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O Exército grego começará em 2027 a substituir os antigos Bell UH-1H com a chegada dos primeiros Black Hawk.

Dois militares em uniforme junto a helicópteros pretos estacionados numa pista de aeroporto militar.

O Exército da Grécia prepara-se para concretizar uma mudança geracional na sua aviação de asas rotativas, substituindo os veteranos helicópteros Bell UH-1H Huey por novos UH-60M Black Hawk a partir do primeiro semestre de 2027. Este programa, considerado o mais relevante para a força na última década, assinalará o início de uma nova fase nas suas capacidades aeromóveis. Com um total de 35 unidades adquiridas através do programa de Vendas Militares ao Estrangeiro (FMS) dos Estados Unidos, a Grécia pretende não só modernizar a frota, como também consolidar uma estrutura operacional mais digital, eficiente e totalmente alinhada com os padrões da OTAN.

Contrato FMS, formação e pacote de apoio

A adjudicação do contrato à Lockheed Martin, no valor de 1,950 mil milhões de dólares, abrange não apenas os helicópteros produzidos pela Sikorsky Aircraft, mas igualmente um pacote abrangente de treino, equipamento e apoio logístico inicial. De acordo com o planeamento, os primeiros 10 Black Hawk serão entregues em 2027, enquanto a formação de pilotos e técnicos arrancará em 2026 nos Estados Unidos.

Este primeiro núcleo de 40 efectivos - oriundos das frotas UH-1H e OH-58D Kiowa Warrior - receberá instrução em Fort Rucker (anteriormente Fort Novosel) e na Base Conjunta Langley-Eustis, os principais centros de treino da aviação do Exército norte-americano.

Calendário do UH-60M Black Hawk e nova base em Sedes (Exército da Grécia)

A chegada dos Black Hawk gregos insere-se numa estratégia de modernização desenhada com antecedência, que avançou com a assinatura da Carta de Oferta e Aceitação (LOA) em 2024 e com a aprovação final do FMS nesse mesmo ano. Em simultâneo, a Aviação do Exército prevê criar a nova base principal da frota em Sedes, na região de Tessalónica.

A escolha desta localização resulta de factores logísticos e geoestratégicos: permite uma projecção rápida para norte, garante acesso directo ao mar Egeu e reforça a presença militar numa zona considerada determinante para a defesa nacional.

UH-60M Black Hawk: capacidades e salto tecnológico face ao Huey

O UH-60M Black Hawk, equipado com motores T700-GE-701D e uma cabina digital com múltiplos ecrãs, integra sistemas avançados de navegação e comunicações, além de uma estrutura reforçada para aumentar a resistência em combate. Em comparação com o Huey, representa uma evolução tecnológica muito significativa.

A sua flexibilidade operacional permite cumprir missões de transporte táctico, evacuação médica, apoio a forças especiais e operações aerotransportadas em ambientes exigentes. Em termos de autoprotecção e consciência situacional, a integração de sistemas AN/AAR-57 de alerta de mísseis, detectores de laser AVR-2B e transponders IFF APX-123A contribui para elevar a segurança nas operações aéreas.

“Frota geminada” com o NH-90 e sinergias com a Marinha

A retirada dos Huey - símbolos da aviação do Exército grego durante mais de meio século - não representa apenas o fecho de um ciclo, mas também a adopção de uma doutrina operacional renovada. Os Black Hawk irão operar em conjunto com os NH-90 num conceito de “frota geminada”: o NH-90 ficará mais orientado para operações especiais, enquanto o UH-60M assumirá o grosso das missões diárias de transporte e apoio.

Este modelo deverá aumentar a disponibilidade dos meios, diminuir custos de manutenção e criar sinergias com a Marinha da Grécia, que já utiliza as variantes navais S-70B e MH-60R.

Interoperabilidade OTAN e autonomia nacional até 2031

Segundo o calendário oficial, a integração completa dos Black Hawk deverá ficar concluída por volta de 2031, altura em que a Grécia contará com uma infraestrutura nacional de ensino e suporte técnico capaz de assegurar maior autonomia operacional. Com este investimento, o país junta-se ao conjunto de nações europeias que adoptaram o UH-60M como helicóptero padrão, reforçando a interoperabilidade com aliados regionais e consolidando a sua posição estratégica no sudeste europeu.

Além do impacto directo na prontidão operacional, a introdução de uma frota mais digital tende a facilitar a padronização de procedimentos, a recolha e análise de dados de manutenção e a integração com redes de comando e controlo compatíveis com a OTAN. Na prática, isto traduz-se em maior previsibilidade logística e em ciclos de missão mais eficientes.

Em paralelo, a transição para o UH-60M implicará uma gestão cuidadosa do período de coexistência com os meios actuais, garantindo que a disponibilidade não é afectada enquanto decorrem a formação no estrangeiro, a entrada faseada das aeronaves e a consolidação da base em Sedes. Uma implementação escalonada, apoiada por treino e suporte iniciais robustos, será decisiva para assegurar a continuidade das missões.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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