O porta-aviões nuclear USS Gerald R. Ford (CVN-78) entrou no porto de Split, na Croácia, depois de concluir uma escala de trabalho em Souda Bay, na Grécia. Nessa paragem, o navio realizou tarefas de reabastecimento, reaprovisionamento de combustível e reparações, na sequência do incêndio registado semanas antes enquanto operava no Mar Vermelho. De acordo com informação oficial das Forças Navais dos EUA na Europa e em África (U.S. Naval Forces Europe and Africa), o navio fundeou na cidade croata após atravessar o mar Adriático a partir de Creta, naquela que é a segunda visita a Split durante o actual destacamento.
Escala em Souda Bay: recuperação operacional após o incêndio durante a Operação Epic Fury
A chegada à Croácia ocorre poucos dias depois de o porta-aviões ter entrado em Souda Bay para tratar os danos provocados por um incêndio não relacionado com combate. O foco teve origem a 12 de março nas instalações de lavandaria do navio, numa altura em que apoiava a Operação Epic Fury.
Conforme tinha sido anteriormente noticiado pelo portal Zona Militar, o incidente levou à retirada temporária do Gerald R. Ford do teatro de operações no Médio Oriente, para dar início a inspecções técnicas e a trabalhos de restauro. A escala na Grécia decorreu entre 23 e 26 de março, período em que equipas do Centro Regional de Manutenção Avançada (Forward Deployed Regional Maintenance Center) - incluindo engenheiros estruturais, arquitectos navais e outros especialistas - efectuaram uma avaliação das reparações, enquanto as investigações sobre o incidente prosseguiam.
Consequências do incêndio: feridos, alojamentos afectados e dificuldades logísticas
Segundo a Reuters, o incêndio provocou três marinheiros feridos, afectou cerca de 100 lugares de alojamento e obrigou a tripulação a manter-se destacada apesar de novos constrangimentos logísticos. Entre estes, foram também referidas falhas no sistema sanitário do porta-aviões durante o seu destacamento de nove meses, um dado que voltou a colocar em evidência o desgaste operacional acumulado pelo navio-almirante da classe Ford.
Trabalhos de reabilitação e regresso ao Adriático no âmbito da 6.ª Frota dos EUA
A Marinha dos Estados Unidos especificou que, durante a escala em Souda Bay, militares do navio e parceiros industriais locais trabalharam na reabilitação de sete compartimentos de alojamento atingidos pelo fumo e pelo fogo. Esta fase de reparações e de recomposição permitiu ao porta-aviões retomar a navegação rumo ao Adriático e dar continuidade ao seu destacamento dentro da área de operações da 6.ª Frota dos EUA.
Um incêndio a bordo de um navio desta dimensão tende a desencadear, além da reparação física das áreas afectadas, uma sequência de verificações técnicas e de segurança que pode condicionar a disponibilidade operacional. Em plataformas como o CVN-78, a prioridade passa por restabelecer condições de habitabilidade, assegurar a integridade dos compartimentos e normalizar os sistemas de suporte à vida a bordo, para que as operações possam prosseguir com risco controlado.
Gerald R. Ford Carrier Strike Group: composição e trajecto do destacamento
O Gerald R. Ford Carrier Strike Group zarpou da Naval Station Norfolk a 24 de junho de 2025 e, desde então, acumulou operações no Círculo Polar Árctico, no Mediterrâneo, nas Caraíbas, no Mar Vermelho e noutros cenários considerados relevantes por Washington. Na configuração actual, o grupo de combate integra o próprio USS Gerald R. Ford, a ala aérea embarcada Carrier Air Wing 8, o Destroyer Squadron Two e o contratorpedeiro da classe Arleigh Burke USS Winston S. Churchill (DDG-81), funcionando como uma das principais ferramentas navais de projecção de poder dos EUA na região.
Split como pausa operacional com vertente diplomática e logística (segunda visita no destacamento)
A nova escala em Split, autorizada pelo governo croata, é igualmente apresentada como uma pausa operacional com dimensão diplomática e logística, numa fase em que o navio já tinha efectuado uma visita anterior à cidade entre 21 e 26 de outubro de 2025. Assim, o regresso do porta-aviões à Croácia assinala não só a saída de uma etapa de reparações iniciada na Grécia, como também a continuidade de um dos destacamentos mais longos e exigentes enfrentados até agora pelo CVN-78.
No plano regional, escalas deste tipo em portos aliados servem ainda para coordenar apoio logístico, reforçar rotinas de interoperabilidade e sustentar a presença naval durante ciclos prolongados de operações. Para a Croácia, enquanto membro da NATO, receber um navio de referência como o USS Gerald R. Ford (CVN-78) também representa um sinal de cooperação e alinhamento estratégico, a par do impacto prático na facilitação de serviços portuários e de manutenção.
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