partido de uma plataforma singular, embora limitada em quantidade: apenas três unidades foram construídas para a frota de superfície norte-americana.

Implicações estratégicas e integração na frota

A aposta em capacidades hipersónicas tem igualmente uma dimensão estratégica: os Estados Unidos procuram acelerar a obtenção, o emprego e o eventual desdobramento destas armas num contexto em que, nos últimos anos, se têm sentido em desvantagem face a outras potências, como Rússia e China. Para além do navio em si, a operacionalização exige doutrina, treino, cadeia logística e calendários de manutenção compatíveis com a nova missão.

O que poderá seguir-se após este regresso ao porto

Segundo a informação limitada divulgada por observadores, o USS Zumwalt regressou ao porto poucos dias após a partida. Isso deixa em aberto quais serão os próximos passos previstos para concluir as provas de mar e viabilizar a entrega do navio de volta à Marinha dos EUA, bem como o momento em que será reincorporado ao serviço com a nova configuração.

Esta sequência reforça a prioridade atribuída pela força à consolidação de capacidades hipersónicas - um domínio em que Washington procura recuperar terreno.

Fotografias: créditos a quem de direito.

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