6 de fevereiro de 2026 - 09:30
Crédito da imagem: A. Krivonosov
Importação de automóveis por particulares sobe 55%: o que estão a trazer os russos
Em janeiro de 2026, a importação de automóveis de passageiros por particulares na Rússia aumentou 55%, atingindo 35,2 mil unidades. Este crescimento destaca-se num contexto em que o volume total importado recuou para 47,8 mil veículos - o segmento privado foi, na prática, o único a avançar. Segundo analistas, 74% de todos os carros introduzidos no país nesse mês foram importados por pessoas singulares.
Carros até 160 cv e a taxa de reciclagem: a razão por detrás da mudança
O padrão repete-se nas três grandes categorias de entrada - carros novos, usados com volante à esquerda e modelos com volante à direita provenientes do Japão: há um desvio claro para carros até 160 cv, associado às novas regras de cálculo da taxa de reciclagem (encargo aplicado na importação). Ao ajustar a escolha à fiscalidade, muitos compradores estão a privilegiar versões mais “vantajosas” no custo total, sem abdicar necessariamente de equipamento ou segmento.
Ainda assim, a procura por opções mais potentes não desapareceu por completo. Continuam a existir encomendas de versões acima deste patamar, sobretudo quando se trata de automóveis novos, onde a disponibilidade de configurações e a preferência por motores mais fortes ainda pesa na decisão.
Veículos até 3 anos: Mazda CX-5 lidera com larga vantagem
No grupo de automóveis com até três anos, os particulares importaram 11,4 mil veículos, um resultado três vezes superior ao de janeiro de 2025. A grande líder foi a Mazda CX-5, responsável por quase 23% de toda a importação privada desta faixa etária, de acordo com dados divulgados por Sergei Tselikov.
O top 10 deste segmento inclui ainda:
- Skoda Superb
- KIA Seltos
- Zeekr 9X
- Nissan Qashqai
- Volkswagen Tharu
- Audi Q5
- Toyota Highlander
- RAM 1500
- Toyota RAV4
Usados com volante à esquerda: 11 mil unidades e 90,5% abaixo de 160 cv
A importação de carros usados com volante à esquerda cresceu 40%, chegando às 11 mil unidades. Aqui, a preferência por motores moderados é ainda mais nítida: 90,5% dos veículos importados nesta categoria têm até 160 cv.
No ranking de modelos, a Toyota Corolla surge à frente com 5,5%, seguida por Audi A3 e Audi A5. Entre os dez mais procurados entram também quatro modelos Volkswagen - Tharu, Golf, Tayron e T-Roc - além de Hyundai Elantra, BMW X1 e Honda Vezel.
Volante à direita do Japão: procura estável e quase sem versões potentes
Os automóveis com volante à direita importados do Japão mantêm uma procura consistente, mas as variantes mais potentes praticamente desapareceram deste fluxo: a fatia de carros com mais de 160 cv ficou abaixo de 1%.
Entre os modelos em evidência, destaca-se o Suzuki Jimny, que representa cerca de 5% deste tipo de importação.
O que estes números sugerem para o mercado
Os dados indicam que, mesmo com o aumento da taxa de reciclagem e o encarecimento da logística, os particulares estão a intensificar a importação e a ajustar-se rapidamente às novas regras, escolhendo modelos que fazem mais sentido dentro da actual estrutura de custos.
Este comportamento tende a influenciar o mercado interno: quando a importação privada cresce, aumenta a concorrência em determinados segmentos (especialmente SUV médios e compactos), pressionando preços e disponibilidade, e levando compradores a comparar com mais atenção o custo final “à porta” - incluindo taxas, transporte e burocracia - em vez de olhar apenas para o preço do veículo no país de origem.
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