O Exercício Multinacional Steadfast Dart 2026 assinalou a estreia, no mar Báltico, do novo drone embarcado Bayraktar TB-3 ao serviço da Marinha da Turquia, no âmbito de actividades planeadas pela OTAN. O sistema não tripulado, concebido e fabricado pela Baykar, operou a partir do navio de assalto anfíbio (LHD) TCG Anadolu, integrado nas Opções de Dissuasão Flexível da Aliança Atlântica e articulado com as Actividades de Vigilância Reforçada na região báltica.
Voo de longa duração no Báltico durante a presença reforçada da OTAN
A 20 de Fevereiro de 2026, o veículo aéreo não tripulado (UAV) TB-3 efectuou uma missão de oito horas sobre o mar Báltico, totalizando cerca de 1 700 km. Esta operação decorreu enquanto a Força de Tarefa Marítima turca, centrada no Anadolu, participava simultaneamente no Steadfast Dart 2026 e nas missões de presença reforçada da OTAN no flanco oriental.
Demonstrações navais ao largo de Kiel com tiro real e munições MAM-L
Na componente naval do exercício, realizada ao largo da cidade alemã de Kiel, o Bayraktar TB-3 levou a cabo demonstrações de voo e tiro real. Numa das acções, o sistema descolou de forma autónoma a partir da pista curta do TCG Anadolu e executou um ataque com dupla salva de munições MAM-L contra alvos de superfície, obtendo impactos directos antes de efectuar a recuperação automática (apontagem) no navio.
Operações com meteorologia adversa: –5 °C, neve intensa e vento forte
As missões foram conduzidas em condições atmosféricas exigentes, com temperaturas próximas dos –5 °C, nevões intensos e ventos fortes sobre o mar Báltico. Segundo a informação divulgada pela Baykar, o TB-3 terá sido a única aeronave capaz de voar nessa fase do exercício, permanecendo outros meios aéreos participantes em terra devido ao estado do tempo. Para viabilizar descolagens e aterragens, a guarnição teve de remover gelo da cobertura de voo do TCG Anadolu.
Primeira demonstração operacional no estrangeiro e próximas fases com MAM-L e MAM-T
A integração do sistema no Steadfast Dart 2026 constituiu a sua primeira demonstração operacional fora do país, representando um marco para a indústria de defesa turca no domínio da aviação naval. Actualmente, encontram-se três plataformas Bayraktar TB-3 operacionais a bordo do TCG Anadolu e, nas etapas seguintes do exercício, está previsto que duas unidades descolem de forma sucessiva para realizar uma operação coordenada com munições MAM-L e MAM-T.
Interoperabilidade, vigilância e lições para operações navais no Báltico
A presença de um UAV embarcado com capacidade de descolar e aterrar num LHD reforça a flexibilidade para missões de vigilância marítima, aquisição de alvos e apoio a operações conjuntas, especialmente num teatro como o Báltico, onde a janela meteorológica pode ser limitada e a necessidade de cobertura persistente é elevada. A articulação com as Actividades de Vigilância Reforçada permite também testar procedimentos e comunicações em cenários multinacionais, contribuindo para a coerência operacional no flanco oriental.
As condições de gelo e neve realçam, por outro lado, a importância da prontidão da plataforma naval - desde a gestão de convés à manutenção e planeamento de missões - para garantir operações aéreas seguras. Este tipo de treino em ambiente rigoroso funciona como laboratório prático para optimizar rotinas de degelo, tempos de rotação e coordenação entre equipa de voo e controlo do sistema não tripulado.
Baykar: financiamento próprio e exportações de 2,2 mil milhões de dólares em 2025
A Baykar indicou que, desde a sua fundação, tem financiado os seus projectos com recursos próprios e que, em 2025, atingiu 2,2 mil milhões de dólares em exportações no segmento de veículos aéreos não tripulados. De acordo com os dados tornados públicos pela empresa, 90% das suas receitas nos últimos anos teve origem em exportações, consolidando a sua posição no mercado internacional de sistemas aéreos de combate não tripulados.
Imagens obtidas da Baykar.
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