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USMC encerra a era do AV-8B Harrier e acelera a transição para o F-35B VTOL furtivo

Piloto militar em fato de voo verde com capacete na mão em frente a jato de combate estacionado numa pista aeroportuária.

Tal como acontece noutros ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, o Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos (USMC) está a avançar rapidamente para o seu futuro imediato através da adopção de novas plataformas. Esta mudança coloca um ponto final na história de aeronaves que serviram os Marines com consistência sempre que a política externa norte-americana o exigiu - como é o caso do lendário avião de ataque AV-8B Harrier, que dá lugar aos caças furtivos F-35B VTOL.

A confirmação deste rumo ficou mais clara com a recente divulgação do Plano de Aviação de 2026 dos Marines. O documento descreve, de forma detalhada, os passos em curso na aviação de combate, transporte e apoio, apresentando o ponto de situação das plataformas de asa fixa, asa rotativa e sistemas não tripulados, bem como as medidas previstas para os meses seguintes.

AV-8B Harrier: décadas de operações e o início do crepúsculo

Em serviço desde a década de 1980, o AV-8B Harrier acompanhou o USMC em múltiplos teatros e campanhas, incluindo a Operação Tempestade no Deserto e a Operação Escudo do Deserto, a Operação Liberdade Duradoura e a Operação Liberdade Iraquiana, a Operação Determinação Inerente e a Operação Apoio Determinado, além de, mais recentemente, a Operação Lança do Sul, que terminou com a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro. Nos últimos meses e anos, porém, a plataforma entrou gradualmente na sua fase final, à medida que vários esquadrões que a operaram durante longos períodos transitaram para o F-35B.

Actualmente, a última unidade operacional do Harrier é o Esquadrão de Ataque de Fuzileiros Navais (VMA) 223, enquanto um derradeiro destacamento continua a operar em conjunto com a 22.ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais. Outras aeronaves permanecem igualmente na Estação Aérea do Corpo de Fuzileiros Navais (MCAS) de Cherry Point, assegurando apoio às missões da Força Expedicionária de Fuzileiros Navais (MEF) e da Ala Aérea de Fuzileiros Navais (MAW) até à retirada operacional do modelo no ano fiscal de 2026 (AF26).

MCAS Cherry Point, Carolina do Norte: despedida oficial do Harrier em Junho de 2026

Com o progresso contínuo na transição para o já referido F-35B, e apesar de a retirada do Harrier ter sido anteriormente apontada para 2027, o USMC confirmou que o mês de Junho marcará o encerramento do último capítulo do Harrier ao serviço dos Marines. A despedida será assinalada através de um conjunto de celebrações e cerimónias, tendo como epicentro a MCAS Cherry Point, na Carolina do Norte.

De acordo com a informação divulgada, foi indicado que: “… Os eventos estão programados para a semana de 1 a 5 de Junho de 2026, culminando com a cerimónia oficial de despedida e o voo final a 3 de Junho de 2026. Estas actividades proporcionarão uma oportunidade para as comunidades de militares no activo, reformados, contratantes e civis celebrarem os contributos históricos da aeronave e dos Marines.”

F-35B e F-35C: o novo eixo das Esquadrilhas de Ataque (VMA)

Com a data de saída do Harrier formalmente estabelecida, o foco passa a incidir sobre os actuais F-35B/C que estão a ser integrados nas Esquadrilhas de Ataque de Fuzileiros Navais (VMA). Segundo a documentação e as estimativas apresentadas no Plano de Aviação de 2026, até ao final de 2026 o USMC contará com uma frota combinada de 205 F-35B e 56 F-35C, números inseridos na encomenda total de 420 F-35 realizada até à data.

Esta transição não é apenas uma substituição de aeronaves: representa uma alteração profunda na forma como o USMC projecta poder a partir de bases expedicionárias e navios de assalto anfíbio. A componente VTOL do F-35B permite manter a flexibilidade de operação em pistas curtas e ambientes austero, enquanto a vertente furtiva amplia a capacidade de sobrevivência e de actuação em cenários com maior densidade de ameaças.

Em paralelo, a passagem para uma nova geração implica também um esforço continuado de adaptação logística e de qualificação de pessoal. A mudança de plataforma exige actualizações em infra-estruturas, processos de manutenção, cadeias de abastecimento e formação de pilotos e equipas técnicas, de forma a assegurar que a retirada do AV-8B Harrier não cria lacunas temporárias na prontidão operacional das unidades.

Fotografias utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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