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Mulheres nas Forças Armadas da Colômbia: da integração inicial à liderança na Armada Nacional

Quatro oficiais femininas da marinha em uniforme branco a bordo de um navio, com a bandeira do Equador ao fundo.

A entrada de mulheres nas Forças Armadas da Colômbia teve início em 1976, quando o Exército Colombiano abriu portas, de forma pioneira, para a sua participação em funções administrativas. Poucos anos depois, em 1979, registou-se a primeira incorporação feminina na então Força Aérea, actualmente designada Força Aeroespacial. Já em 1984, a Armada Nacional passou a receber o seu primeiro contingente de mulheres profissionais na Escola Naval de Cadetes como Oficiais Navais.

Da administração ao serviço operacional: a Armada Nacional da Colômbia e a Infanteria de Marina

Em 2023, pela primeira vez em dois séculos de história, a Armada Nacional admitiu 72 mulheres para integrarem o serviço militar como infantes de marina. Em Janeiro de 2026, seis mulheres iniciaram a formação como Aspirantes na Escola Naval de Cadetes “Almirante Padilla” (ENAP), com o objectivo de se tornarem oficiais da Infanteria de Marina. No mês seguinte, em Fevereiro do mesmo ano, 13 alunas da mesma escola concluíram a formação e graduaram-se como Instrutoras de Artes Marciais de Infanteria de Marina - as primeiras a obter este reconhecimento.

A par destes marcos, a instituição conta também com mulheres que se destacaram em diferentes áreas e escalões, assumindo responsabilidades técnicas, jurídicas, operacionais e de comando.

Perfis de referência na Armada Nacional da Colômbia

Contralmirante Beatriz Elena García Restrepo: liderança jurídica e trajecto pioneiro

Com mais de 25 anos de experiência na instituição, a Contralmirante Beatriz Elena García Restrepo tornou-se, em Dezembro de 2023, a primeira mulher a alcançar o posto de Contralmirante na Armada Nacional. Ingressou em 1997 como oficial do Corpo Administrativo, na qualidade de jurista, e ao longo da carreira aprofundou competências em áreas como Direito Penal, Direito Probatório, Direitos Humanos e Direito Internacional Humanitário. É também detentora de um mestrado em Direitos Humanos e Direito Internacional dos Conflitos Armados.

Actualmente, desempenha funções como Chefe da Chefia Jurídica da Armada da Colômbia. Ao longo do percurso, actuou como juíza em diferentes entidades do sistema penal militar e exerceu igualmente como procuradora penal militar. Foi oficial na assessoria permanente do Comando da Armada e prestou assessoria jurídica em contextos operacionais. Liderou a Direcção de Apoio à Transição e participou em exercícios de coordenação internacional, como o Caribe Wave 2024, além de integrar fóruns orientados para a promoção da igualdade nas forças militares, como o She Is Global Forum 2025.

O seu desempenho e capacidade de liderança foram reconhecidos através de várias condecorações, entre as quais a Ordem do Mérito Naval “Almirante Padilla”, a Ordem do Mérito Militar “Antonio Nariño”, a Medalha Militar “Fé na Causa” e a Medalha de Serviços Distintos à Armada Nacional.

Contralmirante Carolina Gómez del Castillo: engenharia, comando e desenvolvimento humano

Outra oficial de topo é a Contralmirante Carolina Gómez del Castillo, que iniciou a sua trajectória profissional em 1996 na Escola Naval de Cadetes “Almirante Padilla”, obtendo o posto de Segundo-Tenente em 1998. É Engenheira Industrial, possui um mestrado em Segurança e Defesa Nacional e uma especialização em Gestão de Recursos Humanos. Tornou-se a primeira mulher engenheira com comando operacional a alcançar o mais alto patamar na Armada, assumindo o posto de Contralmirante.

