O astrofotógrafo Andrew McCarthy registou o instante exacto em que a nossa estrela se alinhou, de forma milimétrica, com um paraquedista em queda livre, criando uma imagem “absolutamente absurda (mas real)”: a silhueta de um ser humano recortada contra a superfície incandescente e detalhada do Sol.
Andrew McCarthy, o Sol e um paraquedista: uma imagem planeada ao segundo
A concretização desta ideia exigiu, como o próprio explicou na X, um planeamento “imenso” - acrescentando ainda que “poderá ser a primeira fotografia do género a existir”.
Para que o alinhamento fosse possível, foi necessário fazer coincidir, no mesmo instante, vários factores: o ângulo do Sol, a posição do paraquedista durante a queda, a altitude de saída, a distância ao solo e a distância do telescópio.
Depois de seis tentativas falhadas de alinhamento, o fotógrafo radicado no Arizona e o seu colaborador - o paraquedista e músico Gabriel C. Brown - conseguiram, finalmente, a fotografia que tinham imaginado, no domingo, 8 de novembro de 2025, às 09:00 (hora local).
Brown saltou de uma pequena aeronave com hélice, a uma altitude de 1 070 metros.
“Ainda não consigo acreditar que conseguimos!!”, escreveu Brown no seu Instagram.
Segundo descreveu, o processo obrigou a escolher o local, a hora, a aeronave e a distância ideais para obter a imagem mais nítida possível, tendo ainda em conta a trajectória de planeio da aeronave com o motor em corte, de forma a garantir o melhor ângulo do Sol e uma altitude de saída segura. Depois, foi necessário alinhar o enquadramento usando o efeito de oposição observado a partir da aeronave (com agradecimento ao piloto @jimhamberlin) e coordenar o momento exacto do salto através de comunicações a três.
Um autor conhecido por astrofotografia de detalhe extremo
McCarthy é reconhecido pela sua astrofotografia de detalhe extraordinário. Em 2022, captou uma ejecção de massa coronal com cerca de 1,6 milhões de quilómetros de extensão a emergir do Sol.
Em colaboração com o cientista planetário Connor Matherne, conseguiu também registar os vários recantos e reentrâncias da face da Lua voltada para a Terra - um trabalho que exigiu 200 000 imagens, compiladas ao longo de quase dois anos.
No início deste ano, McCarthy apanhou ainda as subtilezas de uma erupção solar a “entrar” inesperadamente no enquadramento da Estação Espacial Internacional.
Nesse caso, a estação encontrava-se a cerca de 400 quilómetros acima da superfície da Terra, muito mais perto do que o Sol, situado a quase 150 milhões de quilómetros.
Apenas instantes para acertar no alinhamento
Na sua mais recente obra, McCarthy levou o jogo das distâncias ainda mais longe: o amigo paraquedista estava a apenas 2 quilómetros da câmara. Essa proximidade relativa reduziu a margem de manobra a momentos fugazes - o tempo justo para captar Brown a atravessar, em rotação, o disco solar.
Um projecto deste tipo implica também escolhas técnicas rigorosas: para apontar um telescópio ao Sol em segurança e preservar detalhe na superfície, é indispensável recorrer a filtragem solar adequada e a um controlo apertado da exposição, sob pena de danificar equipamento e perder definição na imagem.
Do lado do salto, além da coordenação com o piloto e com a equipa no solo, entram variáveis difíceis de “domar”, como o vento em altitude e pequenas alterações na postura durante a queda, capazes de arruinar o alinhamento pretendido - razão pela qual várias tentativas podem ser necessárias até tudo coincidir.
Ficamos com curiosidade para ver o que McCarthy irá mostrar a seguir.
Pode acompanhar Andrew McCarthy no Instagram, na X, no Facebook e no seu site.
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