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Gringo-Gaucho: Armada Argentina vai treinar com o porta-aviões nuclear USS Nimitz.

Marinheiro observa porta-aviões com avião de combate pousando no convés, no mar calmo, durante o dia.

Southern Seas 2026: a Cuarta Flota dos EUA confirma novo destacamento liderado pelo USS Nimitz e reabre caminho aos Exercícios Combinados Gringo–Gaucho com a Armada Argentina

Depois de vários dias de especulação, a Cuarta Flota dos Estados Unidos confirmou o arranque de um novo destacamento Southern Seas 2026, desta vez com liderança do porta-aviões nuclear USS Nimitz. Esta decisão volta a acionar os mecanismos que, do lado sul-americano, tendem a resultar numa nova edição dos Ejercicios Combinados Gringo–Gaucho com a Armada Argentina.

A confirmação foi divulgada ontem, 23 de março, pela Cuarta Flota, ao indicar que: “Southern Seas 2026 incluirá intercâmbios entre especialistas na matéria e proporcionará a visitantes distinguidos de nações parceiras a oportunidade de observar de perto as operações de um porta-aviões. Estão previstas actividades com a Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Peru, México, El Salvador, Guatemala e Uruguai, com escalas portuárias planeadas no Brasil, Chile, Panamá e Jamaica”.

O USS Nimitz em trânsito entre costas dos EUA e a extensão do seu serviço

Tal como aconteceu em 2024 - quando o porta-aviões USS George Washington navegou no Mar Argentino -, este ciclo coincide com a passagem do USS Nimitz da costa oeste para a costa leste dos Estados Unidos. A travessia começou há poucos dias, quando o navio de propulsão nuclear largou da Base Naval Kitsap–Bremerton (Washington) com destino à Estação Naval de Norfolk (Virgínia).

Embora se admitisse que este poderia ser um dos seus últimos destacamentos operacionais, dado que a desactivação do Nimitz estava inicialmente prevista para decorrer durante o ano em curso, fontes associadas à Marinha dos EUA indicam agora que o navio líder da sua classe prolongará o historial de serviço até 2027.

PASSEX e os Ejercicios Combinados Gringo–Gaucho com a Armada Argentina

No caso específico da Armada Argentina, apesar de não terem sido avançados pormenores oficiais, a presença de um porta-aviões nuclear norte-americano tem sido, de forma recorrente, aproveitada para concretizar exercícios do tipo PASSEX.

Em termos práticos, um PASSEX (exercício de passagem) costuma focar a interoperabilidade imediata entre unidades que operam juntas por um período limitado: comunicações, manobras tácticas, coordenação de voo, procedimentos de segurança e, quando aplicável, integração com meios de escolta. Em operações centradas num porta-aviões, este tipo de treino é particularmente útil para validar rotinas e padrões comuns, reforçando a previsibilidade e a segurança em ambiente marítimo.

Registo histórico de treinos com porta-aviões no Atlântico Sul (desde 1990)

Pelo menos desde 1990, há registo deste tipo de actividades no Atlântico Sul. Nesse ano, a Armada Argentina realizou treino em duas ocasiões com porta-aviões:

  • Março: USS Constellation (CV-64)
  • Outubro: USS Abraham Lincoln (CVN-72)

Passariam onze anos até um novo porta-aviões dos EUA voltar a exercitar-se com a Armada Argentina em águas do Atlântico Sul, com o USS Ronald Reagan (CVN-76) em 2004. Quatro anos depois, repetiu-se o padrão com o USS George Washington (CVN-73). Em 2010, foi a vez do USS Carl Vinson (CVN-70). A edição mais recente ocorreu em 2024, com a participação do porta-aviões Washington.

Participação provável da Armada Argentina (espelhando 2024)

Por fim, e na ausência de informação adicional - assumindo que o planeamento já esteja em curso -, a Armada Argentina poderá replicar o modelo aplicado em 2024, quando mobilizou um contingente relevante de navios e militares. Nessa ocasião, destacaram-se:

  • Dois contratorpedeiros classe MEKO 360:
    • ARA La Argentina (D-11)
    • ARA Sarandí (D-13)
  • Duas corvetas classe MEKO 140:
    • ARA Rosales (P-42)
    • ARA Espora (P-41)
  • Três navios-patrulha oceânicos classe OPV90:
    • ARA Contraalmirante Cordero (P-54)
    • ARA Piedrabuena (P-53)
    • ARA Storni (P-52)

Aspectos operacionais e de coordenação regional no Southern Seas 2026

A amplitude geográfica e o número de países referidos para o Southern Seas 2026 sugerem um foco forte em coordenação multinacional, combinando actividades no mar com escalas portuárias e contactos técnicos. Para marinhas participantes, este enquadramento tende a favorecer a harmonização de procedimentos, a troca de práticas em operações navais e o aperfeiçoamento de ligações de comando e controlo durante actividades conjuntas.

Em paralelo, exercícios com um porta-aviões exigem planeamento rigoroso de segurança marítima e aérea, incluindo janelas de treino, separação de tráfego, disciplina de comunicações e protocolos de resposta a incidentes. É precisamente nessa exigência operacional - e na necessidade de actuação padronizada - que exercícios como os Ejercicios Combinados Gringo–Gaucho e as rotinas PASSEX ganham relevância.

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