Apresentado há poucas semanas, o novo Audi RS 5 chega com um tema incontornável logo à partida: o motor - o verdadeiro “elefante na sala”. E, ao contrário do que muitos antecipavam, a Audi não seguiu a via que a AMG escolheu para o C 63, evitando reduzir o número de cilindros ou encolher a mecânica.
Em vez disso, o Audi RS 5 continua alinhado com a arquitetura que tem marcado a sua identidade: um 2.9 V6 biturbo, agora complementado por um sistema híbrido *plug-in*.
Há, portanto, eletrificação. O que não há é downsizing (redução de cilindrada). Segundo Rolf Michl, diretor-executivo da Audi Sport, em declarações à Edmunds, a hipótese de reduzir a dimensão do motor não foi considerada “nem por um único segundo”. A mensagem é clara: em Ingolstadt, manter o carácter do RS 5 esteve sempre no topo das prioridades.
O “problema” do Audi RS 5: peso acrescido com o sistema híbrido plug-in
O reverso da medalha da eletrificação surge noutro capítulo: o peso. Dependendo da carroçaria - berlina ou Avant (carrinha) -, o desportivo alemão apresenta 2355 kg e 2370 kg, respetivamente, ou seja, mais 538 kg e 550 kg (!) do que os RS 5 Sportback e RS 4 Avant.
Perante este aumento de massa, a Audi chegou a ponderar uma alternativa: lançar uma versão de híbrido convencional (sem ligar à tomada), com uma bateria mais pequena, de forma a aliviar o conjunto. No entanto, essa solução acabou por cair por terra depois das primeiras sessões de testes.
Steffen Bamberger, responsável de pesquisa e desenvolvimento da Audi, explicou que a poupança de peso obtida com um híbrido não seria suficiente para compensar a ausência de um sistema híbrido *plug-in*. Nas suas palavras, “o sistema híbrido convencional pode pesar até 150 kg, sendo bastante grande e, na minha opinião, uma autonomia de 10 km não é uma oferta realista para o cliente”.
Com o aumento de peso a revelar-se uma consequência difícil de contornar num modelo eletrificado, a Audi procurou que esse compromisso tivesse utilidade no dia a dia. Assim, o RS 5 mantém o sistema híbrido *plug-in, recorrendo a uma *bateria de 25,9 kWh, que anuncia uma **autonomia elétrica de até 87 km (WLTP).
Utilização diária e carregamentos: a lógica do plug-in no Audi RS 5
Num híbrido *plug-in*, o ganho prático passa, sobretudo, pela possibilidade de realizar trajetos urbanos e pendulares com o motor térmico a intervir menos vezes - desde que exista disciplina de carregamento. Para muitos condutores, isto traduz-se em maior conforto no uso quotidiano, com deslocações em modo elétrico e uma gestão mais flexível do consumo, sem abdicar do desempenho quando se exige.
Ainda assim, é importante enquadrar a autonomia elétrica (WLTP) como um valor de homologação: em condições reais, fatores como temperatura, estilo de condução, tipo de percurso e carga transportada podem influenciar de forma significativa os resultados. A vantagem do plug-in é precisamente permitir ao utilizador tirar partido do sistema quando o contexto é favorável - e aceitar o “custo” do peso quando se procura a vertente mais desportiva.
Dados já conhecidos
- Motor: 2.9 V6 biturbo
- Eletrificação: sistema híbrido *plug-in*
- Peso (berlina): 2355 kg (+538 kg face ao RS 5 Sportback)
- Peso (Avant/carrinha): 2370 kg (+550 kg face ao RS 4 Avant)
- Bateria: 25,9 kWh
- Autonomia elétrica: até 87 km (WLTP)
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