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Ciberataque trava produção da JLR deixando margens no limite

Carro SUV verde Jaguar JLR 2025 estacionado dentro de showroom moderno com janelas de vidro grandes.

Depois de um exercício particularmente favorável para a JLR (antiga Jaguar Land Rover), o grupo enfrenta agora uma fase financeira mais complicada, sobretudo na sequência de um ciberataque que forçou a suspensão da produção entre meados de setembro e outubro.

Impacto do ciberataque na JLR: produção, existências e vendas

Richard Molyneux, diretor financeiro da JLR, reconheceu que a empresa não conseguirá repor integralmente o volume de vendas perdido. Segundo explicou, “uma parte desse volume será recuperada; outra parte não”, devido ao estado da procura global e ao excesso de oferta por parte da concorrência.

Também o diretor-executivo, Adrian Mardell, sublinhou que a empresa está a lidar com uma quebra relevante nas existências de veículos resultante do ataque informático. “Estamos com uma escassez significativa de existências devido ao ciberataque”, afirmou, acrescentando que será necessário decidir até que ponto essas existências serão reconstruídas e repostas.

No último trimestre, entre julho e setembro, as vendas recuaram 24%, fixando-se em 21 128 unidades, o que se traduziu numa receita de 4,9 mil milhões de libras (cerca de 5,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual). O impacto refletiu-se diretamente nas contas: o prejuízo líquido atingiu 547 milhões de libras (aprox. 620,5 milhões de euros), em contraste com o lucro de 283 milhões de libras (aprox. 321 milhões de euros) registado no trimestre anterior. Em consequência, a margem operacional prevista para este ano - antes apontada para 5% a 7% - foi revista em baixa, passando a situar-se entre 0% e 2%.

Para além do ciberataque, a JLR identifica ainda como fator relevante para estes resultados a descontinuação programada de vários modelos da Jaguar, integrada na transição para uma nova gama 100% elétrica.

A este quadro juntou-se ainda o efeito das tarifas norte-americanas, que representaram um custo adicional de 74 milhões de libras (aprox. 83,9 milhões de euros) no mesmo período.

Por fim, registou-se igualmente um aumento expressivo das despesas de marketing, incluindo descontos e incentivos, num contexto de elevada pressão competitiva no segmento premium. Estas despesas passaram de 4,0% para 6,9% da receita, traduzindo-se em mais 257 milhões de libras (aprox. 291,5 milhões de euros) no trimestre.

Um efeito colateral típico deste tipo de interrupções é o agravamento dos prazos de entrega e a necessidade de reequilibrar a carteira de encomendas por mercados, versões e níveis de equipamento. Num setor com forte concorrência, gerir essa reposição de produção e de existências sem recorrer excessivamente a incentivos comerciais pode ser determinante para proteger a margem operacional.

Em paralelo, episódios desta natureza tendem a acelerar a revisão de processos internos ligados à continuidade do negócio, com maior foco em redundância de sistemas, segmentação de redes e resposta a incidentes. Num fabricante com operações industriais e cadeias de fornecimento complexas, a robustez digital passa a ser tão crítica quanto a capacidade produtiva.

Planos para 2025

Para o restante ano, a JLR mantém a intenção de lançar e apresentar globalmente a versão de produção do Jaguar Type 00, cuja revelação oficial deverá acontecer ainda antes do final do ano.

Durante o período em que as unidades fabris estiveram paradas devido ao ciberataque, a JLR aproveitou para imprimir maior ritmo a vários projetos associados à eletrificação. Nesse intervalo, avançou com testes e validações considerados essenciais, incluindo a certificação da estrutura inferior das novas carroçarias elétricas e a instalação, em Solihull, de uma nova bancada de ensaios para sistemas avançados de assistência à condução.

Em simultâneo, a empresa trabalhou na preparação da fábrica de Halewood para cumprir os requisitos de certificação da nova plataforma elétrica EMA. Estas ações enquadram-se no plano de investimento de 18 mil milhões de libras (aprox. 20,4 mil milhões de euros) a executar ao longo de cinco anos, programa que teve início no ano fiscal de 2024.

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