A 16 de março, com a realização da cerimónia de abertura, a Força Aérea Brasileira (FAB) confirmou o arranque de um dos mais relevantes exercícios multinacionais da região. Designado “Cooperação XI”, o evento reúne os países integrantes do Sistema de Cooperação entre as Forças Aéreas Americanas (SICOFAA) com o propósito de garantir uma resposta imediata, coordenada e eficaz a catástrofes naturais.
Cooperação XI da Força Aérea Brasileira (FAB): onde decorre e até quando
As actividades decorrem até 27 de março e têm como centro operacional a Base Aérea de Campo Grande (BACG), no estado de Mato Grosso do Sul, onde a FAB actua como nação anfitriã, acolhendo o pessoal e os meios de 14 países envolvidos no exercício multinacional.
Países participantes do SICOFAA e meios aéreos empenhados
Entre os membros do SICOFAA presentes nesta edição contam-se:
- Argentina
- Brasil
- Bolívia
- Canadá
- Chile
- Colômbia
- Estados Unidos
- Honduras
- México
- Panamá
- Paraguai
- Peru
- República Dominicana
- Uruguai
No conjunto, estes países mobilizaram 18 aeronaves, incluindo aviões de transporte, plataformas de comando e controlo, helicópteros e veículos aéreos não tripulados (UAV), assegurando um leque de capacidades adequado a cenários de emergência e apoio humanitário.
Objectivos: coordenação, Comando e Controlo (C2) e resposta a incêndios
A concentração de tripulações, aviadores e meios aéreos em Mato Grosso do Sul está directamente ligada à finalidade de reforçar a coordenação de apoio mútuo, treinar procedimentos de Comando e Controlo (C2) de operações aeroespaciais em resposta a incêndios e aumentar a capacidade de coordenação do país afectado perante desastres naturais ou de origem humana.
O Director do Exercício, Brigadeiro do Ar Newton, sublinhou a dimensão colectiva do esforço: quando as nações das Américas se juntam em torno de valores comuns para enfrentar desafios partilhados, a contribuição de cada uma potencia o êxito de todas. Acrescentou ainda que, nos próximos dias, a Base Aérea se converterá num espaço de trabalho integrado, centrado na aprendizagem mútua e no intercâmbio profissional.
Participação da Força Aérea Argentina: Hércules C-130H e Bell 412EP
No caso específico da Força Aérea Argentina, a instituição destacou um Hércules C-130H e um helicóptero Bell 412EP. Em termos de identificação e origem:
- TC-64, da I Brigada Aérea El Palomar
- H-103, do Grupo Aéreo 7 (GA7), pertencente à VII Brigada Aérea
A delegação argentina totaliza 46 militares, cuja presença foi autorizada através de um Decreto de Necessidade e Urgência (DNU). De acordo com o Governo argentino, este mecanismo foi necessário devido a atrasos no processo legislativo para aprovação do Programa de Exercícios Combinados previsto para o período de 1 de setembro de 2025 a 31 de agosto de 2026, que ainda não tinha sido apreciado pela Câmara dos Deputados da Nação - programa no qual se inclui o Exercício Cooperação XI.
Interoperabilidade e preparação para emergências: ganhos esperados
Para além do treino técnico, exercícios como o Cooperação XI têm impacto directo na interoperabilidade: alinham terminologia, rotinas operacionais e procedimentos de coordenação entre equipas multinacionais, reduzindo tempos de resposta em cenários reais. A padronização de comunicações e a integração de meios de transporte, reconhecimento e evacuação são factores que podem ser decisivos quando a janela de actuação é curta.
Outro aspecto relevante é a ligação entre capacidades militares e apoio às autoridades civis. O treino conjunto ajuda a estruturar fluxos de trabalho para logística humanitária, transporte de pessoal e carga, avaliação de danos e apoio a combate a incêndios, permitindo que o país afectado actue como nó coordenador, maximizando a eficácia do auxílio internacional.
Fotografias: Força Aérea Brasileira
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário