Enquanto prosseguem as operações norte-americanas e israelitas no espaço aéreo do Irão, o Comando Central dos EUA (CENTCOM) divulgou nas suas redes sociais um conjunto de infografias com os meios utilizados nos primeiros 10 dias da chamada Operação Epic Fury. Entre os activos destacados surge o veterano U-2 Dragon Lady, uma aeronave de vigilância a grande altitude que conta já com mais de 70 anos de serviço.
Em termos práticos, estes parecem ser alguns dos mais recentes destacamentos de uma plataforma considerada envelhecida, empregue para apoiar diferentes vagas de ataques aéreos dirigidos contra o regime teocrático. Segundo a informação disponibilizada até ao momento, essas acções já terão reduzido de forma significativa as capacidades militares do país.
U-2 Dragon Lady na Operação Epic Fury: participação confirmada e sinais de emprego mais recente
Embora não tenha sido indicado em que missões concretas participou, importa notar que os U-2 Dragon Lady não constavam da lista publicada dias antes, na qual se detalhavam os meios mobilizados durante os primeiros 7 dias de operações. Este pormenor permite inferir que a sua utilização terá sido mais recente, e não necessariamente desde o início do conflito.
O que também sobressai nos dados já tornados públicos é a dimensão das acções: são referidos mais de 5.000 ataques executados com sucesso, incluindo, entre outros efeitos, danos e afundamentos de cerca de 50 navios de guerra da Marinha do Irão.
Alvos neutralizados segundo o CENTCOM
Ao aprofundar os números e o tipo de alvos atingidos, o CENTCOM afirma que, ao longo destes dias, foi neutralizada uma ampla gama de objectivos iranianos, abrangendo vários tipos de instalações, sistemas de defesa aérea e plataformas de combate.
Num resumo do que é mencionado, incluem-se:
- Postos de comando, quartéis e locais de recolha/análise de informações da Guarda Revolucionária
- Instalações de armazenamento de mísseis balísticos e drones
- Unidades industriais associadas à produção desses sistemas
- Embarcações de diferentes tipologias
- Infra-estruturas e instalações de comunicações
- Outros elementos militares e de apoio operacional
Porque continua o U-2 Dragon Lady a ser relevante em operações modernas
Apesar da idade, o U-2 Dragon Lady mantém vantagens operacionais que ajudam a explicar a sua presença em cenários de elevada intensidade. A capacidade de operar a grande altitude, combinada com sensores de vigilância e recolha de informações, permite produzir consciência situacional persistente e apoiar a selecção, confirmação e avaliação de alvos (incluindo a verificação de danos pós-ataque), reduzindo incerteza para aeronaves de ataque e meios de longo alcance.
Numa campanha aérea complexa, a integração de informação de múltiplas fontes é determinante. Plataformas como o U-2 podem contribuir para alimentar cadeias de comando e controlo com dados actualizados, facilitando a coordenação entre meios distintos e a priorização de alvos em função da evolução táctica.
Retirada planeada pela USAF, modernizações e incerteza a médio prazo
A confirmação do seu emprego na Operação Epic Fury surge num momento em que a Força Aérea dos EUA (USAF) vem há anos a preparar a retirada dos U-2 Dragon Lady. De acordo com notícias de órgãos especializados norte-americanos, desde 2024 que se apontava para uma decisão de desinvestimento na plataforma. A perspectiva então avançada era a de que o processo de retirada se iniciasse em 2025 e pudesse ficar concluído em 2026, ainda que com a possibilidade de um número muito reduzido de aeronaves vir a ser transferido para a NASA para projectos próprios de investigação.
Esse cenário não seria inédito, tendo em conta casos recentes como o de caças F-15D abatidos ao serviço na USAF e posteriormente transferidos para a referida instituição durante o mês de Janeiro.
Ao longo de mais de 70 anos de serviço, os U-2 Dragon Lady passaram por diversos programas de modernização para se manterem adequados às exigências contemporâneas, destacando-se, entre outras melhorias, a actualização de equipamentos críticos como os seus radares em 2022. Ainda assim, os planos de reestruturação da USAF - com cortes orçamentais e novas prioridades orientadas para o futuro - colocam pressão adicional sobre a continuidade da aeronave no médio prazo.
Sistemas não tripulados, RQ-4 Global Hawk e RQ-180 como alternativas
A somar a esse contexto, o aparecimento e a maturação de sistemas não tripulados nos últimos anos aceleraram o declínio da plataforma, por serem considerados activos menos dispendiosos de operar e, sobretudo, por reduzirem o risco humano ao dispensarem pilotos sobre áreas de elevado perigo.
Uma das soluções que, em tempos, se esperava que viesse a substituir os U-2 Dragon Lady era o RQ-4 Global Hawk, que, no entanto, também passou a figurar nos planos de reestruturação elaborados pela USAF. Como alternativa mais recente e tecnologicamente avançada, é referido o RQ-180, desenvolvido pela Northrop Grumman, que poderia assumir parcialmente o papel desempenhado pelos referidos aviões espiões.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
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