No âmbito do exercício conjunto CANDU IV, militares da Armada Argentina e do Exército Argentino deram início a novas actividades operacionais na faixa litoral situada entre Las Toninas e Santa Teresita. O dia de instrução começou com tarefas de marcação e reconhecimento de praia, seguindo-se um assalto aéreo com apoio de helicópteros da Direcção de Aviação do Exército.
Estas acções inserem-se na continuidade das operações conjuntas que o Exército Argentino, com apoio de meios, pessoal e infra-estruturas da Armada Argentina e da Força Aérea Argentina, tem vindo a conduzir em diferentes pontos da província de Buenos Aires.
Finalidade do CANDU IV e enquadramento multidomínio
Com base no que a equipa da Zona Militar conseguiu apurar a partir de coberturas anteriores de outras edições do CANDU IV, as actividades realizadas tiveram como foco o treino para proteger, controlar e recuperar objectivos de elevado valor estratégico através de operações conjuntas e interagências. Neste esforço articulado participam as Forças Armadas, Forças Federais de segurança e várias agências do Estado.
As operações decorrem num ambiente multidomínio - aéreo, terrestre, marítimo e de ciberdefesa - com a intervenção de diferentes células que combinam, no terreno, as suas capacidades específicas.
Um aspecto particularmente relevante neste tipo de exercício é a interoperabilidade: procedimentos, comunicações e coordenação táctica são testados sob pressão para garantir que unidades com culturas operacionais distintas conseguem actuar como um único dispositivo. Também a gestão do risco operacional (segurança em voo, segurança em operações anfíbias e controlo de áreas) tende a ser tratada como prioridade transversal em todas as fases.
Alvos de elevado valor estratégico definidos nesta edição
Nesta nova edição do CANDU IV, um dos alvos de elevado valor estratégico estabelecidos é a estação de cabos submarinos localizada em Las Toninas, considerada um ponto nevrálgico para as comunicações nacionais. Este objectivo junta-se a outros já contemplados em exercícios anteriores, incluindo:
- o Complexo Nuclear Atucha;
- a Central Nuclear Embalse;
- o Centro Espacial Teófilo Tabanera;
- a FM Río Tercero;
- diversos complexos hidroeléctricos na província de Córdoba.
A escolha destes alvos reflecte a importância crescente das infra-estruturas críticas e da resiliência das comunicações. Ao integrar a dimensão de ciberdefesa no cenário, o exercício permite ensaiar respostas a ameaças que podem afectar simultaneamente sistemas físicos e digitais, com impacto directo na capacidade de comando e controlo.
Fase naval: APBT, APCA e apoio do ARA Cordero
Ao longo do dia foi possível observar que a Agrupação de Buzos Táticos (APBT) e a Agrupação de Comandos Anfíbios (APCA) da Armada Argentina, com apoio do navio patrulha oceânico ARA Cordero (P-54), executaram um conjunto de actividades alinhadas com as capacidades e missões próprias destas unidades de operações especiais.
Entre as tarefas realizadas destacaram-se:
- exploração da praia por mergulho, para avaliação discreta do sector;
- desobstrução, reconhecimento e marcação da praia.
Durante estas acções, o pessoal analisou com detalhe as condições do terreno e a presença de quaisquer obstáculos que pudessem interferir com a operação, de forma a assegurar a segurança e a viabilidade das fases seguintes.
Fase terrestre e assalto aéreo do Exército Argentino com helicópteros
Concluída a etapa conduzida pela Armada Argentina, o foco operacional passou para o Exército Argentino, que efectuou um assalto sobre uma zona previamente reconhecida. A operação contou com o apoio da Direcção de Aviação do Exército, com os seguintes meios aéreos:
- três Bell UH-1H Huey II do Batalhão de Helicópteros de Assalto 601;
- um Agusta Bell AB-206 B1 do Esquadrão de Aviação de Exploração e Ataque 602.
Estas aeronaves foram empregues não apenas para inserir militares no objectivo designado por descida rápida por corda, como também para assegurar, com o AB-206 B1, um apoio complementar que acrescentou capacidades de transporte, assalto e reconhecimento no decorrer da acção.
O eixo aéreo no CANDU IV: C-130H e lançamentos de paraquedistas
Tal como já se tinha verificado em dias anteriores do CANDU IV - que incluíram assaltos aerotransportados e lançamentos de paraquedistas com apoio de um Hércules C-130H da Força Aérea Argentina -, a componente aérea consolidou-se como um dos pilares centrais do exercício.
Importa ainda sublinhar que a IV Brigada Aerotransportada e o Grupo de Operações Especiais da Força Aérea realizaram um salto de abertura automática sobre a base da Armada Argentina, recorrendo ao Hércules C-130H TC-64 da I Brigada Aérea El Palomar.
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