O bilionário partilhou a sua experiência e alguns erros cometidos no recrutamento.
Contratar a pessoa certa nem sempre é simples. As entrevistas podem ser enganadoras: há candidatos muito eloquentes que causam excelente impressão e, no entanto, acabam por ter um desempenho fraco no dia a dia. Também acontece o contrário. Algumas pessoas chegam à entrevista nervosas, sentem-na como uma prova desconfortável - por vezes até humilhante - e, ainda assim, seriam contratações excelentes quando avaliadas no contexto certo.
Elon Musk e o recrutamento: não se fiar no CV
Elon Musk admitiu que, enquanto empregador, já se enganou. Fê-lo numa conversa em podcast com John Collison, cofundador da Stripe, e com Dwarkesh Patel, especialista em tecnologia, ao recordar decisões tomadas no passado:
Eu também caí nessa armadilha, nessa ideia de que bastava contratar alguém vindo da Google ou da Apple para que tivesse sucesso imediatamente.
Não se fiar no CV: a conversa pesa mais do que o currículo
Na visão do empresário, o currículo por si só não chega para identificar competências reais. A forma como a pessoa pensa e comunica durante a conversa é um indicador mais fiável:
Em geral, o que eu digo às pessoas (e que, suponho, também digo a mim próprio) é para não olharem para o CV. Confiem na troca de ideias. Um CV pode parecer impressionante e pensamos: “Uau, está muito bem feito!” Mas se a conversa, ao fim de 20 minutos, não for convincente, é na conversa que se deve confiar, não no CV.
Musk acrescenta que, para além de talento e motivação, há traços de carácter que pesam - e que ele próprio diz ter subestimado:
Acho que faz sentido contratar pessoas talentosas, motivadas e dignas de confiança. E acho que a bondade é importante. Houve uma altura em que a subestimei. Portanto, é uma boa pessoa? É digna de confiança? É inteligente, talentosa e trabalhadora? Se sim, então pode-se acrescentar conhecimento na área.
No seu estilo habitual, directo e pouco dado a sentimentalismos, remata com uma regra simples de avaliação:
Se alguém é eficaz, eu gosto; se não é, eu detesto. É assim tão simples. Não há nada de excêntrico nisso.
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Boas práticas que ajudam a reduzir erros de contratação
Mesmo quando se “não se fia no CV”, é útil criar condições para que a entrevista não seja apenas uma demonstração de confiança e retórica. Uma abordagem prática passa por incluir exercícios curtos ligados às tarefas reais do cargo (por exemplo, um pequeno estudo de caso, uma revisão de código, ou uma simulação de atendimento ao cliente), avaliados com critérios claros. Isto tende a revelar mais sobre raciocínio, método de trabalho e capacidade de aprender do que um currículo bem escrito.
Outra medida que costuma melhorar a qualidade das decisões é cruzar a conversa com sinais de consistência: verificação de referências, perguntas comportamentais (“conte-me uma situação em que…”), e entrevistas estruturadas com grelhas comuns a todos os candidatos. Estas práticas não substituem a intuição, mas ajudam a diminuir o risco de se confundir carisma com competência - e também reduzem a probabilidade de rejeitar bons profissionais apenas por estarem nervosos na primeira abordagem.
Musk e os seus conselhos (nem sempre consensuais)
Para terminar, vale lembrar que Elon Musk tem vindo a dar conselhos - mais ou menos sensatos - sobre muitos temas. Há pouco tempo, por exemplo, contrariando praticamente todos os especialistas financeiros, sugeriu que poupar seria desnecessário, porque, na sua perspectiva, a IA conduzirá a humanidade a uma era de abundância em que um rendimento universal se tornará a norma. Para saber mais, pode reler o nosso artigo anterior sobre o tema.
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