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O futuro porta-aviões nuclear **France Libre** poderá operar também drones de reabastecimento e de combate

Porta-aviões militar com drones e avião de caça durante operação marítima ao pôr do sol.

Pouco depois de se saber que o futuro porta-aviões nuclear vai chamar-se “France Libre”, surgem já pistas sobre como a Marinha Nacional francesa quer tirar mais partido da sua ala aérea embarcada. A ideia passa por integrar drones de reabastecimento, reduzindo a necessidade de lançar um caça equipado com um pod Narang para abastecer outra aeronave em missão de vigilância ou de combate.

A indicação foi avançada pelo almirante Nicolas Vaujour, atual Chefe do Estado-Maior da Marinha francesa, numa entrevista a uma publicação local. Nas suas palavras: “À semelhança do Charles de Gaulle, (NdE: o porta-aviões nuclear France Libre) contará, por supuesto, com aeronaves tripuladas. Mas também com drones para proteger a sua escolta, realizar missões de vigilância aérea sobre o mar e reabastecer em voo o Rafale e outros tipos de aeronaves. Além disso, disporá de drones de combate para penetrar as defesas do inimigo.” Por agora, Vaujour evitou entrar em detalhes sobre que sistemas não tripulados poderão ser escolhidos, embora analistas franceses já estejam a apontar diferentes cenários.

Nesse contexto, o modelo com mais hipóteses de vir a ser selecionado como drone de reabastecimento é o MQ-25 Stingray, que a Boeing está a desenvolver em conjunto com a Marinha dos EUA. Trata-se, atualmente, do único sistema deste tipo no Ocidente num estado avançado de desenvolvimento que permita pensar numa incorporação num horizonte relativamente próximo. Outra alternativa, a considerar em prazos mais longos, passa pelo desenvolvimento de um novo drone de reabastecimento cuja conceção está a cargo da Alemanha e de Espanha, com apoio financeiro da Comissão Europeia no âmbito da PESCO.

Chega mesmo a ser equacionada a aquisição de mais do que um sistema. Isso abriria a porta a um cenário em que o MQ-25 serviria como aposta de curto prazo para garantir a capacidade desde cedo, enquanto se aguardaria por um modelo de fabrico europeu. O próprio almirante Vaujour sublinhou na entrevista: “O equipamento ir-se-á modificando com o tempo e em função dos avanços tecnológicos”, o que aponta para um conceito de projeto do novo porta-aviões nuclear centrado na flexibilidade e na capacidade de operar diferentes tipos de plataformas.

Importa recordar, contudo, que o MQ-25 da Boeing também tem enfrentado atrasos nos seus calendários, o que tem condicionado a sua entrada ao serviço na Marinha dos EUA dentro do previsto. Conforme foi reportado em dezembro passado, a plataforma não conseguiu cumprir o número de voos planeado para 2025, algo atribuído, entre outros fatores, ao encerramento do governo, que colocou em pausa vários programas em curso; e a uma greve significativa em instalações da Boeing no estado do Illinois. Isto gerou demoras relevantes, mesmo depois de a equipa de desenvolvimento ter concluído testes estruturais e do motor em terra e de ter sido instalada uma versão de software certificada para voo.

Por fim, no que toca aos drones de vigilância marítima também mencionados pela autoridade francesa ao descrever as capacidades previstas para o porta-aviões nuclear France Libre, vale a pena notar que a indústria local está a trabalhar em pelo menos um possível candidato. De acordo com meios especializados franceses, a Naval Group e a Turgis Gaillard associaram-se recentemente para desenvolver uma versão naval do sistema não tripulado Aarok. Ainda assim, não houve anúncios oficiais sobre financiamento do governo francês para o projeto, o que sugere que este se encontra numa fase muito inicial.

Imagens empregadas a modo ilustrativo

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