A Presidência da Ucrânia comunicou que o país já destacou cerca de 200 especialistas ucranianos para o Médio Oriente com o objectivo de apoiar as Forças Armadas dos EUA na defesa contra os drones Shahed de origem iraniana. A decisão surge no âmbito de uma cooperação pedida por Washington a Kiev, tendo em conta a evolução do conflito regional e a intensificação de ameaças com sistemas aéreos não tripulados.
O anúncio foi confirmado pelo Presidente ucraniano, Volodímir Zelenski, que relacionou esta missão com a experiência que a Ucrânia acumulou ao longo da guerra na neutralização deste tipo de drones, amplamente utilizados pela Rússia de forma recorrente.
Volodímir Zelenski, drones Shahed e a cooperação com os EUA no Médio Oriente e no Golfo
Durante uma intervenção no Parlamento do Reino Unido, em Londres, Zelenski afirmou que a Ucrânia já enviou peritos militares para o Médio Oriente e para a região do Golfo, com tarefas directamente ligadas à protecção contra drones iranianos Shahed. Segundo o chefe de Estado, há neste momento 201 ucranianos no terreno e mais 34 especialistas prontos a ser mobilizados caso venha a ser necessário.
Zelenski explicou que o destacamento foi feito a pedido de parceiros internacionais, incluindo os Estados Unidos, e enquadrou-o num entendimento mais amplo sobre sistemas não tripulados:
“Enviei estes peritos militares a pedido dos nossos parceiros, incluindo os EUA. Na verdade, isto faz parte do acordo sobre drones que propusemos aos Estados Unidos, no qual trabalhamos em conjunto e que continua em cima da mesa.”
O Presidente ucraniano acrescentou ainda que Kiev está disponível para construir entendimentos semelhantes com outros parceiros que considere fiáveis, tanto em cooperação prática na área de drones como em futuras alianças de defesa.
Contexto regional e reacção dos EUA
Esta assistência ucraniana decorre num momento marcado por novos ataques iranianos contra bases localizadas em países aliados dos EUA na região. De acordo com relatos de meios de comunicação norte-americanos citados no contexto desta informação, essa escalada terá contribuído para o pedido de apoio dirigido a Kiev.
Questionado sobre a possibilidade de receber ajuda de países aliados para enfrentar os drones utilizados pelo Irão, o Presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou:
“Certamente aceitarei, sabem, qualquer ajuda de qualquer país.”
Confirmação na rede social X e instruções para garantir meios e presença
Zelenski já tinha sinalizado previamente, na rede social X, que responderia de forma favorável ao pedido norte-americano e que tinha dado orientações para disponibilizar os recursos necessários, assegurando também a presença de especialistas ucranianos capazes de sustentar o nível de segurança exigido:
“Recebemos um pedido dos EUA de apoio específico na protecção contra os ‘Shahed’ na região do Médio Oriente. Dei instruções para disponibilizar os meios necessários e assegurar a presença de especialistas ucranianos que possam garantir a segurança requerida.”
Drones, inteligência artificial e a “nova etapa” do campo de batalha
Na mesma linha, o Presidente ucraniano defendeu que o mundo entrou numa fase em que drones e inteligência artificial têm impacto directo nos resultados em combate. Sublinhou que a Ucrânia adquiriu experiência concreta na neutralização de drones Shahed, incluindo variantes que, segundo afirmou, foram modernizadas pela Rússia e que actualmente representam um perigo acrescido devido ao seu uso sistemático em ataques aéreos.
Interceptores como solução mais económica: 2 a 3 por alvo e menos de 10.000 dólares
Zelenski sustentou que a forma mais eficiente de contrariar os Shahed passa pela utilização de drones interceptores, por ser uma alternativa de menor custo quando comparada com o emprego de aviões de combate ou mísseis que custam vários milhões.
“Na Ucrânia, paramos um desses drones com dois ou três interceptores - pequenos interceptores - que custam menos de 10.000 dólares no total. Por isso, a nossa abordagem é muito mais rentável do que qualquer coisa que os nossos parceiros utilizem hoje.”
P1-SUN, projectos com parceiros e o papel das posições terrestres
Na sua exposição, Zelenski apresentou o drone interceptor P1-SUN e chamou a atenção para iniciativas desenvolvidas com parceiros internacionais, incluindo o Reino Unido. Entre os exemplos citados, destacou um projecto conjunto:
“Fico satisfeito por termos um projecto conjunto com o Reino Unido: os drones Octopus. Esta é uma decisão bem-sucedida.”
O Presidente ucraniano acrescentou que a eficácia das intercepções não depende apenas do interceptor em si: é também determinante garantir um posicionamento adequado de pontos terrestres, de modo a cobrir o maior número possível de rotas de voo utilizadas pelos drones.
Potencial para novos acordos: produção, transferência de tecnologia e defesa anti-drone
Para além do envio de especialistas para o Médio Oriente, Kiev deixou implícito que esta cooperação pode abrir caminho a novos acordos envolvendo produção, transferência tecnológica e assistência em defesa anti-drone. Embora não tenham sido oficialmente detalhados os meios exactos comprometidos pela Ucrânia, o país dispõe de pessoal especializado, experiência operacional e desenvolvimentos próprios em interceptores de baixo custo, factores que o colocam numa posição relevante para apoiar as Forças Armadas dos EUA contra drones Shahed iranianos.
Paralelamente, este tipo de destacamento tende a exigir coordenação adicional em áreas que nem sempre são visíveis no anúncio público, como a integração com cadeias de comando locais, a partilha de procedimentos de identificação e intercepção, e a adaptação a diferentes condições de terreno e de espaço aéreo. Em termos práticos, a eficácia depende tanto do equipamento como da harmonização de protocolos e de comunicações em tempo real.
Há ainda uma dimensão estratégica: a cooperação em defesa anti-drone pode acelerar a padronização de soluções e a interoperabilidade entre parceiros, influenciando futuras aquisições e decisões de investimento. Para a Ucrânia, além do contributo operacional, este tipo de colaboração pode reforçar a sua posição como fornecedor de know-how num domínio em rápida evolução.
Imagens meramente ilustrativas.
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