Após várias semanas de tensão acumulada, as Forças Armadas dos Estados Unidos e de Israel desencadearam uma vaga de ataques maciços contra alvos em território iraniano. As acções militares começaram nas primeiras horas de hoje, 28 de fevereiro, e foram anunciadas publicamente pelo Presidente Donald Trump e pelo Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu. Washington baptizou a ofensiva como Operação Fúria Épica, enquanto o Governo israelita lhe chama Operação Leão Rugidor.
Antecedentes: do “Leão Ascendente” ao “Martelo da Meia-Noite”
O episódio mais próximo desta nova escalada remonta a junho de 2025, quando Israel conduziu ataques no âmbito da Operação “Leão Ascendente”, com o objectivo de desmantelar o Programa Nuclear do Irão através de uma campanha aérea de grande envergadura.
Depois disso, os Estados Unidos avançaram com a Operação Martelo da Meia-Noite, na qual bombardeiros furtivos B-2 efectuaram ataques contra instalações subterrâneas em Fordow, Natanz e Isfahan ligadas ao programa nuclear iraniano, recorrendo a munições GBU-57 Penetrador de Munições Massivas (MOP).
Desde então, o panorama interno iraniano manteve-se agitado em múltiplas frentes, expondo divisões no seio do regime islâmico. Em paralelo com negociações em curso com os Estados Unidos para uma redução drástica do seu programa nuclear, a situação doméstica degenerou em protestos que foram reprimidos com brutalidade.
Reforço militar norte-americano no Médio Oriente
Entretanto, entre o final do ano passado e o início deste ano, a administração republicana liderada por Donald Trump começou a reforçar a presença militar no Médio Oriente. Um dos sinais mais visíveis foi a chegada à região do Grupo de Ataque de Porta-Aviões centrado no porta-aviões de propulsão nuclear USS Abraham Lincoln, a par de notícias sobre o destacamento de caças furtivos, bombardeiros e aeronaves de apoio.
Mais recentemente, após iniciar a sua recolocação a partir das Caraíbas - já depois de ter participado, no início deste ano, em ataques contra a Venezuela - foi confirmado ontem que o porta-aviões de propulsão nuclear USS Gerald R. Ford, apresentado como o navio mais avançado da frota de superfície dos EUA, chegou ao largo da costa de Israel. Este posicionamento foi interpretado como a última peça antes do arranque formal da Operação Fúria Épica.
Anúncio de Donald Trump e declarações de Benjamin Netanyahu
O início das acções militares - dirigidas a várias infra-estruturas militares e políticas associadas ao regime iraniano - foi comunicado por Donald Trump através de uma mensagem gravada.
No discurso, o presidente definiu como meta política desta nova vaga de ataques a eliminação total do programa nuclear iraniano, bem como de qualquer capacidade que o sustente. Trump também afirmou não excluir a possibilidade de apoiar uma mudança de regime, com o propósito declarado de pôr fim a 47 anos de governação pelos aiatolas.
A este respeito, Trump afirmou: “As Forças Armadas dos EUA iniciaram grandes operações de combate no Irão”, com o objectivo de “…defender o povo americano, eliminando ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo vicioso de pessoas muito duras, terríveis.”
Por sua vez, Benjamin Netanyahu declarou no seu pronunciamento oficial: “Israel e os Estados Unidos avançaram com uma operação para remover a ameaça existencial colocada pelo regime terrorista no Irão.”
Acrescentou ainda: “A nossa acção conjunta criará as condições para que o corajoso povo iraniano tome o seu destino nas próprias mãos. Chegou o momento de todos os segmentos do povo iraniano - os persas, os curdos, os azeris, os balúchis e os ahwazis - sacudirem o jugo da tirania e fazerem nascer um Irão livre e pacífico.”
Últimas informações: retaliação iraniana e ataques em várias cidades
Enquanto a campanha aérea prossegue, as Forças Armadas da República Islâmica do Irão - amplamente ultrapassadas em termos numéricos e tecnológicos - começaram a efectuar ataques de retaliação com diversos tipos de mísseis balísticos contra alvos e instalações militares dos EUA e de aliados na região.
Segundo relatos, foram atingidos a Actividade de Apoio Naval do Barém (quartel-general da 5.ª Esquadra dos EUA), a Base Aérea de Ali Al Salem no Kuwait, a Base Aérea de Al Udeid no Catar, bem como alvos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos.
Em paralelo, forças norte-americanas e israelitas terão atacado alvos em Teerão, incluindo um golpe dirigido à residência do Líder Supremo Ali Khamenei, cujo paradeiro actual permanece desconhecido. Também foram referidos ataques nas cidades de Isfahan, Qom, Karaj, Kermanshah e Tabriz.
Impacto regional imediato: bases, rotas e risco de alastramento
Uma intensificação deste tipo tende a produzir efeitos quase imediatos na região, nomeadamente na postura de alerta de bases militares, na gestão do espaço aéreo e na segurança de infra-estruturas críticas. Com alvos distribuídos por vários países do Golfo e em território iraniano, cresce igualmente o risco de incidentes secundários e de alargamento do confronto por via de respostas adicionais ou erros de cálculo.
Em termos políticos, a continuidade das operações e a selecção de alvos podem influenciar tanto a margem para negociações como a dinâmica interna no Irão, onde a contestação e a repressão já vinham a marcar o ambiente doméstico.
Notícia em desenvolvimento.
Imagem de capa utilizada apenas para fins ilustrativos.
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