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Alemanha vai oferecer 3 mil milhões de euros em incentivos para elétricos até 2029

Carro desportivo elétrico prateado a carregar numa estação interior com vista para cidade ao pôr do sol.

O Governo alemão aprovou um pacote de incentivos de compra para automóveis elétricos no valor de 3 mil milhões de euros até 2029, destinado sobretudo a agregados familiares de baixos e médios rendimentos. A iniciativa insere-se na estratégia do chanceler Friedrich Merz e da sua coligação para dar fôlego aos construtores nacionais e aumentar a competitividade do setor automóvel.

Merz defendeu que a coligação quer “usar todos os instrumentos ao seu alcance” para assegurar um futuro sólido à indústria automóvel alemã. Ainda hoje, o chanceler deverá reunir-se com os principais gestores do setor e com representantes sindicais para analisar o rumo de uma indústria particularmente exposta à concorrência internacional e às incertezas ligadas a tarifas e regulamentações.

Além do apoio direto via incentivos, o debate deverá abranger pontos práticos que condicionam a adesão à mobilidade elétrica, como a expansão da rede de carregamento, a disponibilidade de eletricidade a preços competitivos e a previsibilidade fiscal para consumidores e empresas. Estes fatores tendem a pesar tanto quanto o preço de aquisição na decisão de trocar um veículo.

Incentivos de compra e a estratégia de Friedrich Merz para a indústria automóvel alemã

Contra as expectativas iniciais, a coligação não tenciona, para já, pressionar de forma imediata a União Europeia (UE) para suavizar as metas de 2035 relativas à proibição de veículos a combustão, avançou a Bloomberg. Merz prefere, numa primeira fase, auscultar as necessidades dos fabricantes e aguardar a reavaliação das metas pela Comissão Europeia (CE), prevista para o final do ano, antes de assumir uma posição formal.

O chanceler sublinhou ainda que a Alemanha pretende intervir “no quadro da UE” para garantir que as decisões europeias são adequadas e necessárias para a indústria automóvel alemã.

Paralelamente, será relevante perceber como os incentivos serão operacionalizados - por exemplo, com limites de rendimento, tetos máximos por veículo, prioridade a modelos produzidos na Europa ou majorações para quem substitui veículos mais antigos. O desenho das regras pode determinar se a medida acelera a eletrificação do parque automóvel ou se tem um impacto mais limitado no volume de vendas.

Alemanha quer mais flexibilidade

A coligação governamental está a defender maior flexibilidade nas metas europeias de emissões, com o objetivo de proteger a base industrial automóvel do país. Entre as soluções em cima da mesa estão tecnologias como híbridos *plug-in* e veículos com extensores de autonomia, cuja comercialização poderia estender-se para além de 2035, atenuando parcialmente a proibição de novos automóveis a combustão prevista pela UE.

O vice-chanceler e líder do SPD (Partido Social-Democrata alemão), Lars Klingbeil, salientou que a prioridade do partido passa por salvaguardar os empregos existentes no setor, enquanto se prepara a criação de novas oportunidades ligadas à mobilidade sustentável. Apesar do alinhamento do chanceler Friedrich Merz, nem todos no SPD acompanham esta abertura à flexibilização, incluindo o ministro do Ambiente, Carsten Schneider, que tem mostrado reservas.

Depois da cimeira automóvel agendada para 9 de outubro, o Governo alemão espera encetar negociações com a UE para obter instrumentos que deem mais margem de manobra aos fabricantes, como sistemas de média de emissões ao longo de vários anos.

Entretanto, a Comissão Europeia deverá apresentar ainda este ano um pacote de apoio que pode contemplar exceções para combustíveis sintéticos - combustíveis produzidos com dióxido de carbono (CO₂) capturado e energia renovável -, bem como para híbridos *plug-in* e veículos com extensores de autonomia.

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