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Caças MiG-31 russos patrulharam o Mar do Japão com mísseis hipersónicos Kinzhal.

Avião de caça militar cinzento a voar sobre o mar com rodas de aterragem visíveis.

Nas últimas semanas, as Forças Armadas Russas intensificaram missões de patrulha e de vigilância em diferentes teatros, recorrendo a aeronaves de longo alcance para afirmar presença e testar rotinas operacionais. Um dos episódios mais recentes ocorreu no espaço aéreo internacional sobre o Mar do Japão, onde a Força Aeroespacial Russa (VKS) colocou em voo dois interceptores MiG-31 numa missão descrita como programada.

O que distinguiu esta saída - à partida semelhante a outras patrulhas - foi a configuração observada: os caças seguiam armados com mísseis hipersónicos Kinzhal, reforçando a dimensão dissuasora do voo e a sua relevância para a monitorização regional.

A confirmação partiu do Ministério da Defesa russo, que divulgou nos seus canais oficiais imagens de um voo de patrulha envolvendo dois interceptores Mikoyan MiG-31 sobre o Mar do Japão. No comunicado associado, o ministério indicou:

“A aeronave MiG-31I, equipada com mísseis aerobalísticos hipersónicos Kinzhal, realizou um voo programado no espaço aéreo sobre águas neutras do Mar do Japão. Durante o voo, as tripulações dos MiG-31I praticaram reabastecimento em voo. Os voos das aeronaves das Forças Aeroespaciais Russas foram realizados em estrita conformidade com os regulamentos internacionais do espaço aéreo.”

Apesar desta validação por Moscovo, não houve, até ao momento, uma nota pública nem do Ministério da Defesa japonês nem do Estado-Maior das Forças de Autodefesa do Japão. Assim, permanece por esclarecer se meios aéreos e navais japoneses foram colocados em prontidão e mobilizados para localizar, seguir e avaliar o perfil de voo dos interceptores russos.

Este silêncio contrasta com a sensibilidade habitual em torno de actividades próximas do arquipélago: operações das Forças Armadas da Rússia e do Exército de Libertação Popular da China (ELP) na região tendem a gerar alerta e a activar recursos de vigilância. Um exemplo recente foi o emprego de aeronaves P-3C Orion da Força Marítima de Autodefesa para acompanhar a actividade de um submarino de ataque da classe Kilo II no extremo sudoeste do arquipélago japonês.

Importa notar que, em missões deste tipo, o treino de reabastecimento em voo não é apenas uma rotina técnica: é também um indicador de capacidade para manter aeronaves armadas em permanência prolongada, com maior raio de acção e flexibilidade na selecção de rotas. Num contexto de crescente competição no Indo-Pacífico, estes parâmetros são cuidadosamente observados por operadores e analistas, mesmo quando os voos decorrem em espaço aéreo internacional.

Além disso, a combinação de patrulha com armamento estratégico - ainda que não haja qualquer indicação de intenção ofensiva - tende a funcionar como sinal político-militar. Em termos práticos, é também um teste de cadeias de comando, de comunicações e de procedimentos de segurança, incluindo a gestão de riscos de incidentes e de aproximações não planeadas, numa área onde múltiplas forças operam em simultâneo.

MiG-31I com Kinzhal no Mar do Japão: o que se sabe sobre o míssil hipersónico

Tal como é visível no vídeo do Ministério da Defesa da Rússia, os MiG-31 efectuaram a patrulha equipados com o Kh-47M2 Kinzhal, um dos mísseis hipersónicos lançados do ar actualmente em serviço nas Forças Aeroespaciais.

Embora uma parte substancial do programa continue sob sigilo, várias fontes apontam que o sistema terá origem num desenvolvimento associado ao míssil balístico de curto alcance 9K720 Iskander, adaptado para lançamento aéreo, utilizando o comprovado interceptor MiG-31 como plataforma.

Este pormenor é relevante porque a dupla MiG-31/Kinzhal foi das primeiras a operacionalizar esta lógica de integração, tirando partido de uma aeronave com muitos anos de serviço para lhe atribuir um novo papel - e, desse modo, prolongar a utilidade do interceptor como vector de ataque de longo alcance. Trata-se de uma orientação que tem paralelos noutros países: Estados Unidos e China, por exemplo, também têm vindo a utilizar alguns bombardeiros estratégicos como plataformas para mísseis de cruzeiro e, em determinados programas, para armamento hipersónico.

Quanto às prestações do Kinzhal, continuam a não existir dados oficiais detalhados. Ainda assim, circula a estimativa de que poderá atingir um alcance na ordem dos 2 000 quilómetros e aproximar-se de velocidades de Mach 10, valores frequentemente citados em análises abertas, mas que permanecem sujeitos a incerteza.

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