Saltar para o conteúdo

França e Noruega reforçam o apoio militar à Ucrânia com mais munições guiadas de precisão

Dois pilotos militares junto a avião de caça e bomba guiada em pista de aeroporto ao entardecer.

Os governos de França e da Noruega chegaram a um entendimento para intensificar o apoio militar à Ucrânia, prevendo o fornecimento adicional de munições guiadas de precisão. O anúncio foi feito pelo executivo norueguês num momento em que a guerra com a Rússia continua sem resolução à vista.

Pacote financeiro: €365 milhões da Noruega e empréstimo garantido por França

Apesar de a comunicação oficial não indicar publicamente a tipologia exacta do armamento abrangido, várias fontes abertas e analistas especializados convergem na ideia de que as entregas incluirão mais bombas guiadas AASM Hammer de fabrico francês. No quadro deste apoio, a Noruega deverá afectar cerca de 365 milhões de euros, enquanto a França garantirá ainda um empréstimo na ordem dos 260 milhões de euros.

AASM Hammer (Armement Air-Sol Modulaire), da Safran: como transforma bombas convencionais em munições inteligentes

O Armement Air-Sol Modulaire (AASM), mais conhecido por Hammer, é um sistema desenvolvido pela empresa francesa Safran que permite converter bombas “clássicas” em munições inteligentes de longo alcance, através da instalação de um kit de guiamento e de propulsão.

A arquitectura do sistema combina navegação inercial com assistência por GPS e pode integrar sensores adicionais - por exemplo, guiamento por infravermelhos ou por laser -, o que lhe dá flexibilidade para diferentes perfis de missão e tipos de alvo.

Alcance superior a 50 km: vantagem decisiva perante as defesas aéreas russas

Ao contrário de uma bomba guiada convencional, a AASM incorpora um módulo de propulsão que amplia significativamente a distância de emprego. Em função da altitude e da velocidade da aeronave que a transporta, é possível realizar lançamentos a mais de 50 quilómetros.

Este aspecto torna-se particularmente relevante num cenário em que a Força Aérea Ucraniana tem de operar sob a ameaça permanente dos sistemas russos de defesa aérea de médio e longo alcance, beneficiando de ataques a maior distância (stand-off) e com menor exposição.

Integração na Força Aérea Ucraniana: de aeronaves de origem soviética ao Mirage 2000-5

Importa recordar que a Força Aérea Ucraniana começou a empregar estas munições em 2024, após um processo de integração técnica em aeronaves de origem soviética. De acordo com informações anteriormente divulgadas, desde o início da guerra as bombas AASM têm sido utilizadas a partir de plataformas como o Sukhoi Su-25, o Sukhoi Su-27 Flanker e o MiG-29, o que exigiu adaptações de software e de sistemas de missão originalmente concebidos para outro tipo de armamento.

Em paralelo, a recente incorporação de caças Mirage 2000-5 na Força Aérea Ucraniana acrescenta uma nova dimensão à utilização da AASM: esta aeronave já se encontra plenamente certificada para operar este armamento na sua configuração padrão, permitindo um emprego mais directo e com menor necessidade de adaptações complexas.

Impacto operacional das bombas guiadas AASM Hammer na Ucrânia

Do ponto de vista operacional, o fornecimento adicional de bombas guiadas AASM Hammer de origem francesa reforça a capacidade da Ucrânia para efectuar ataques de precisão a partir de distâncias mais seguras. Isto contribui para aumentar a sobrevivência das aeronaves e viabiliza acções contra alvos russos de elevado valor, tais como depósitos logísticos, posições fortificadas e infra-estruturas militares.

Ao mesmo tempo, a ampliação do stock de munições de precisão ajuda a manter um ritmo sustentado de operações, algo crítico num conflito prolongado e de alta intensidade, onde a disponibilidade de armamento guiado pode influenciar directamente a eficácia no campo de batalha.

Apoio europeu e continuidade das linhas de abastecimento

Este novo acordo entre França e Noruega constitui mais uma etapa no quadro alargado de assistência militar europeia prestada à Ucrânia desde o início da guerra. Entre a entrega de aeronaves de combate e artilharia, o fornecimento de munições e a formação de militares, esta iniciativa volta a sublinhar um ponto central: a continuidade das linhas de abastecimento tornou-se um factor cada vez mais determinante para sustentar o esforço de guerra ao longo do tempo.

Como componente complementar, a cooperação bilateral também tende a acelerar mecanismos de aquisição e financiamento, reduzindo incertezas orçamentais e garantindo previsibilidade na reposição de capacidades - um aspecto especialmente relevante quando as necessidades operacionais evoluem rapidamente e exigem reposição constante.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

Também poderá interessar: Operação Orion: o porta-aviões de propulsão nuclear Charles de Gaulle prepara-se para uma das suas mais importantes missões no Atlântico Norte e no Árctico.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário