Como parte do reforço gradual do dispositivo militar dos Estados Unidos no Médio Oriente, um total de onze caças furtivos F-22 Raptor da Força Aérea dos EUA (USAF) chegou à Base Aérea de Ovda, no deserto do Negueve, em Israel. As aeronaves tinham descolado anteriormente da base RAF Lakenheath, no Reino Unido, onde efectuaram uma escala técnica antes de prosseguirem o destacamento para a região.
Movimento associado à escalada regional e ao Irão
A entrada em Ovda ocorre num momento de tensão crescente em torno do programa nuclear iraniano e do endurecimento da postura norte-americana no teatro regional. Nas últimas semanas, Washington intensificou a presença de meios navais e aéreos na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (USCENTCOM), incluindo o destacamento em simultâneo dos Grupos de Ataque dos porta-aviões USS Gerald R. Ford (CVN-78) e USS Abraham Lincoln (CVN-72), bem como o reforço de bases no Golfo e no Mediterrâneo oriental com um leque diversificado de aeronaves.
De acordo com o que foi noticiado pelo Cenário Mundial, já foram contabilizados mais de 160 voos militares para a Europa e para o Médio Oriente desde o início do mês de Fevereiro, no âmbito da campanha norte-americana. Estes movimentos aéreos são os mais significativos desde a Guerra do Golfo de 1991 e incluem, entre outros, caças F-35A *Lightning II, *F-15E Strike Eagle** e F-16 *Fighting Falcon, além de aeronaves de transporte e de reabastecimento em voo, como os *KC-135** e os KC-46 *Pegasus*.
Entre estes reforços, a chegada dos F-22 destaca-se como um dos passos mais relevantes do actual dispositivo dos EUA na Europa e no Médio Oriente, por introduzir um salto qualitativo no esquema de dissuasão que Washington procura usar para pressionar o Irão. Concebido para superioridade aérea, penetração em ambientes fortemente defendidos e operações em cenários com sistemas antiaéreos avançados, o Raptor é considerado um dos activos mais sensíveis do inventário norte-americano.
Segundo informação divulgada por fontes abertas, uma décima segunda aeronave terá sido obrigada a regressar a Lakenheath pouco depois da descolagem, devido a uma alegada perda de combustível, estando previsto que complete a transferência nos próximos dias.
F-22 Raptor e a dissuasão: porquê Ovda?
A selecção de Ovda, no sul de Israel, pode ser lida como uma opção com vantagens práticas: a base oferece condições para apoiar missões tanto sobre o Mediterrâneo oriental como em direcção ao Golfo Pérsico, permitindo flexibilidade de rotas, tempos de resposta e integração com corredores aéreos usados por aeronaves de apoio.
Além disso, operações com aeronaves furtivas tendem a exigir procedimentos apertados de segurança, manutenção e planeamento de missão. A existência de infra-estruturas adequadas para apoiar a rotação de equipas, a protecção de aeronaves e a coordenação com plataformas de reabastecimento em voo pode influenciar a escolha de pontos de passagem ou de destacamento.
Destacamento permanente ou trânsito operacional?
Apesar de os aparelhos terem aterrado em Ovda, não está confirmado se irão permanecer a operar a partir de Israel ou se a base funcionará como ponto intermédio antes de uma redistribuição para outras instalações no Médio Oriente. Em destacamentos anteriores, os Estados Unidos recorreram a múltiplas localizações - incluindo bases no Qatar, nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita - para sustentar operações aéreas na região.
Para vários analistas, Ovda combina vantagens logísticas e geográficas para apoiar acções em dois eixos (Mediterrâneo oriental e Golfo Pérsico). Ainda assim, há quem considere que a permanência de caças furtivos F-22 *Raptor* em território israelita acrescentaria um sinal político adicional no quadro da actual conjuntura regional, reforçando a mensagem de prontidão e de capacidade de resposta rápida associada ao reforço norte-americano.
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