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Pesados ficam isentos de portagens na CREP mas só em certos horários

Camião amarelo e carro preto numa via de portagem com semáforo vermelho ao pôr do sol.

Promessa feita, promessa cumprida. No arranque deste ano, foi tornada pública a intenção de cortar “drasticamente” as portagens na A41 (CREP - Circular Regional Exterior do Porto) para veículos pesados de mercadorias, com o objectivo de as tornar “tendencialmente gratuitas”.

Entretanto, uma publicação na conta oficial de Instagram do Gabinete do Ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, confirma que a medida vai mesmo avançar. Assim, a partir de 1 de março de 2026, os transportes pesados deixam de pagar portagens na CREP nos períodos de maior pressão: das 7h00 às 10h00 e das 16h00 às 19h00.

De acordo com essa mesma publicação, a meta é inequívoca: reduzir o congestionamento na VCI (Via de Cintura Interna) e melhorar a fluidez rodoviária na Área Metropolitana do Porto. Miguel Pinto Luz estima que esta decisão implique uma quebra anual de receita de cerca de 10 milhões de euros para a concessionária, montante que será suportado pelo Estado.

O ministro enquadrou a medida como o começo de um percurso de mitigação: “É o início de um processo para podermos acudir e tentar mitigar este problema. Nós acreditamos, mas se verificarmos que não tem resultados, não fará sentido perpetuar.” Acrescentou ainda que serão precisos “um, dois, três anos para avaliar o impacto real” da iniciativa na CREP e os seus reflexos na VCI.

Próximos passos para a VCI e para a Área Metropolitana do Porto (AMP)

Até ao final do ano, estão apontadas novas respostas para reforçar esta estratégia. A Área Metropolitana do Porto (AMP) deverá entregar ao Governo duas alternativas que estão a ser analisadas: cobrar portagens aos pesados que atravessam a AMP ou, em alternativa, impedir a circulação de pesados nas janelas críticas da manhã e da tarde.

Paralelamente, Miguel Pinto Luz anunciou mais investimento no metro do Porto e nos transportes públicos, sinalizando que a redução de tráfego na VCI deverá ser acompanhada por soluções de mobilidade com maior capacidade e regularidade.

Uma dimensão particularmente relevante será a monitorização dos efeitos práticos desta alteração de preços na A41 (CREP), incluindo a forma como as empresas de transporte ajustam rotas e horários. Se, por um lado, a isenção nas horas de ponta pode desviar tráfego da VCI, por outro exigirá leitura cuidada de eventuais impactos em acessos, nós e vias alimentadoras da Circular Regional Exterior do Porto, onde se podem gerar novos pontos de pressão.

Importa também considerar efeitos indirectos, como a previsível alteração de tempos de viagem e o potencial ganho na previsibilidade logística. Caso o desvio de pesados seja significativo, poderá haver benefícios adicionais em termos de emissões associadas ao pára-arranca e de segurança rodoviária, embora esses resultados dependam do comportamento real do tráfego e da capacidade de gestão nas ligações à CREP.

Nem todos concordam com a redução das portagens na A41 (CREP)

A decisão não reuniu consenso. Manuel Pizarro, vereador da Câmara do Porto, contestou sobretudo a escolha dos horários: “O que o ministro veio anunciar foi a redução parcial das portagens para pesados na CREP em horários que não sei quem validou. Horários que, aliás, revelam total desconhecimento sobre o que se passa na VCI, porque acreditar que a VCI não tem problemas de excesso de tráfego depois das 19 horas é só mesmo para quem vê a VCI a partir de Cascais”, segundo citação do Jornal de Notícias.

Já Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, reagiu com optimismo prudente. Para o autarca, “é um excelente princípio de solução”, mas insuficiente por si só: “Não se resolve com uma medida avulsa. Este é um primeiro passo que terá um efeito positivo. Mas é bom que as expectativas sejam claras, pois não vai resolver todos os problemas de trânsito naquela via. Irá ajudar. É o início de um caminho para mudar as coisas. O trânsito na VCI tem tornado a vida dos portuenses e da população da AMP num inferno no seu quotidiano.”

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