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Os MiG-29K dos porta-aviões da Marinha da Índia mostraram as suas capacidades no Desfile Internacional.

Avião de caça na pista de porta-aviões com militar a sinalizar e tripulação alinhada em uniforme branco.

As praias junto ao porto de Visakhapatnam, no estado de Andhra Pradesh, encheram-se com mais de cem mil pessoas que se deslocaram para assistir ao Desfile Internacional da Cidade, um impressionante desfile terrestre e aeronaval promovido pela Marinha da Índia, que dá a conhecer o elevado grau de modernização e profissionalismo atingido ao longo das últimas décadas.

Neste porto situado no sudeste do país, em pleno Oceano Índico, a demonstração operacional apresentou, em voo, dezenas de helicópteros e aeronaves de patrulhamento e de guerra anti-submarina. No mar e na linha de costa, o público pôde ainda ver viaturas anfíbias e embarcações rápidas, acompanhadas pelos respectivos comandos de incursão.

Como não poderia deixar de ser, um dos momentos mais aguardados foi protagonizado pelas manobras dos emblemáticos caçabombardeiros navais MiG-29K, integrados no porta-aviões INS Vikrant (R-11), fundeado na Baía de Bengala. Trata-se de um navio de guerra gigantesco e tecnologicamente avançado, construído integralmente neste país do Sul da Ásia, onde a Zona Militar acompanha no terreno os acontecimentos.

Projecção estratégica da Marinha da Índia

O evento foi também uma oportunidade para observar a passagem de diversos contingentes nacionais, incluindo batalhões da Marinha, do Exército e da Força Aérea da Índia, bem como elementos da Guarda Costeira, da Polícia do Estado, do Corpo de Cadetes do Mar e do Corpo Nacional de Cadetes, além de veteranos reverenciados das guerras.

A este quadro juntaram-se as escoltas de numerosas delegações navais estrangeiras, chegadas do Vietname, da Federação Russa, da Malásia, da África do Sul, da Indonésia, do Sri Lanka, de França, do Japão, da Austrália, entre outras. Cada representação destacou-se pelos seus uniformes vistosos, executando diferentes estilos de marcha e movimentos militares.

Entre os visitantes internacionais, sobretudo os oficiais das marinhas convidadas - como a do Peru - houve ainda espaço para apreciar quadros musicais e encenações que traduziram a diversidade das expressões artísticas de um país reconhecido pela sua enorme riqueza cultural.

Do ponto de vista estratégico, iniciativas desta escala funcionam como uma montra de capacidades e como um sinal de presença no Índico, uma região cada vez mais central para a segurança marítima, as rotas comerciais e a cooperação entre forças navais. Ao mesmo tempo, ao aproximar a população das suas forças armadas, o evento reforça a literacia pública sobre defesa e o papel do poder naval na protecção de interesses nacionais.

A dimensão humana e logística de uma concentração com mais de cem mil espectadores evidencia também um esforço significativo de coordenação e segurança, essencial para que demonstrações aéreas e navais decorram com controlo e previsibilidade. Esta faceta, menos visível, é parte integrante do profissionalismo que o próprio desfile pretende sublinhar.

Falamos de uma nação com quase mil e quinhentos milhões de habitantes, já considerada a mais populosa do mundo, e com um potencial de crescimento muito elevado em praticamente todas as áreas - com especial destaque para a defesa. Neste domínio, a Índia encontra-se em condições de disponibilizar soluções tecnológicas variadas e relevantes, muitas delas já testadas em conflitos reais.

O espectáculo da Marinha da Índia foi igualmente marcado por uma forte carga simbólica: já de noite, o céu iluminou-se através do uso de tecnologia laser avançada e de drones, que desenharam episódios do passado e do presente do país, projectando também uma visão voltada para o futuro.

Desta forma, foi-se encerrando a Revista Internacional de Frotas 2026, uma edição que, este ano, contou com uma presença mais alargada de países de quase todos os continentes. Os convidados foram chamados não só para ampliar oportunidades de consolidar a camaradagem, a cooperação e a colaboração - tal como indicava o lema do encontro -, mas também para construir alianças estratégicas genuínas para lá deste continente.

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