A recente incorporação de sistemas de artilharia MRLS HIMARS pelo Exército de Taiwan está a ser associada, segundo meios taiwaneses, a um possível posicionamento avançado nas ilhas mais próximas da costa continental da China, nomeadamente nos arquipélagos de Penghu e Matsu. Estas ilhas encontram-se a curta distância do litoral chinês - com destaque para Matsu, a cerca de 10 km -, o que, em termos operacionais, ampliaria o alcance efectivo dos lançadores múltiplos de foguetes M142 HIMARS recentemente adquiridos por Taipé aos Estados Unidos.
Aquisições e expansão do inventário: M142 HIMARS, ATACMS e GMLRS-U
O cenário de deslocação para as ilhas periféricas surge na sequência de anúncios de compras em grande escala de sistemas M142 HIMARS e das respectivas munições junto de Washington. De acordo com informações anteriormente divulgadas, Taiwan pretende aumentar o seu inventário até um total de 111 lançadores M142 HIMARS em futuras aquisições, consolidando esta plataforma como um dos pilares da sua capacidade de ataque de precisão de longo alcance.
Em dezembro de 2025, o Governo dos Estados Unidos autorizou uma potencial venda de 82 sistemas M142 HIMARS, acompanhada por 420 mísseis ATACMS e 752 foguetes guiados GMLRS-U, numa operação avaliada em mais de 4 mil milhões de dólares, tendo o Departamento de Estado notificado o Congresso dos EUA. O pacote incluiu ainda:
- 39 viaturas multipropósito HMMWV
- 45 sistemas IFATDS (sistemas de dados tácticos para artilharia de campanha)
- Equipamentos de comunicações
- Reboques
- Metralhadoras
- Serviços de apoio técnico para facilitar a integração destes sistemas nas Forças Armadas taiwanesas
Possível destacamento avançado em Penghu e Matsu com mísseis ATACMS
Segundo a informação veiculada, os lançadores poderão ser configurados com mísseis balísticos tácticos ATACMS, cada um com uma ogiva de cerca de 230 kg e alcance até 300 km. Esta combinação permitiria, em teoria, atingir bases do Exército Popular de Libertação (EPL), infra-estruturas críticas e nós logísticos situados em províncias costeiras como Fujian e Zhejiang, alargando o raio de actuação das forças taiwanesas num cenário de escalada no Estreito de Taiwan.
Do ponto de vista operacional, a proximidade geográfica destas ilhas acrescenta valor ao alcance nominal das munições, ao reduzir a distância até a potenciais objectivos e ao facilitar perfis de emprego mais flexíveis. Em contrapartida, um posicionamento avançado implica também exigências acrescidas de protecção, dispersão e sustentação logística, incluindo rotas de reabastecimento e medidas para reduzir a vulnerabilidade a ataques de precisão e a vigilância persistente.
Exercícios em Longsiand e integração operacional do sistema
No final de Janeiro, os novos M142 HIMARS do Exército de Taiwan participaram nos primeiros exercícios do ano na base de Longsiand, no município de Taichung. Durante as manobras, foi ensaiado um cenário que simulava uma escalada militar por parte da China e um eventual assalto contra infra-estruturas críticas da ilha. Estes exercícios foram apresentados como mais um passo na integração operacional da plataforma, que passou a figurar entre os principais meios de apoio de fogos de longo alcance introduzidos por Taipé nos últimos anos.
A mobilidade do HIMARS - concebido para operar com elevada rapidez de deslocação, efectuar disparos e reposicionar-se - encaixa num conceito de emprego que privilegia a sobrevivência por dispersão e a geração de fogos em janelas curtas. Para maximizar este tipo de capacidade, tende a ser determinante a articulação com sensores, comunicações seguras e procedimentos de comando e controlo que acelerem o ciclo “detectar–decidir–atingir”.
Coordenação de fogos, cooperação com os EUA e reacção do EPL
Em termos de planeamento e coordenação, o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan dispõe de um Centro Conjunto de Coordenação de Potência de Fogo, que permite planear e integrar alvos em coordenação com os Estados Unidos, seguindo modelos de cooperação observados noutros conflitos recentes. Enquanto Taipé e Washington enquadram este tipo de medidas numa estratégia de dissuasão, o porta-voz do EPL, Jiang Bin, advertiu que qualquer tentativa de ataque contra o território continental seria respondida com “aniquilação”, numa referência a eventuais lançamentos a partir de posições avançadas em ilhas periféricas.
Imagens meramente ilustrativas.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário