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Programa de fragatas F126: Rheinmetall pode assumir como contratante principal para evitar novo arrastamento - e um eventual cancelamento

Homem com capacete de segurança observa e controla navio militar grande a partir de um cais com plantas e ecrã digital.

Num contexto particularmente exigente, marcado por atrasos sucessivos e vários constrangimentos, o programa alemão das fragatas F126 (classe Niedersachsen) poderá passar a ser liderado pela recém-criada divisão naval da Rheinmetall, na qualidade de contratante principal, com o objectivo de encurtar prazos e reduzir o risco de o projecto vir a ser interrompido a curto prazo. Esta hipótese surge mais de seis meses depois de a Comissão da Defesa do Bundestag (parlamento alemão) ter defendido a interrupção da construção da chamada classe Niedersachsen, sustentando que o estaleiro neerlandês Damen não conseguiria cumprir as condições acordadas - cenário que, a concretizar-se, facilitaria a abertura de um novo processo para aquisição de navios alternativos.

Rheinmetall e o programa F126 (classe Niedersachsen): promessa de acelerar produção e aceitação

Em resposta a questões colocadas por meios de comunicação especializados na Alemanha, um porta-voz da divisão naval da Rheinmetall afirmou que a empresa pretende acelerar de forma adicional o processo de fabrico e, em conjunto com o cliente, simplificar de forma significativa os procedimentos de aceitação, garantindo em simultâneo a plena capacidade operacional das futuras fragatas.

Mais adiante, a mesma fonte indicou que a empresa está a analisar as opções mais adequadas disponíveis, sublinhando que os dados foram transferidos correctamente (a partir da Damen) e que já está em curso uma aceleração da rampa de produção nos estaleiros.

Problemas de software na Damen e impacto no calendário das fragatas F126

Importa recordar que a Damen enfrentou dificuldades relevantes com o seu software de concepção, o que afectou de forma directa a definição das características do navio e a transmissão dessa informação aos parceiros industriais alemães. De acordo com estimativas de analistas locais, estas limitações contribuíram para empurrar o programa por vários anos.

O porta-voz da Rheinmetall admitiu ainda que poderá ser necessário trabalho adicional de desenho e engenharia antes de se avançar para a construção de um protótipo. Se essa etapa for concluída dentro do previsto, o objectivo actualmente apontado passa por iniciar o período de testes em 2028. Mantendo-se este roteiro, a primeira entrega ocorreria no início da próxima década.

Contrato ainda não formalizado: avaliação em curso e decisões nos próximos meses (BAAINBw e Rheinmetall)

Até ao momento, Berlim não atribuiu um contrato formal à Rheinmetall para fazer avançar o programa, e a empresa encontra-se numa fase alargada de avaliação do estado actual do projecto e da sua própria capacidade para o concluir.

Nesse sentido, o director executivo da Rheinmetall, Armin Papperger, referiu numa chamada por vídeo com vários especialistas alemães que uma decisão final poderá ser tomada no máximo dentro de dois meses. Em linha com esta perspectiva, o Gabinete Federal de Equipamento, Tecnologias de Informação e Apoio em Serviço da Bundeswehr (BAAINBw) indicou uma trajectória semelhante, apontando que a fase de avaliação deverá ficar concluída no próximo mês de Abril.

O que está em causa para a Marinha Alemã e para a indústria

Uma eventual mudança do contratante principal para a Rheinmetall não é apenas uma decisão de calendário: pode implicar alterações na governação do programa, na coordenação da cadeia de fornecimento e na gestão de risco técnico. Para a Marinha Alemã, o factor tempo tem impacto directo na disponibilidade de meios e na capacidade de cumprir compromissos operacionais, sobretudo enquanto plataformas mais antigas se aproximam do limite de vida útil.

Do ponto de vista industrial, a solução escolhida poderá influenciar a distribuição de trabalho entre estaleiros e empresas de sistemas, bem como o grau de autonomia da Alemanha em matérias críticas (sensores, integração de combate e manutenção). Num projecto deste tipo, a robustez dos processos de aceitação e a maturidade do desenho tendem a ser determinantes para evitar retrabalho e derrapagens adicionais.

Plano de reserva em paralelo: MEKO A-200 da TKMS já em fase preliminar no Bundestag

Em paralelo com a reconfiguração do programa F126, o Bundestag já desencadeou formalmente o processo preliminar para adquirir novas fragatas MEKO A-200 ao construtor TKMS. Esta via funciona como plano alternativo concreto para o governo alemão: já estão a decorrer trabalhos preparatórios com o objectivo de ter o primeiro navio em 2029.

Segundo a informação disponível, Berlim já terá investido cerca de 50 milhões de euros nesta preparação; contudo, o contrato associado a esta fase termina no final do mês em curso. Caso a Alemanha opte por avançar para a etapa seguinte, o investimento adicional estimado rondará 240 milhões de euros, tornando-se um dos temas em apreciação na agenda do legislador alemão.

Opção Estado Meta de calendário indicada Investimento referido
Fragatas F126 (classe Niedersachsen) com envolvimento da Rheinmetall Avaliação; sem contrato formal atribuído Testes a partir de 2028; primeira entrega no início da próxima década -
Fragatas MEKO A-200 (TKMS) Processo preliminar iniciado Primeiro navio em 2029 50 milhões de euros já aplicados; +240 milhões de euros para a fase seguinte

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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