Pela primeira vez, a série Gran Turismo abre espaço, em Gran Turismo 7, a um automóvel de origem chinesa na sua lista de modelos. Desde 29 de janeiro, qualquer jogador pode levar para a pista o Xiaomi SU7 Ultra, a variante mais extrema da berlina elétrica criada pela marca tecnológica chinesa.
Conhecido por uma seleção rigorosa - tanto do ponto de vista técnico como do valor simbólico para a cultura automóvel -, Gran Turismo 7 não costuma “aceitar” novidades por acaso. A chegada do Xiaomi SU7 Ultra ao jogo funciona, por isso, como um gesto com peso estratégico: a Xiaomi reforça a sua visibilidade fora da China e apresenta a sua capacidade de engenharia a uma audiência mundial.
Tecnologia do Xiaomi SU7 Ultra em Gran Turismo 7
Os números do SU7 Ultra ajudam a explicar a atenção gerada. A configuração recorre a três motores elétricos - um no eixo dianteiro e dois no traseiro -, somando 1139 kW (1548 cv) de potência e 1770 Nm de binário. Na prática, isto traduz-se numa aceleração dos 0 aos 100 km/h em apenas 1,98 s e numa velocidade máxima acima dos 350 km/h.
Ao nível das soluções técnicas, a Xiaomi destaca um conjunto de sistemas orientados para desempenho e controlo: vetorização de binário, molas pneumáticas de dupla câmara, amortecimento contínuo adaptativo (CDC) e conjuntos mola-amortecedor roscados Bilstein EVO T1.
A presença no universo Gran Turismo 7 também sugere um trabalho de validação e de representação digital cuidada: para um simulador com esta reputação, o comportamento do carro (travagem, resposta da direção, entrega de potência e gestão da tração) precisa de ser coerente com a proposta do modelo real, algo que tende a aumentar a credibilidade do SU7 Ultra junto de entusiastas e jogadores.
Sucesso chinês com os olhos postos na Europa
Esta entrada em Gran Turismo 7 acontece numa fase particularmente favorável para a Xiaomi no seu mercado doméstico. Em 2025, o SU7 ultrapassou o Tesla Model 3 em vendas na China, com cerca de 258 mil unidades entregues, face a 200 mil do Model 3, tornando-se a berlina elétrica mais vendida no seu segmento. O resultado reforça a fórmula seguida pela Xiaomi: preços competitivos, integração digital bem conseguida e tecnologia avançada.
Este marco ganha ainda mais relevância quando se considera o estatuto do Model 3 na China, onde durante anos foi a referência dominante entre as berlinas elétricas de gama média-alta.
A ambição, no entanto, não fica limitada ao mercado chinês. A Xiaomi comunicou no ano passado que pretende alargar a sua divisão automóvel à Europa já a partir de 2027. E a cidade escolhida para acolher a sede da operação automóvel europeia é reveladora dessa intenção: Munique, na Alemanha.
A entrada na Europa implicará, ainda, enfrentar exigências específicas - desde homologação e normas de segurança, até redes de assistência e adaptação a hábitos locais. Se a Xiaomi conseguir transportar para o mercado europeu a mesma combinação de tecnologia e posicionamento de preço que funcionou na China, poderá tornar-se um novo ator a ter em conta no segmento de berlina elétrica.
Mais um sinal de uma indústria em mudança
O percurso do SU7 e a sua inclusão em Gran Turismo 7 são sinais claros de uma transformação mais ampla na indústria automóvel chinesa. A China deixa de ser vista apenas como um grande centro de produção e passa a ocupar um papel ativo na definição do futuro do automóvel - tanto no mercado real como no imaginário de quem acompanha o desporto automóvel e a cultura do desempenho.
A parceria com a PlayStation, entretanto, não se fica por aqui. A Xiaomi já confirmou que está a desenvolver um carro-conceito Vision Gran Turismo para o jogo, prometendo alargar as experiências disponíveis e oferecer novos conteúdos aos fãs.
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