A 18 de março, a ministra da Defesa de Espanha, Margarita Robles, comunicou que está em curso a preparação da saída imediata dos 300 militares espanhóis destacados no Iraque, na sequência da decisão da OTAN de reajustar a missão devido a preocupações de segurança.
Reajuste da missão e retirada total das forças espanholas no terreno
O anúncio surge três dias depois de o Ministério da Defesa ter informado a relocalização temporária do Grupo de Operações Especiais (SOTG) integrado na Coligação Internacional de combate ao Daesh, medida adoptada “aguardando a evolução da situação”. Agora, Madrid confirma que a retirada abrange a totalidade do contingente espanhol actualmente estacionado no país.
Insegurança crescente na região e reduções de contingentes aliados
O agravamento do contexto de segurança, associado à ofensiva militar iniciada a 28 de fevereiro contra o Irão, tornou inviável a continuidade normal das operações das forças espanholas no Iraque. A redução da presença militar não é exclusiva de Espanha: vários aliados europeus estão igualmente a diminuir de forma acentuada os seus efectivos na região, face ao risco operacional - situação evidenciada, recentemente, pela morte de um militar francês numa base no Iraque.
Neste quadro, a Alemanha retirou militares da Bundeswehr do Líbano e de Erbil (no norte do Iraque). A Noruega, por sua vez, anunciou a transferência de parte das suas forças destacadas na região.
Discrição operacional e possíveis destinos do contingente
Segundo a Defesa espanhola, não serão divulgados pormenores da operação por motivos de segurança, uma vez que as condições no terreno são descritas como particularmente complexas. Neste tipo de cenário, a reserva informativa integra o próprio protocolo de evacuação.
Embora não seja oficialmente indicado o destino final do contingente, é admitida a possibilidade de os militares regressarem a Espanha ou serem recolocados noutra base aliada da OTAN na região.
Missões no Iraque: Operação Inherent Resolve e Missão da OTAN no Iraque (NMI)
No Médio Oriente, Espanha mantém actualmente 1 090 militares destacados. Do total, os 300 colocados no Iraque participam em duas missões principais:
- Operação Inherent Resolve, conduzida desde 2014 pela Coligação Internacional contra o Daesh;
- Missão da OTAN no Iraque (NMI), activa desde 2018 e orientada para o reforço das capacidades de defesa do país.
Além disso, Espanha integra também a Unidade de Protecção da Força (Force Protection) e o Elemento de Apoio Nacional no Iraque, estruturas de cooperação com entidades iraquianas organizadas no âmbito da OTAN.
A retirada agora anunciada implica um esforço adicional de coordenação logística e de segurança, incluindo o escalonamento de saídas, a protecção de itinerários e a articulação com comandos aliados para garantir que a movimentação do pessoal decorre sem comprometer as equipas no terreno.
Prorrogação até ao fim do ano e comando espanhol previsto para maio
As duas missões foram prorrogadas até 31 de dezembro deste ano. Está igualmente previsto que, a partir de maio, um militar espanhol assuma o comando da NMI, função actualmente desempenhada por França.
Este calendário coloca Espanha perante o desafio de conciliar a retirada imediata por razões de segurança com a continuidade do seu contributo político-militar para os compromissos internacionais, podendo a solução passar por uma reconfiguração temporária do dispositivo e por novas formas de apoio em coordenação com a OTAN e parceiros da coligação.
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