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Autocarros chineses sob suspeita também em Portugal

Autocarro urbano elétrico azul e branco estacionado no interior de um edifício moderno.

No fim de outubro, no âmbito de uma inspeção de rotina, a Ruter e a Movia - operadoras de transporte público na Noruega e na Dinamarca - identificaram uma vulnerabilidade de cibersegurança em autocarros elétricos do fabricante chinês Yutong.

De acordo com estas operadoras, os veículos incluem um cartão SIM que possibilita à Yutong estabelecer acesso remoto aos sistemas a bordo. Segundo o construtor, esta ligação existe para simplificar atualizações de programas e diagnósticos à distância. Contudo, a mesma capacidade poderá também permitir, ao que tudo indica, a imobilização ou desativação remota dos autocarros.

Cibersegurança nos autocarros elétricos da Yutong: impacto e verificação em Portugal

A situação não ficou circunscrita ao Norte da Europa. Em Portugal, a Carris Metropolitana, a Guimabus e a FlixBus também têm autocarros elétricos fabricados pela Yutong e estão agora a analisar o tema.

A Carris Metropolitana opera autocarros elétricos da Yutong desde 2023, mas, até ao momento, não emitiu declarações públicas sobre este assunto.

A Guimabus, responsável pelo transporte público em Guimarães, tem 50 autocarros elétricos da Yutong em circulação e já iniciou a sua avaliação. Em declarações ao Expresso, uma fonte da empresa afirmou desconhecer “qual o sistema que alegadamente foi identificado na Noruega”, acrescentando que a operadora realizou uma primeira verificação e que, até agora, “não há nenhuma anomalia a reportar”.

A FlixBus é outra das entidades com autocarros da Yutong. À publicação portuguesa, confirmou ter “um parceiro com dois autocarros” do fabricante chinês a operar em território nacional, sendo que um desses veículos é 100% elétrico.

Apesar de se tratar de uma presença limitada, a FlixBus refere que está, a nível global, em conversações “com os seus parceiros, mas também com outros intervenientes do setor e com a Yutong”. Ainda assim, ao Expresso, admitiu não ter feito “qualquer teste e não tem planos para o fazer”, sublinhando que “os fabricantes de autocarros cumprem todas as obrigações legais”.

Em termos práticos, ligações remotas deste tipo são frequentemente usadas no setor para manutenção, telemetria e apoio técnico, mas exigem controlos rigorosos: segmentação de redes, autenticação forte, registos de acesso e limitação explícita de funcionalidades críticas. A forma como estes mecanismos são configurados - e quem detém as chaves de acesso - pode ser determinante para reduzir riscos operacionais.

Também por isso, torna-se relevante que operadores e entidades adjudicantes reforcem requisitos de segurança na contratação e na exploração, incluindo auditorias técnicas, testes independentes e procedimentos claros para isolar comunicações (por exemplo, a gestão do cartão SIM) sempre que haja suspeitas ou recomendações de mitigação.

Mais autocarros elétricos da Yutong a caminho em Portugal

Para lá das empresas que já operam autocarros da Yutong, outras transportadoras nacionais adjudicaram recentemente contratos de aquisição ao fabricante chinês, com entregas previstas para os próximos anos.

Segundo dados do portal Base, citados pelo Expresso, o contrato de maior dimensão é da Guimabus, no valor de 19,8 milhões de euros, abrangendo o fornecimento de autocarros e de carregadores elétricos para o serviço urbano de transporte de passageiros.

A Rodoamarante encomendou igualmente 11 autocarros, com entrega prevista para 2026, assegurando que irá realizar inspeções técnicas e testes de cibersegurança antes da entrada em serviço. Já os Transportes Coletivos do Barreiro e a Auto Viação Feirense celebraram contratos de menor escala, com valores entre 1,4 e 6,5 milhões de euros.

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