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Stellantis avalia tecnologia da Leapmotor para reduzir custos nos veículos elétricos na Europa

Quatro pessoas discutem um projeto de bateria para veículos elétricos numa sala com ecrãs digitais e modelo de carro.

Depois de um ano especialmente exigente - no qual a Stellantis registou, pela primeira vez na sua ainda curta história, prejuízos líquidos - o grupo continua a procurar medidas para baixar despesas. No capítulo dos veículos elétricos, uma das vias em cima da mesa passa por tirar partido da fabricante chinesa Leapmotor.

Cooperação Stellantis–Leapmotor pode chegar a Opel, Peugeot e FIAT

De acordo com fontes próximas do grupo, está a ser estudada a possibilidade de aplicar tecnologia de veículos elétricos da Leapmotor em várias marcas da Stellantis, incluindo a Opel, a Peugeot e a FIAT. A ideia será aproveitar soluções já desenvolvidas para encurtar prazos e conter investimentos, num contexto em que a pressão competitiva se intensificou.

Rumores anteriores e o possível Leapmotor C10 com outro emblema

Não é a primeira vez que surgem indícios de aproximação operacional entre a marca chinesa e as insígnias europeias do grupo. Já no final do ano passado se admitiu a hipótese de o Leapmotor C10 vir a ser comercializado com o logótipo de uma das marcas da Stellantis, com a Opel frequentemente apontada como candidata - embora, até ao momento, essa operação não tenha sido confirmada.

Objetivo: baixar custos e ganhar rapidez face à concorrência chinesa e europeia

O propósito central desta eventual cooperação seria diminuir os custos de desenvolvimento de elétricos e reforçar a competitividade perante marcas chinesas e europeias. A comparação tem sido desfavorável para vários construtores tradicionais: muitos veículos chineses são desenvolvidos e produzidos com maior eficiência, chegando ao mercado em ciclos mais curtos.

Além da poupança direta em engenharia, uma partilha mais ampla de plataformas e arquitetura eletrónica pode permitir lançar versões adaptadas a diferentes marcas com alterações mais rápidas ao nível de design, equipamento e calibrações, mantendo uma base técnica comum. Isto tende a facilitar uma resposta mais ágil a segmentos em crescimento, sobretudo nas gamas compactas e familiares onde a pressão de preço é maior.

Negociações ainda iniciais, com entraves regulatórios e de proteção de dados

As conversações estarão numa fase inicial e não estão isentas de obstáculos, em especial no campo regulatório e na proteção de dados. Um dos pontos sensíveis prende-se com as restrições dos EUA - o segundo maior mercado da Stellantis - relativas a veículos conectados com tecnologia chinesa ou russa a partir de 2027.

No plano europeu, uma cooperação deste tipo também exige atenção redobrada a regras de cibersegurança, gestão de dados e homologação. Mesmo quando um modelo cumpre requisitos técnicos, a forma como comunica, onde processa dados e como recebe atualizações pode condicionar a aprovação e a perceção pública, obrigando a garantias claras sobre governação de dados e controlo de componentes críticos.

Ainda assim, segundo a mesma fonte citada pela Bloomberg, as duas empresas pretendem concluir a parceria ainda este ano.

Participação de 20% e a Leapmotor International

A Stellantis detém 20% da Leapmotor e criou uma empresa conjunta denominada Leapmotor International, na qual o grupo europeu controla 51%. Esta estrutura tem direitos exclusivos para comercializar e produzir modelos da Leapmotor fora da China.

De acordo com a Stellantis, “2025 foi um ano de implementação estratégica, preparando o terreno para uma integração mais profunda”.

Um passo inédito no Ocidente: plataformas e programas informáticos chineses para a Europa

Apesar de existirem estratégias semelhantes na China - como uma nova geração de modelos da Volkswagen para o mercado chinês com base em plataformas da XPeng, ou propostas da Audi assentes em tecnologia da SAIC -, este movimento representaria a primeira vez que um construtor ocidental recorreria a uma plataforma e a programas informáticos de uma empresa chinesa para reforçar os seus modelos na Europa.

Próximas decisões e o plano a apresentar por Antonio Filosa

O diretor-executivo, Antonio Filosa, deverá explicar a linha estratégica no Dia dos Mercados de Capitais, em maio. Para já, as decisões concretas para o mercado europeu continuam em aberto.

Efeitos comerciais já visíveis nos EUA nas marcas Jeep, Ram e Dodge

Nos EUA, já se observam sinais comerciais positivos após alterações aplicadas a vários modelos das marcas Jeep, Ram e Dodge, incluindo ajustes em versões e em níveis de preços.

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