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O Reino Unido começou a fabricar os novos caças Eurofighter para a Força Aérea da Turquia.

Dois militares junto a um avião de caça num hangar com bandeiras da União Europeia, Turquia e Alemanha ao fundo.

A BAE Systems confirmou, através de um comunicado publicado ontem nos seus canais oficiais, que as suas fábricas no Reino Unido já deram início ao fabrico dos novos caças Eurofighter destinados a equipar a Força Aérea Turca. O acordo prevê a aquisição, por parte da Turquia, de 20 aeronaves, num investimento de £ 8 mil milhões. De acordo com a empresa, os trabalhos arrancaram com a meta de cumprir o calendário definido pelo Ministério da Defesa turco em dezembro passado, apontando a entrega da primeira aeronave para 2030.

Em declarações oficiais sobre o programa, a empresa britânica referiu que: “O fabrico da nova aeronave para a Turquia já está em curso no Reino Unido e em todos os países parceiros do programa Eurofighter, estando prevista a entrega da primeira aeronave em 2030 (…) Mais de um terço de cada aeronave Typhoon é produzido no Reino Unido, apoiando centenas de empresas da cadeia de fornecimento em todo o país. A montagem final das aeronaves turcas terá lugar em Warton, Lancashire. Este programa sustenta mais de 20.000 postos de trabalho na economia britânica.”

BAE Systems e Eurofighter para a Força Aérea Turca: produção e montagem final no Reino Unido

Este avanço enquadra-se também num novo contrato adjudicado pela Turquia à BAE Systems com foco na preparação de recursos humanos, assegurando o treino de pilotos e engenheiros para a Força Aérea Turca. A intenção, conforme descrito, é acelerar a transição para a nova plataforma de combate. Nesse sentido, Ancara já tinha acordado cooperar com a Força Aérea Real Britânica na formação de um núcleo inicial composto por 10 pilotos-instrutores e cerca de 100 instrutores ligados a tarefas de manutenção, criando condições para que o país passe a ter capacidade própria de formação no seu território.

Componentes de apoio: simuladores, guerra eletrónica e assistência técnica

No âmbito do pacote acordado, a BAE Systems compromete-se a disponibilizar: - Simuladores de treino de alta fidelidade; - Recursos de guerra eletrónica; - Peças de substituição; - Equipamentos de apoio associados ao processo de formação e operação.

Além disso, a empresa irá prestar serviços de assistência técnica durante três anos a contar da entrada ao serviço dos novos Eurofighter. Este ponto, segundo a informação divulgada, contribui para assegurar a continuidade de empregos associados no Reino Unido no futuro - uma preocupação central colocada pelos principais sindicatos britânicos.

Parcerias da Turquia: Reino Unido, Catar, e planos com Omã

Importa igualmente sublinhar que a estratégia turca não se limita à parceria com o Reino Unido para a compra dos caças Eurofighter e para o treino necessário à sua operação. Tal como foi noticiado anteriormente, a Turquia estabeleceu também uma cooperação com o Catar para o mesmo objetivo, estando já um primeiro grupo de pilotos turcos a treinar em conjunto com os seus parceiros, procurando encurtar prazos na transição.

Em paralelo, o país já deu sinais de que pretende reforçar a frota para além das 20 aeronaves adquiridas ao Reino Unido, ponderando somar mais 12 provenientes do Catar e outras 12 de Omã, após processos de modernização.

Contexto adicional: integração, interoperabilidade e sustentação

A entrada em operação de uma nova frota de Eurofighter implica, além do fabrico e do treino, um trabalho contínuo de integração de sistemas, doutrina e manutenção, para garantir níveis elevados de disponibilidade. Para um operador como a Força Aérea Turca, isto tende a traduzir-se em investimentos prolongados em infraestruturas, stocks de componentes críticos e formação recorrente de equipas técnicas.

Acresce que, num ambiente operativo cada vez mais exigente, a interoperabilidade - nomeadamente em missões conjuntas e em redes de partilha de informação - assume um peso determinante. Por isso, programas deste tipo costumam ser acompanhados por atualizações de procedimentos, certificações e ciclos de validação, de forma a alinhar a nova plataforma com requisitos operacionais e de segurança.

Imagens utilizadas para fins ilustrativos.

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