Depois de várias semanas marcadas por fricção diplomática entre os Países Baixos e a China, começam a notar-se indícios de distensão no diferendo ligado à Nexperia, fabricante neerlandesa de semicondutores sob controlo da chinesa Wingtech.
Segundo declarações de executivos do setor automóvel citadas pela Reuters, a empresa já retomou parcialmente os envios dos seus chips, reduzindo o risco de interrupções nas linhas de montagem de vários construtores à escala global.
Entre as primeiras confirmações na Europa está a Aumovio - nova designação da antiga divisão automóvel da Continental - que indicou ter recebido uma exceção às restrições decretadas por Pequim.
Entretanto, a Bosch também terá voltado a receber novas remessas, embora continue a lidar com paragens pontuais em algumas unidades de produção. Já a ZF Friedrichshafen, outro grande fornecedor alemão, mantém medidas de contingência em vigor, incluindo a hipótese de suspensões temporárias, caso o abastecimento volte a falhar.
Os semicondutores da Nexperia são considerados essenciais para tarefas elementares (como iluminação e controlo eletrónico), além de suportarem centenas de outros componentes críticos. As estimativas apontam para que cerca de 60% da produção da empresa seja direcionada para a indústria automóvel.
O que esteve em causa?
A situação agravou-se quando o governo chinês travou a exportação de chips produzidos pela unidade chinesa da Nexperia. A medida surgiu como reação à decisão dos Países Baixos - sob pressão dos EUA - de nacionalizar temporariamente a empresa, com o objetivo de limitar a influência da Wingtech.
Na prática, a decisão tomada em Amesterdão levou Pequim a bloquear as exportações, interrompendo o fornecimento de semicondutores relevantes para a Europa e aumentando o risco de abrandamento da produção automóvel.
Além do impacto imediato nas fábricas, o episódio voltou a expor a vulnerabilidade das cadeias de fornecimento do setor: quando um componente de baixo custo, mas de elevada criticidade, fica indisponível, os construtores e fornecedores acabam por enfrentar atrasos, reprogramações e custos adicionais de logística e armazenamento.
Para mitigar este tipo de choque, várias empresas têm reforçado estratégias de diversificação de fornecedores e de qualificação de alternativas, embora este processo seja moroso na indústria automóvel devido a requisitos de validação, qualidade e certificação que podem levar meses.
Conflito da Nexperia: aproxima-se o fim?
Apesar do clima mais favorável, a própria Nexperia ainda não confirmou publicamente um regresso total das exportações. Ainda assim, a empresa sinaliza que espera uma “retoma progressiva”, depois de o Ministério do Comércio chinês ter anunciado a emissão de novas licenças. A Wingtech, por seu lado, optou por não prestar declarações.
“Levará algum tempo até que todos os procedimentos e processos voltem ao normal”, afirmou Philipp von Hirschheydt, diretor-executivo da Aumovio.
Mesmo sem garantias de normalização completa, a retoma parcial bastou para mexer com o sentimento do mercado: as ações da Wingtech Technology registaram uma subida de quase 10% no fecho de quinta-feira na Bolsa de Xangai.
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