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Empresa da Stellantis e Mercedes desiste de mais gigafábricas de baterias

Homem idoso a analisar plantas num escritório com selo "CANCELLED" numa mesa de madeira.

A Automotive Cells Company (ACC), a empresa conjunta criada por Stellantis, Mercedes-Benz e TotalEnergies para fabricar baterias, comunicou aos sindicatos que desistiu em definitivo dos projetos de duas gigafábricas: uma prevista para Termoli, em Itália, e outra para Kaiserslautern, na Alemanha.

A confirmação foi divulgada pelo sindicato italiano dos metalúrgicos UILM. Segundo a organização, “a administração da ACC confirmou-nos esta manhã aquilo que há muito receávamos: o plano para construir uma gigafábrica em Termoli foi definitivamente encerrado, tal como já tinha sucedido na Alemanha”.

Importa recordar que os dois investimentos estavam já em pausa desde maio de 2024. Nessa altura, a ACC explicou a suspensão com uma revisão do seu plano de negócios, apontando como principais motivos a desaceleração da procura de veículos elétricos e os custos elevados de produção de baterias.

Num comunicado divulgado recentemente, a empresa veio agora consolidar essa posição, indicando que é “improvável” que, num horizonte previsível, venham a estar reunidas as condições necessárias para reativar os projetos.

“É evidente que os requisitos prévios para o reinício dos projetos da ACC em Itália e na Alemanha ainda não estão reunidos”, escreveu a empresa, acrescentando que está a avaliar “diferentes cenários” para o futuro.

Apesar deste recuo em dois países, a ACC mantém uma terceira gigafábrica de baterias já em funcionamento em França. A ambição anunciada em 2020 passava por instalar três linhas de produção, distribuídas pelos três mercados, com uma capacidade anual de 8 GWh por linha.

Este desfecho levanta, inevitavelmente, questões sobre o ritmo de expansão da capacidade produtiva europeia de baterias e sobre a capacidade do setor em alinhar investimentos industriais de grande escala com ciclos de procura mais voláteis no segmento elétrico. Em paralelo, a decisão poderá pressionar fabricantes e fornecedores a reconsiderarem calendários, tecnologias e modelos de aprovisionamento ao longo da cadeia de valor.

Para as regiões diretamente envolvidas, o impacto tende a ir além do investimento industrial em si: projetos desta dimensão costumam arrastar emprego qualificado, contratos com fornecedores locais e programas de formação. A avaliação dos efeitos sociais e industriais, já referida pelos principais intervenientes, deverá por isso ganhar peso nas próximas semanas.

A reação da Stellantis à decisão da ACC

A Stellantis, enquanto principal acionista da empresa conjunta, afirmou estar a acompanhar a evolução do dossier de perto e garantiu encontrar-se “totalmente mobilizada” para avaliar as consequências industriais e sociais associadas ao abandono dos projetos.

Na semana passada, o grupo automóvel anunciou imparidades de 22 mil milhões de euros, sobretudo ligadas ao processo de transição para a mobilidade elétrica.

Dentro desse total, 2,1 mil milhões de euros dizem respeito ao redimensionamento da cadeia de abastecimento de veículos elétricos - um processo que inclui o encerramento ou a redução de unidades dedicadas à produção de baterias. Entre as decisões comunicadas consta também a venda da participação de 49% da Stellantis na NextStar Energy à parceira LG Energy Solution.

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