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A Suécia entregou o primeiro Saab 340 AEW&C à Força Aérea Ucraniana.

Avião militar de vigilância aérea E-99 com radar a bordo a descolar, com vários jatos de caça no solo.

As tropas russas divulgaram nas redes sociais um breve vídeo que poderá constituir o primeiro indício de que a Força Aérea Ucraniana já está a operar o seu primeiro Saab 340 AEW&C, plataforma transferida pela Suécia no âmbito de um pacote de assistência militar. O conteúdo surgiu inicialmente numa conta do Telegram, mas foi publicado sem qualquer indicação sobre o local ou a data da gravação, o que levou, numa primeira fase, a que fossem levantadas dúvidas quanto à sua autenticidade.

Imagens apontam para o Saab 340 AEW&C em voo sobre a Ucrânia

O registo mostra um avião com o característico radar montado no topo da fuselagem, típico do Saab 340 AEW&C, visível de forma clara por se tratar de um voo diurno e a altitude relativamente baixa. Apesar de não existir, até ao momento, confirmação oficial de Kyiv sobre a entrada deste tipo de aeronave ao serviço, analistas ocidentais têm salientado que este aparecimento sugere que a plataforma poderá já estar a operar no espaço aéreo ucraniano há algum tempo.

Essa leitura é ainda reforçada por relatos anteriores que indicavam uma trajectória em direcção ao país de uma aeronave com características semelhantes, identificada como “WELCOME” em plataformas públicas de seguimento de voos.

Compromisso da Suécia e calendário de integração do ASC890 (Saab 340 AEW&C)

Importa recordar que a Suécia assumiu, em 2024, o compromisso de fornecer aeronaves Saab 340 AEW&C para equipar a Força Aérea Ucraniana, no âmbito de uma doação integrada num pacote avaliado em cerca de 1,25 mil milhões de dólares. Após essa confirmação, tornou-se também evidente a necessidade de um período de formação para pilotos ucranianos, estimado em aproximadamente um ano, a par de trabalhos de adaptação das infra-estruturas das bases para receber e operar estas unidades.

Em Março de 2025, responsáveis do Ministério da Defesa sueco indicaram ainda que aguardavam que a frota de caças F-16 Fighting Falcon, doada por aliados ocidentais à Ucrânia, recebesse as modificações necessárias para operar em conjunto com o Saab 340 AEW&C, sem, contudo, avançarem prazos concretos. Nas palavras então divulgadas: “As datas de entrega do ASC890 (Ed.: o Saab 340 AEW&C) estão ligadas ao momento em que determinadas modificações no caça F-16 estiverem prontas (…) Estamos a trabalhar de acordo com o calendário original, mas, por razões de segurança, não iremos informar quando e onde certas acções foram ou serão realizadas.”

Radar Saab Erieye (AESA): salto de capacidade para a Força Aérea Ucraniana

Para lá da cronologia, a chegada desta plataforma representa um avanço relevante nas capacidades da Força Aérea Ucraniana, que até aqui não operava aeronaves de alerta aéreo antecipado e controlo. O principal trunfo do sistema é o radar Saab Erieye do tipo AESA, capaz de detectar alvos aéreos e terrestres a distâncias até cerca de 450 km. Em simultâneo, o sistema poderá acompanhar aproximadamente 1.000 potenciais ameaças aéreas e até 500 objectos na superfície.

Na prática, a aeronave e o seu radar reforçam de forma significativa as redes de defesa antiaérea ucranianas, ao ampliarem a capacidade de detecção de ataques com mísseis e drones - como os que a Rússia realiza com frequência - e ao mitigarem limitações que o relevo montanhoso pode impor aos radares terrestres, sobretudo quando as ameaças voam a baixa altitude.

Saab 340 AEW&C como “olhos” dos F-16 Fighting Falcon e Dassault Mirage 2000 (e possível Saab JAS 39 Gripen)

Neste enquadramento, o Saab 340 AEW&C pode afirmar-se como os “olhos” de frotas de caças como o F-16 Fighting Falcon e o Dassault Mirage 2000 (e, potencialmente, também o Saab JAS 39 Gripen), frequentemente empregues em missões de intercepção. Ao fornecer uma imagem aérea mais completa, o sistema ajuda a identificar e priorizar os contactos que representam maior perigo, permitindo orientar a resposta e distribuir melhor os meios disponíveis.

Um ponto adicional, muitas vezes subestimado, é que a utilidade do Saab 340 AEW&C depende não só do radar, mas também da integração com redes de comando e controlo e ligações de dados com as baterias de defesa antiaérea e com os caças em operação. Quanto mais rápida e fiável for a partilha de informação, maior será a capacidade de encurtar o tempo entre a detecção e a intercepção.

Do lado logístico, a introdução de uma aeronave deste tipo obriga igualmente à criação de rotinas específicas de manutenção, formação de equipas técnicas e preparação de procedimentos de protecção em terra. Em cenários de ameaça constante, a dispersão de meios e a resiliência das bases tornam-se elementos tão importantes quanto a tecnologia embarcada.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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