O porta-aviões de propulsão nuclear da Marinha dos Estados Unidos (US Navy), o USS Gerald R. Ford (CVN-78), chegou à Base Naval da Baía de Souda, na Grécia, para ser alvo de trabalhos de reparação na sequência do incêndio registado há poucos dias, quando operava no Mar Vermelho no âmbito da Operação Epic Fury.
De acordo com informações avançadas por órgãos de comunicação especializados, o navio líder da classe Ford entrou em porto para uma intervenção de manutenção dirigida, centrada sobretudo na zona atingida pelo incidente. Esta paragem implica, na prática, um afastamento temporário do teatro de operações no Médio Oriente.
Incêndio a bordo durante a Operação Epic Fury
O episódio ocorreu a 12 de março, numa das áreas de lavandaria situadas na secção de popa do porta-aviões. Dois militares foram afectados e, devido ao fumo e aos danos na zona atingida, verificou-se uma interrupção parcial de algumas actividades a bordo.
As autoridades norte-americanas referiram que o fogo foi dominado sem evoluir para outras partes críticas do navio, evitando impactos mais graves na plataforma e nos sistemas essenciais.
Reparações e pausa operacional do USS Gerald R. Ford (CVN-78)
A chegada à Baía de Souda assinala o arranque de uma fase de reparação que, segundo os relatos disponíveis, poderá prolongar-se por cerca de uma semana. Durante este período, o USS Gerald R. Ford permanecerá fora de serviço operacional, enquanto decorrem inspecções técnicas e trabalhos de restauro nos sistemas e compartimentos afectados.
Com esta retirada temporária, os Estados Unidos passam a contar, no Médio Oriente, com apenas um Grupo de Ataque de Porta-Aviões em actividade: o do USS Abraham Lincoln (CVN-72). As informações mais recentes indicam que este navio se encontra actualmente no Mar Arábico, no quadro da continuidade da campanha militar contra o Irão.
Em situações deste tipo, é habitual que a avaliação técnica inclua verificação de cablagens, ventilação, controlo de danos e testes de segurança em zonas adjacentes, mesmo quando o foco do incêndio fica limitado. Este tipo de manutenção preventiva ajuda a reduzir o risco de recorrência e a garantir que a tripulação pode retomar rotinas e operações com níveis adequados de segurança.
Baía de Souda: apoio logístico no Mediterrâneo
A Baía de Souda é um ponto logístico de elevada relevância para a Marinha dos Estados Unidos no Mediterrâneo. É frequentemente utilizada por unidades navais em trânsito para o Médio Oriente ou por navios que necessitam de apoio técnico, o que permite acelerar intervenções e reduzir tempos de indisponibilidade.
Segundo os mesmos relatos, a última escala do USS Gerald R. Ford neste porto ocorreu há mais de um mês, antes de o porta-aviões iniciar operações na área de responsabilidade do Comando Central dos EUA (USCENTCOM).
Contexto operacional e desgaste da tripulação
Esta pausa do CVN-78 surge num cenário de forte presença naval norte-americana na região, onde continuam destacados meios de alto valor, incluindo o referido grupo do CVN-72. Recorde-se que o USS Gerald R. Ford tinha sido inicialmente destacado para as Caraíbas sob o Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), em novembro de 2025, sendo posteriormente redireccionado para o Médio Oriente como parte do reforço militar norte-americano no contexto do conflito com o Irão.
A participação do USS Gerald R. Ford na Operação Epic Fury transformou-o num dos principais activos navais da campanha. O navio acumula mais de 260 dias de destacamento contínuo, um factor que também tem alimentado debate sobre o impacto do ritmo operacional no pessoal, nomeadamente em termos de fadiga, exigência de manutenção e sustentabilidade das operações prolongadas.
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