A Leapmotor e a Stellantis - grupo que detém uma participação no construtor chinês - perseguem há muito um objetivo claro desde a introdução das tarifas europeias sobre elétricos produzidos na China: produzir em solo europeu.
Depois de uma primeira abordagem na Polónia, pensada para o T03 e entretanto colocada de lado, a estratégia está agora a concentrar-se em força em Espanha. De acordo com o que a própria marca chinesa comunicou no início desta semana, o projeto está perto de avançar: as conversações decorrem em “estado avançado” e o arranque da produção deverá acontecer já em outubro deste ano.
Produção em Espanha do Leapmotor B10: fábrica ainda por confirmar
Apesar de ainda não estar decidido qual das três unidades espanholas da Stellantis - Zaragoza, Madrid ou Vigo - irá receber a linha de montagem, o modelo destinado a inaugurar esta fase já está definido. O escolhido é o Leapmotor B10, um SUV elétrico pensado para disputar o mercado com propostas relevantes como o Skoda Elroq e o Kia EV3.
A decisão de apostar num SUV nesta ofensiva é coerente com a preferência atual do mercado europeu: este tipo de carroçaria continua a liderar a procura, tanto por famílias como por frotas, o que ajuda a justificar o investimento industrial e a acelerar a escala de produção.
O “passaporte europeu”
O B10 já é vendido na Europa, com preços em Portugal a partir de 29 285 euros. No entanto, por ser importado a partir da China, fica sujeito a tarifas comerciais de 20,7%, que se somam aos 10% já existentes, aplicadas pela União Europeia com o objetivo de travar a expansão de marcas chinesas no continente.
Ao avançar com a produção em Espanha, a Leapmotor passa a beneficiar de um verdadeiro “passaporte europeu”, reduzindo o impacto destas tarifas protecionistas. Li Tengfei, diretor financeiro da marca, enquadrou esta mudança como uma resposta à conjuntura internacional: perante as alterações geopolíticas e numa ótica estratégica, a localização passa a ser o caminho inevitável para a expansão global das empresas chinesas, reforçando ainda a ideia de que fabricar onde se vende se transformou numa questão de sobrevivência.
Para os consumidores europeus - incluindo em Portugal - a produção local tende também a traduzir-se em maior previsibilidade de entregas e numa cadeia logística menos exposta a ruturas, algo particularmente relevante num segmento em que prazos e custos de transporte podem influenciar a competitividade final.
Leapmotor International e o interesse estratégico da Stellantis
Este passo resulta diretamente da Leapmotor International, a empresa conjunta formalizada no final de 2023, na qual a Stellantis detém 51% e assegura direitos exclusivos de produção e distribuição da Leapmotor fora da China.
Para a Stellantis, o ganho é duplo. Por um lado, melhora a utilização da capacidade instalada nas fábricas ibéricas; por outro, no plano comercial, reforça os seus argumentos para enfrentar a concorrência direta - tanto de outras marcas chinesas como de fabricantes europeus - no mercado europeu.
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