O Ministério da Defesa do Reino Unido deu mais um passo no processo de modernização das suas plataformas terrestres de defesa antiaérea ao adjudicar um novo contrato à Thales. Este acordo permite à empresa avançar para a fase de avaliação do Sistema de Defesa Aérea de Curto Alcance Montado (MSHORAD), destinado a equipar o Exército Britânico e a substituir os actuais veículos antiaéreos Stormer HVM, já envelhecidos.
De acordo com analistas locais, esta etapa é decisiva para fechar o desenho final do sistema: é aqui que se selecciona a plataforma móvel e o lançador que melhor respondem às necessidades operacionais definidas pela força.
Contrato com a DE&S e calendário previsto até 2028
Em comunicado oficial, a Thales sublinhou:
“O contrato foi assinado com a *Defence Equipment and Support (DE&S)** e representa um avanço significativo para o Ministério da Defesa do Reino Unido na substituição do actual sistema autopropulsado Stormer de Míssil de Alta Velocidade (HVM SP), que constitui a capacidade MSHORAD actual do Exército Britânico.”*
Embora não tenha sido divulgado o valor exacto desta nova adjudicação para a passagem a uma fase mais avançada, informações anteriores apontavam para a necessidade de um investimento na ordem dos 48 milhões de libras, com o objectivo de disponibilizar o novo sistema até 2028.
Porquê substituir o Stormer HVM: legado dos anos 1990 e limites actuais
Os sistemas Stormer que se pretende retirar do serviço estão em operação desde a década de 1990. Foram concebidos sobretudo para abater aeronaves de asa fixa, mantendo também capacidade para neutralizar diferentes tipos de helicópteros.
Para cumprir essa missão, a plataforma integra um lançador de oito tubos, onde podem ser instalados mísseis de curto alcance Starstreak - igualmente desenvolvidos pela Thales - capazes de enfrentar ameaças a distâncias de até cerca de 7 km.
Requisitos do novo MSHORAD: Starstreak, canhão de 30 mm e opções em estudo
A informação disponível até ao momento indica que o Reino Unido pretende que o novo sistema mantenha compatibilidade com os mísseis Starstreak, permitindo ao Exército Britânico tirar partido dos stocks já existentes.
Em paralelo, é referida a intenção de integrar um canhão de 30 mm vocacionado para o combate a sistemas não tripulados, uma vez que o custo relativo de empregar mísseis para derrubar drones tende a ser significativamente mais elevado do que recorrer a uma arma de tubo.
Entre os candidatos analisados com estes requisitos em mente encontra-se a torre modular RIwP da Moog Inc., embora ainda não exista confirmação sobre qual a solução que será, no fim, escolhida por Londres.
Plataforma de mobilidade: Land Mobility Programme e a variante MPM
Quanto ao veículo que garantirá a mobilidade do futuro MSHORAD, os analistas referem que a escolha deverá recair numa solução derivada do Land Mobility Programme, iniciativa em curso no Exército Britânico orientada para substituir um conjunto alargado de modelos já desactualizados.
Em particular, a atenção estará centrada na aquisição da variante designada Medium Protected Mobility Vehicle (MPM), na qual será integrado o lançador que venha a ser seleccionado.
Comando e controlo: Thales e L3Harris Technologies com integração no ACE
No domínio de comando e controlo, é igualmente relevante notar que a Thales já estabeleceu uma parceria com a L3Harris Technologies para desenvolver uma capacidade de comando e controlo aplicável aos novos sistemas de defesa aérea. A expectativa é que esta componente se integre com o Agile C4I at the Edge (ACE).
Implicações operacionais: treino, manutenção e prontidão
A introdução de um novo MSHORAD não se limita à troca do veículo e do armamento. Uma transição deste tipo implica actualizar ciclos de formação de guarnições, procedimentos de operação e regras de empenhamento, sobretudo quando se prevê a combinação de mísseis e canhão de 30 mm para responder a alvos com perfis muito distintos.
Do ponto de vista logístico, a selecção de uma plataforma integrada no Land Mobility Programme pode simplificar a manutenção e a cadeia de abastecimento, aumentando a disponibilidade em unidades e reduzindo a diversidade de peças e variantes em serviço.
Interoperabilidade e adaptação a ameaças emergentes
Num contexto em que a ameaça de sistemas não tripulados tem aumentado - tanto em número como em diversidade -, a aposta num MSHORAD com múltiplos efectores pode melhorar a flexibilidade táctica. Além disso, a integração de comando e controlo no ACE poderá facilitar a coordenação com outros sensores e sistemas, contribuindo para uma resposta mais rápida e coerente em operações conjuntas.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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