A The Boring Company, empresa criada por Elon Musk para escavar túneis sob grandes cidades (e que se propõe transformar os transportes urbanos), foi recentemente sancionada com uma multa de 500 00 dólares após uma série de infracções ambientais em Las Vegas.
O caso em Las Vegas: The Boring Company e os despejos nos esgotos
Durante este verão, num estaleiro em Las Vegas, a The Boring Company continuava a desenvolver a sua rede subterrânea pensada para fazer circular Tesla por baixo da cidade. Só que, para lá do discurso de inovação, os inspectores do Clark County Water Reclamation District (CCWRD) identificaram comportamentos problemáticos: trabalhadores da empresa estavam a descarregar fluidos de perfuração (“drilling fluids”) directamente para os esgotos municipais.
Notificados para parar de imediato, os funcionários aparentaram cumprir. Porém, no dia seguinte, quando acreditaram que a fiscalização já tinha terminado, a equipa retomou os despejos.
As autoridades locais indicam que Filippo Fazzino, responsável da The Boring Company presente no local, terá “fingido cumprir” ao desligar as ligações para, logo depois, as voltar a colocar quando já não se sentia observado. A resposta dos inspectores foi rápida: seguiu uma notificação formal, depois de confirmados “danos extensos” causados à infra-estrutura pública.
O que continham os “drilling fluids” e a limpeza do CCWRD
Entre os fluidos de perfuração referidos no processo constam produtos químicos como o MasterRoc AGA 41S, utilizado para acelerar a escavação de túneis, mas potencialmente perigoso para o ambiente e para a saúde. De acordo com a informação apresentada, vários trabalhadores terão, inclusive, sofrido queimaduras após contacto directo com estas substâncias.
No total, o CCWRD teve de accionar equipas no terreno para remover e limpar 12 metros cúbicos de lamas, detritos e resíduos sólidos, distribuídos por dois pontos de intervenção.
O efeito não se resume ao custo: a contaminação destas águas, a degradação das infra-estruturas e o consumo de recursos públicos abrem um precedente preocupante. Segundo as autoridades, a multa de 493297,08 0$ (incluindo 131297,08 0$ apenas em despesas de limpeza) traduz a gravidade dos factos, a quantidade de resíduos e o reconhecimento de responsabilidade por parte da empresa.
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The Boring Company, reincidente
Não é a primeira vez que a The Boring Company surge no radar dos reguladores. Outros relatórios das autoridades do Nevada, divulgados por ProPublica e TechCrunch, apontam perto de 800 violações ambientais ao longo de vários anos, incluindo escavações sem licença, descargas de águas residuais não tratadas nas ruas e abandono de lamas tóxicas na via pública. Algumas dessas infracções terão ocorrido depois de a empresa ter prometido cumprir as regras. No conjunto, as coimas associadas a estas violações poderão atingir vários milhões de dólares.
Mesmo que este valor pareça reduzido face à capacidade financeira da The Boring Company, o episódio pode deixar marcas por muito tempo. A nível local, a confiança das entidades públicas e dos moradores fica fragilizada: é provável que futuras autorizações passem a exigir mais transparência e inspecções regulares.
A nível nacional, numa altura em que Elon Musk multiplica obras de túneis nos Estados Unidos, o caso é visto como um exemplo. Associações ambientalistas e alguns eleitos já defendem uma investigação mais ampla e a criação de regras ajustadas a estes novos intervenientes no urbanismo.
Perante a sucessão de incidentes, a The Boring Company optou pela discrição: nem a direcção nem Elon Musk responderam aos vários pedidos de comentário enviados pelos meios de comunicação social. A autoridade turística local, a Las Vegas Convention and Visitors Authority, de que depende parte do projecto, diz preferir “continuar a analisar o dossiê” antes de qualquer tomada de posição oficial.
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