A Rolls-Royce anunciou, na terça-feira, 24 de fevereiro, que o novo motor F-130 - destinado a equipar os bombardeiros B-52J modernizados da Força Aérea dos EUA - concluiu com êxito uma nova campanha de testes em altitude no Arnold Engineering Development Complex (AEDC), no Tennessee. De acordo com as comunicações oficiais, os ensaios comprovaram a capacidade do motor para manter um desempenho consistente durante operações estratégicas de longa duração e confirmaram a sua fiabilidade sob condições de elevada exigência, semelhantes às encontradas em cenários operacionais reais.
Motor Rolls-Royce F-130: desempenho sustentado e robustez comprovada no AEDC
Ao comentar este marco, Jennifer Schwerin, Directora de Programas de Início de Ciclo de Vida e Defesa Naval, afirmou:
“Temos orgulho em atingir mais um marco no nosso programa de testes do motor F-130, dentro do prazo e do orçamento, para a Força Aérea dos EUA. Em estreita colaboração com os nossos parceiros na Boeing e na Força Aérea dos EUA, a nossa equipa demonstrou a capacidade do F-130 para cumprir os requisitos da missão e reforçou ainda mais a confiança de que este motor é a escolha certa para o B-52J.”
A realização de testes em altitude no AEDC é particularmente relevante porque permite reproduzir, em ambiente controlado, condições de pressão e temperatura associadas ao voo em diferentes perfis operacionais. Estes ensaios contribuem para validar o comportamento do motor em regimes exigentes, apoiando a previsão de desempenho e a confirmação de margens de operação essenciais para missões estratégicas prolongadas.
Validações anteriores: CDR, configuração twin-pod e software em Indianapolis
Importa recordar que o F-130 já tinha concluído uma fase anterior de testes e avaliações depois de, no final de 2024, ter ultrapassado a Critical Design Review (CDR), etapa que autorizou a construção de motores destinados a ensaios em voo. Nesse enquadramento, a Rolls-Royce realizou testes recorrendo à configuração twin-pod prevista para a integração nos bombardeiros, no NASA Stennis Space Center.
Em paralelo, a empresa avançou com os primeiros ensaios do novo software do motor nas suas instalações em Indianapolis, recolhendo dados considerados críticos para apoiar a futura integração do sistema numa plataforma que continua a ser um pilar das capacidades norte-americanas de ataque de longo alcance.
Foco na manutenção: menos carga logística e substituição mais simples de motores
Entre os pontos-chave destacados pela Rolls-Royce, surge o facto de o F-130 ter sido concebido de raiz para reduzir o esforço de manutenção, o que se traduz em custos mais baixos e em menos desafios logísticos quando o B-52J é destacado. Em concreto, a nova configuração twin-pod deverá facilitar a substituição de motores por parte dos técnicos, quando necessário, em comparação com o desenho actualmente em serviço.
Esta orientação para a manutenibilidade tende também a beneficiar a disponibilidade da frota: ciclos de manutenção mais previsíveis e intervenções potencialmente mais rápidas podem reduzir tempos de imobilização, um factor particularmente importante em aeronaves com missões estratégicas e calendários operacionais exigentes.
Modernização do B-52J: radar AESA APQ-188, arrefecimento líquido e novos ecrãs
A integração de novos motores é apenas uma componente do programa alargado de modernização dos bombardeiros estratégicos B-52J da Força Aérea dos EUA. A aeronave irá igualmente receber o novo radar AESA APQ-188, um sistema de arrefecimento líquido mais eficiente e novos ecrãs tácteis de alta definição de 8×20 polegadas, associados ao pacote de aviónica actualizado.
Em Dezembro passado, a Força Aérea recebeu a sua primeira aeronave equipada com estes sistemas para testes na Edwards Air Force Base, na Califórnia.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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