A Força Aérea da Indonésia deu recentemente um passo inédito nas suas capacidades ao realizar as primeiras aterragens e descolagens de caças F-16 Fighting Falcon e aviões de ataque Embraer EMB-314 Super Tucano a partir de uma autoestrada, reforçando a flexibilidade do seu poder aéreo num quadro regional cada vez mais marcado pelo aumento de actividades militares e por disputas de soberania.
Segundo a nota divulgada pelas autoridades indonésias, a iniciativa integra os esforços para acrescentar uma nova valência à defesa aérea do país e, em simultâneo, testar infra-estruturas civis como pista de aterragem de emergência, caso tal se revele necessário num eventual cenário de conflito.
A operação envolveu um F-16 Fighting Falcon e um EMB-314 Super Tucano, que aterraram e voltaram a descolar, a 11 de Fevereiro, num segmento da autoestrada Trans-Sumatra com 24 metros de largura. O vice-ministro da Defesa sublinhou a lógica por detrás do conceito: “Este conceito é considerado importante para manter a prontidão defensiva no arquipélago. Queremos que todas as grandes ilhas tenham múltiplas bases alternativas. Se uma base ficar inutilizada, continuam a existir outras opções.”
Este tipo de treino deve ser entendido como mais um marco na modernização militar indonésia, particularmente num contexto regional mais exigente devido ao aumento da actividade militar de vários países - com destaque para a China. Num país com 38 províncias e pelo menos 6.000 ilhas, a possibilidade de usar estradas como pistas de emergência reduz a dependência de soluções mais específicas, como porta-aviões e navios porta-helicópteros, e contribui para uma rede de poder aéreo distribuído (pontos alternativos de operação) que, em caso de conflito, pode elevar significativamente a capacidade de sobrevivência das forças.
Para além do efeito operacional, a utilização de auto-estradas como pistas implica planeamento exigente: selecção de troços com geometria adequada, verificação de pavimento e obstáculos, gestão de segurança no perímetro e coordenação com entidades civis para interdição temporária do tráfego. Estes factores transformam o exercício num teste abrangente, não apenas às aeronaves, mas também à capacidade de comando, controlo e apoio logístico.
Do ponto de vista estratégico, a dispersão de meios por múltiplos locais complica a tarefa de um adversário que procure neutralizar a aviação em terra, ao mesmo tempo que aumenta a rapidez de reacção em diferentes teatros dentro do arquipélago. Esta abordagem também favorece a continuidade das operações, permitindo alternar entre bases e pontos de reabastecimento/armamento consoante a ameaça e a disponibilidade das infra-estruturas.
Sobre os F-16 Fighting Falcon e os EMB-314 Super Tucano da Força Aérea da Indonésia
As aeronaves envolvidas neste treino integram o núcleo duro da Força Aérea da Indonésia e evidenciaram a versatilidade de plataformas distintas a operar no mesmo cenário.
No caso do F-16 *Fighting Falcon, a sua presença na Indonésia remonta ao final da década de 1980, quando o país recebeu um primeiro lote de *12 F-16 A/B Block 15** no âmbito do programa Peace Bima-Sena I, com as entregas concluídas em 1990. Mais tarde, a partir de 2014, Jacarta incorporou 24 F-16 C/D provenientes de excedentes da Força Aérea dos Estados Unidos, que foram modernizados antes da transferência, elevando de forma relevante o patamar de capacidades da frota.
Em paralelo, a Indonésia promoveu a modernização dos F-16 mais antigos através dos programas Falcon STAR e eMLU, orientados para prolongar a vida útil estrutural e reforçar aviônicos e sistemas. Actualmente, os F-16 operam em vários esquadrões baseados em Iswahjudi e Roesmin Nurjadin, constituindo um dos principais vectores de defesa aérea do arquipélago e um elemento central na estratégia de desdobramento distribuído face a um ambiente regional mais desafiante.
Já o EMB-314 Super Tucano, fabricado pela Embraer, foi adquirido em 16 exemplares para substituir os veteranos OV-10 Bronco em missões de ataque ligeiro e apoio aéreo próximo. O contrato foi assinado no início da década de 2010, com as entregas a começarem em 2012 e a ficarem concluídas em 2016. As aeronaves foram atribuídas ao Skadron Udara 21, baseado em Abdulrachman Saleh, em Malang, onde desempenham funções de treino avançado, contra-insurgência e vigilância.
Imagem de capa: créditos ao respectivo autor
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