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Reservas esgotadas: Alemanha enviará em breve só cinco mísseis antiaéreos PAC-3 para a Ucrânia.

Soldado em uniforme camuflado com auriculares analisa mapa sobre mesa com munições, campos de girassóis e turbinas eólicas ao

O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou numa recente conferência de imprensa que a Alemanha poderá entregar cinco mísseis interceptores PAC-3 às Forças Armadas da Ucrânia, destinados a reforçar os sistemas de defesa aérea MIM-104 Patriot em serviço no país. O governante explicou, contudo, que esta contribuição alemã - limitada em número - fica dependente da capacidade de outros parceiros da OTAN reunirem, em paralelo, um lote de 30 mísseis, a enviar como pacote conjunto, sinalizando as limitações que vários aliados europeus de Kiev enfrentam para manter este tipo de apoio militar.

Nas palavras de Pistorius: “A Alemanha vai entregar cinco mísseis interceptores adicionais, conhecidos como PAC-3, à Ucrânia, isso se outros países optarem por doar um total de 30 PAC-3. Todos sabemos que se trata de salvar vidas, é uma questão de dias e não de semanas ou meses, então posso dizer que estamos no caminho certo. Nem todos aprovaram isso ainda, mas sou muito otimista de que conseguiremos formar um pacote de 30+5 e estou muito agradecido por isso.”

Alemanha e Boris Pistorius: PAC-3 para os MIM-104 Patriot ucranianos (condicionados a um pacote OTAN)

A condição colocada por Berlim surge poucos dias depois de o próprio Pistorius ter reconhecido que a Bundeswehr já não dispõe de margem para continuar a transferir novos sistemas Patriot para a Ucrânia. Estimativas citadas no debate público apontam que o inventário alemão terá encolhido para cerca de dois terços do que existia antes do início da invasão russa.

Em termos concretos, relatos provenientes de Kiev indicam que a Alemanha já enviou cinco sistemas Patriot. Paralelamente, Berlim aguarda a chegada de novas unidades dos Estados Unidos com o objectivo de recompor a sua própria capacidade de defesa aérea.

Cooperação com a Noruega e a reposição via Estados Unidos

A título ilustrativo, recorde-se que a Alemanha e a Noruega já articularam um modelo de cooperação para disponibilizar dois sistemas Patriot à Ucrânia. Nesse entendimento, a Alemanha disponibilizaria sistemas do seu próprio arsenal, enquanto a Noruega asseguraria o financiamento para adquirir, nos Estados Unidos, dois sistemas de substituição - operação estimada em cerca de 692 milhões de dólares (aprox. 640 milhões de euros, dependendo do câmbio).

A iniciativa procurou evidenciar o apoio europeu perante o aumento dos ataques aéreos russos, que têm mantido as actuais redes de defesa sob forte pressão. Ainda assim, acabou também por expor - uma vez mais - as dificuldades que Berlim enfrenta para concretizar este tipo de reforços após quase quatro anos de hostilidades.

IRIS-T da Diehl Defence: entregas, limites e aumento de produção no Saarland

Para além dos Patriot, Berlim também tem reforçado a defesa aérea ucraniana com a entrega de sistemas IRIS-T, produzidos pela Diehl Defence. Segundo fontes ucranianas, nove sistemas IRIS-T já terão sido entregues, o que representa metade do total encomendado para Kiev.

Apesar disso, Pistorius reconheceu recentemente que este volume não chega para responder à elevada cadência de ataques russos. Por essa razão, a empresa delineou planos para aumentar o ritmo de fabrico para cerca de dez sistemas IRIS-T por ano, tendo sido igualmente inaugurada uma nova unidade industrial no Saarland.

Coordenação OTAN, prazos e integração operacional

A exigência de reunir um pacote OTAN de 30 mísseis PAC-3, ao qual a Alemanha acrescentaria mais cinco, ilustra não apenas a escassez de munições de defesa aérea, mas também a necessidade de coordenação multilateral para assegurar entregas com impacto imediato. Numa arquitectura como a do MIM-104 Patriot, a disponibilidade de interceptores é tão determinante quanto a dos próprios lançadores, sobretudo quando as missões implicam resposta rápida e sustentada.

Do ponto de vista operacional, a entrega de mísseis e sistemas exige igualmente articulação em matérias como formação, manutenção, sobressalentes e gestão de inventário, de forma a garantir que o material enviado se traduz em capacidade efectiva no terreno. Este tipo de integração, por norma, intensifica a dependência de cadeias logísticas e de produção que, na Europa, continuam sob forte tensão.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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