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Após longas negociações, a Indonésia avançou com a compra de 16 caças KAI KF-21 Boramae à Coreia do Sul.

Dois militares asiáticos apertam as mãos junto a um caça F-35 numa pista de aeroporto ensolarada.

Indonésia prepara compra de 16 caças KAI KF-21 Boramae à Coreia do Sul

A Indonésia está prestes a avançar com a aquisição de 16 caças KAI KF-21 Boramae à Coreia do Sul, num movimento que deverá tornar-se o primeiro contrato de exportação deste avião de combate desenvolvido pela Korea Aerospace Industries (KAI). O entendimento surge depois de um período de negociações sobre o papel de Jacarta no programa e poderá traduzir-se num novo patamar na cooperação de defesa entre a Indonésia e a Coreia do Sul.

Segundo um responsável do Governo sul-coreano, a assinatura do contrato de exportação relativo aos 16 KF-21 está apontada para 19 de maio, coincidindo com a visita de Estado do Presidente indonésio Prabowo Subianto à Coreia do Sul, prevista para o final deste mês. A mesma fonte acrescentou que, assim que o montante final ficar fechado, será organizada uma cerimónia de assinatura em separado durante o primeiro semestre do ano.

Primeiro contrato externo e marco para a produção em série do KF-21

A concretizar-se, este acordo corresponderá, na prática, à primeira exportação de um caça desenvolvido com tecnologia sul-coreana de origem nacional. Em paralelo, o avanço nas negociações coincide com um momento-chave do programa: a produção em série do KF-21 está planeada para arrancar este ano, enquanto as autoridades sul-coreanas pretendem fechar o desenvolvimento do sistema no primeiro semestre.

Origem do programa KF-21 e objectivo de substituir F-4 e F-5

O programa KF-21 começou a ganhar forma em novembro de 2000, quando o então Presidente Kim Dae-jung afirmou: “Tornar-nos-emos uma nação com aviação avançada, capaz de desenvolver internamente caças avançados até, no máximo, 2015.” A iniciativa foi desenhada como um projecto estratégico para criar, de forma autónoma, um caça de geração 4.5, com a missão de substituir os envelhecidos F-4 e F-5 da Força Aérea Sul-Coreana, respondendo também às exigências do futuro ambiente operacional.

Apesar da ambição, os primeiros anos foram marcados por um progresso contido, devido a interrogações sobre a viabilidade comercial e a obstáculos no acesso a tecnologias avançadas. A trajectória começou a alterar-se em dezembro de 2015, quando a Administração do Programa de Aquisição de Defesa (DAPA) assinou o contrato principal com a KAI para o desenvolvimento do sistema, formalizando o arranque de uma nova fase do projecto.

Investimento e dimensão do projecto na Coreia do Sul

Desde então, o programa reuniu um investimento de 8,1 biliões de won para o desenvolvimento conjunto entre 2015 e 2026, somando-se 8,4 biliões de won destinados à produção em massa entre 2026 e 2028. No total, o custo ascende a 16,5 biliões de won, colocando o KF-21 entre os maiores empreendimentos de desenvolvimento de capacidades de defesa alguma vez executados pela Coreia do Sul.

Um dos pontos que tende a ganhar relevância em contratos desta natureza é a componente de suporte ao longo do ciclo de vida: formação de pilotos e técnicos, fornecimento de sobressalentes, actualizações de software e integração de armamento e sensores. Para um operador como a Indonésia, garantir um pacote logístico robusto e calendários realistas de entrega e manutenção pode ser tão determinante quanto a compra inicial das células.

Relação com a Indonésia: financiamento revisto e tensão negocial

Ainda assim, a participação da Indonésia no programa tem sido acompanhada por revisões e fricções, sobretudo em torno do financiamento. Em junho de 2025, os dois governos concluíram negociações que reduziram a contribuição financeira de Jacarta para cerca de 437 milhões de dólares, menos de metade dos aproximadamente 1,24 mil milhões de dólares inicialmente prometidos quando o país aderiu ao programa, em 2016.

Esta revisão aconteceu após mais de um ano de conversações e num contexto de dúvidas crescentes quanto ao grau de compromisso indonésio. Na altura, foi noticiado que a Indonésia tinha pago cerca de 292,2 milhões de dólares e que o valor em falta passaria a estar sujeito a um novo calendário de pagamentos a definir com a KAI e a DAPA, implicando também uma redução das contrapartidas ligadas ao desenvolvimento conjunto e à transferência de tecnologia.

No plano estratégico regional, a eventual entrada do KF-21 na Indonésia poderá influenciar a forma como Jacarta gere a modernização da sua frota e a interoperabilidade com parceiros, sobretudo num espaço marítimo vasto e com múltiplos desafios de vigilância e defesa aérea. A escolha de um caça de geração 4.5 também pode ter impacto na doutrina, no treino e nas necessidades de infra-estrutura, como pistas, hangares e sistemas de apoio no solo.

Continuidade operacional: pilotos indonésios em voos de ensaio na Coreia do Sul

Apesar das negociações difíceis, ao longo de 2025 mantiveram-se sinais de continuidade operacional no âmbito do programa. Em 30 de setembro desse ano, o Coronel Mohammad Sugiyanto, piloto de testes da Força Aérea Indonésia (TNI-AU), realizou com êxito o seu primeiro voo no lugar dianteiro de um protótipo do KF-21 em Sacheon, na Coreia do Sul. O feito ocorreu poucos meses depois de o Coronel Ferrel Rigonald se ter tornado, em junho, o primeiro piloto indonésio a assumir o controlo directo da aeronave durante um voo de testes.

Imagens meramente ilustrativas.

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