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A Força Aérea Portuguesa iniciou operações com os novos A-29N Super Tucano após concluir o treino dos pilotos no Brasil.

Avião militar de treino da Força Aérea Portuguesa em pista com edifícios e pessoas ao fundo.

A Força Aérea Portuguesa (FAP) deu mais um passo decisivo na entrada em serviço do A-29N Super Tucano: depois de concluída a formação dos seus pilotos no Brasil, arrancaram em Portugal os primeiros voos com tripulações da própria FAP. Os seis aviadores do Esquadrão 101 “Roncos”, já com a componente teórica concluída, iniciaram agora a fase prática, assinalando a estreia do A-29N sob comando directo de militares portugueses. As actividades decorrem a partir da Base Aérea n.º 11, em Beja, consolidando a integração do novo sistema aéreo na estrutura operacional da Força Aérea.

Primeiros voos em Beja com tripulações da FAP no A-29N Super Tucano

O arranque da fase de voo aconteceu na terça-feira, 24 de Fevereiro, e contou com a presença do Chefe-Adjunto do Estado-Maior da Força Aérea, major-general João Gonçalves, que sublinhou o significado simbólico deste momento para a instituição. Este marco chega cerca de dois meses após a incorporação oficial das primeiras cinco aeronaves A-29N, entregues entre Agosto e Novembro de 2025 e apresentadas formalmente em Dezembro, nas instalações da OGMA, em Alverca do Ribatejo.

Um programa central na modernização da aviação de combate portuguesa

Na cerimónia de apresentação, o Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea, general João Cartaxo Alves, destacaram o programa como um eixo estruturante da modernização da aviação de combate em Portugal. Desenvolvido pela Embraer de acordo com padrões OTAN, o A-29N não se destina apenas ao treino avançado de pilotos: está igualmente vocacionado para apoio aéreo próximo, missões de combate antidrones e exercícios combinados com forças terrestres, oferecendo à FAP uma versatilidade táctica particularmente relevante.

A adopção de uma configuração alinhada com requisitos OTAN reforça, além disso, a capacidade de interoperabilidade com aliados, permitindo enquadrar o A-29N em cenários de treino e de operações conjuntas onde procedimentos, comunicações e modos de emprego têm de ser compatíveis com padrões multinacionais.

Contrato de 12 aeronaves e chegada transatlântica das primeiras unidades

O contrato, assinado em Dezembro de 2024, prevê um total de doze aeronaves Super Tucano, tornando Portugal o primeiro operador europeu do modelo e o primeiro no mundo a receber a nova configuração orientada para países da OTAN, designada A-29N.

As primeiras cinco unidades chegaram do Brasil após um voo transatlântico com escalas em Recife, Fernando de Noronha, Cabo Verde e Ilhas Canárias, numa travessia que também evidenciou a capacidade de projecção e a robustez logística associada ao processo de entrega.

Impacto industrial: produção e manutenção em Beja com Embraer e OGMA

Segundo as autoridades portuguesas, o programa A-29N vai além do reforço de instrução e combate da Força Aérea, funcionando igualmente como catalisador do desenvolvimento industrial nacional. Em paralelo com a entrega dos primeiros exemplares, foi assinada uma carta de intenção para a instalação de uma unidade de produção e manutenção em Beja, num projecto conjunto entre a Embraer e a OGMA.

O objectivo passa por posicionar Portugal como polo regional de fabrico de aeronaves de ataque ligeiro para o mercado europeu, criando condições para uma cadeia de suporte mais próxima do utilizador e para a consolidação de competências técnicas associadas à manutenção e ao ciclo de vida das plataformas.

Esquadrão 101 “Roncos” no centro da conversão operacional

Com o início dos voos em Beja, o Esquadrão 101 “Roncos” assume um papel determinante na conversão operacional e na futura formação de novos pilotos. Com eficiência já comprovada e tecnologia avançada, o A-29N Super Tucano afirma-se como peça-chave na renovação das capacidades tácticas portuguesas, articulando treino, apoio aéreo e defesa num sistema de armas ajustado às exigências do século XXI.

Créditos das imagens: Força Aérea Portuguesa.

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