Acumulou uma experiência alargada em funções de liderança na Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval (COTECMAR), onde foi responsável pela Gestão de Unidades Industriais e pela área comercial para as regiões da América Central e da América do Sul. Trabalhou ainda como Chefe do Departamento de Engenharia em navios como o ARC “20 de Julio”, o ARC “Juan Nepomuceno Eslava” e o ARC “Castillo y Rada”. Actualmente, lidera a Chefia de Desenvolvimento Humano, supervisionando processos ligados ao bem-estar, à formação e ao fortalecimento do talento humano.

Capitão-de-Fragata Liliana Ortiz Reyna: comando naval e marcos históricos

Em Dezembro de 2024, registou-se um momento inédito na história da Colômbia: pela primeira vez, uma mulher assumiu o comando de uma fragata lança-mísseis - o navio ARC “Independiente”. A comandante foi a Capitão-de-Fragata Liliana Ortiz Reyna.

Este feito, contudo, não foi o primeiro marco da sua carreira em posições de comando. Em 2013, tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Comandante do navio-patrulha ARC TN “José María Palas”. Desempenhou também funções como segunda comandante do ARC “Almirante Padilla” e foi a primeira mulher a liderar o Batalhão de Cadetes da Escola Naval Almirante Padilla, assumindo a responsabilidade de orientar a formação de 800 jovens com vista à sua preparação como oficiais.

Detém qualificações como mestre em Gestão Estratégica, especialista em Política e Estratégia Marítima, licenciada em Administração Marítima e licenciada em Ciências Navais, entre outras. A sua carreira, com mais de 20 anos, começou em 2000 na Escola Naval de Cadetes “Almirante Padilla”. Participou em missões de segurança, investigação e defesa da soberania, bem como em tarefas de representação diplomática colombiana no mar.

Suboficial Primeiro Yorladis Zamora: excelência técnica na Aviação Naval

No domínio técnico e operacional, a Suboficial Primeiro Yorladis Zamora, especialista em manutenção de aviação, tornou-se a primeira mulher a alcançar 3000 horas de voo seguras na Aviação Naval. Entre as suas responsabilidades está garantir a manutenção e a operacionalidade das aeronaves, bem como inspeccionar, diagnosticar e reparar quaisquer incidentes técnicos.

Ao longo de 19 anos de serviço, participou em operações com aeronaves como a 206, a 208 Caravan e a ATR-42. Esteve envolvida em missões de vigilância e controlo marítimo, busca e salvamento, transporte de pessoal e abastecimento de áreas de difícil acesso.

Ingressou na Escola Naval de Suboficiais “ARC Barranquilla” em 2007 e, posteriormente, especializou-se em Aviação Naval. Com o tempo, consolidou-se como uma das técnicas mais experientes da instituição. Numa missão aérea com destino a San Andrés, atingiu as 3000 horas de voo, momento em que a tripulação assinalou e reconheceu formalmente o seu percurso e os seus resultados.

Consolidação da inclusão e impacto na prontidão operacional

Estes exemplos evidenciam um compromisso crescente da instituição naval com a inclusão nas suas diferentes armas e escalões, permitindo que, no século XXI, as mulheres assumam responsabilidades cada vez mais elevadas, alcancem os postos mais altos e desempenhem funções diversificadas dentro da Armada Nacional.

A ampliação da participação feminina também exige que as rotinas de formação, os critérios de avaliação e as trajectórias de carreira sejam acompanhados por medidas consistentes de integração. Isto inclui, por exemplo, programas de mentoria, reforço de políticas de prevenção de assédio e mecanismos de apoio ao desenvolvimento profissional, garantindo que o acesso a especializações e a cargos de comando ocorre em condições equitativas.

Em termos operacionais, a presença de mulheres em áreas como a Infanteria de Marina, a Aviação Naval, a engenharia naval e a assessoria jurídica contribui para equipas mais completas e para uma resposta institucional mais robusta. Ao combinar competências técnicas, experiência de comando e liderança estratégica, a Armada Nacional reforça a sua capacidade de cumprir missões de defesa, segurança marítima e projecção institucional dentro e fora do país.

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