Durante anos foram as verdadeiras “rainhas do mercado”, mas, na última década, as carrinhas pouco conseguiram travar a ascensão imparável dos SUV. Ainda assim, em 2024 houve um pequeno sinal de recuperação: as vendas globais de carrinhas cresceram 1%, totalizando 1,69 milhões de unidades comercializadas (Fonte: JATO).
Mais significativo do que o crescimento mundial é o peso de um único bloco: 68% de todas as carrinhas vendidas - ou seja, mais de dois terços - foram registadas na Europa e Turquia, onde o mercado avançou 4% face a 2023.
À partida, com este domínio europeu, seria lógico imaginar que a carrinha mais vendida do planeta tivesse origem na Europa. Até porque quase uma em cada três carrinhas vendidas no mundo pertence ao Grupo Volkswagen. Mas não foi isso que aconteceu: a líder global é japonesa e o seu principal mercado é… o norte-americano: Subaru Outback.
Subaru Outback e as carrinhas mais vendidas do mundo em 2024
Com 210 mil unidades entregues, a Subaru Outback voltou a ser, pelo segundo ano consecutivo, a carrinha mais vendida em todo o mundo. Em relação a 2023, cresceu 4200 unidades (um aumento de 2%).
Ainda assim, tudo indica que esta pode ter sido a última liderança do modelo enquanto carrinha. Há poucos meses, a Subaru revelou a nova geração do Outback e alterou por completo a receita: deixou de ser uma carrinha e passou a assumir-se como crossover, com uma carroçaria bastante mais alta e sem a ligação directa à berlina Legacy, de que anteriormente derivava.
Skoda Octavia Break e Toyota Corolla Touring Sports no pódio
No segundo lugar surge uma presença bem familiar para o público europeu: a Skoda Octavia Break. O modelo tem mantido, há vários anos, o estatuto de carrinha mais vendida na Europa e, em 2024, repetiu esse feito. No total mundial, somou 146 mil unidades, o que representa mais 14% do que no ano anterior.
A fechar o pódio aparece outra japonesa, a Toyota Corolla Touring Sports, que alcançou 123 mil unidades. Face a 2023, o crescimento foi de 12%.
As 10 carrinhas mais vendidas do mundo em 2024
A partir daqui, o Top 10 reúne vários nomes bem conhecidos do mercado português: Dacia Jogger, Volkswagen Golf Variant, BMW Série 3 Touring, Volkswagen Passat Variant, Audi A4 Avant e Opel Astra Sports Tourer.
Se estiver a fazer a contagem, vai notar que falta um modelo na lista referida acima - e a omissão foi intencional. A nona carrinha mais vendida do mundo em 2024 merece destaque por ser, de longe, a mais inesperada deste Top 10: Toyota Probox. Sim, Toyota Probox - Toyota o quê?
| Posição | Modelo | Observação (segundo os dados referidos) |
|---|---|---|
| 1 | Subaru Outback | 210 mil unidades (+2% vs 2023) |
| 2 | Skoda Octavia Break | 146 mil unidades (+14% vs 2023) |
| 3 | Toyota Corolla Touring Sports | 123 mil unidades (+12% vs 2023) |
| 4 | Dacia Jogger | Presente no Top 10 |
| 5 | Volkswagen Golf Variant | Presente no Top 10 |
| 6 | BMW Série 3 Touring | Presente no Top 10 |
| 7 | Volkswagen Passat Variant | Presente no Top 10 |
| 8 | Audi A4 Avant | Presente no Top 10 |
| 9 | Toyota Probox | A “outsider” do Top 10 |
| 10 | Opel Astra Sports Tourer | Presente no Top 10 |
Toyota Probox: a antítese do automóvel moderno
A Toyota Probox apareceu em 2002 como comercial ligeiro, mas desde cedo ganhou uma variante de passageiros do tipo carrinha, com cinco lugares. No fundo, é uma espécie de manifesto contra o excesso de complexidade: foi pensada para ser o mais simples possível e para assegurar custos de utilização muito baixos - uma filosofia que a Toyota voltou a explorar, mais recentemente, com a Hilux Champ (uma carrinha de caixa aberta focada na simplicidade).
Ao fim de 23 anos de carreira, a Probox teve apenas duas gerações. E mesmo entre elas, as alterações foram mínimas: a Toyota mexeu essencialmente no indispensável para cumprir regulamentos, mantendo na geração actual vários componentes e soluções da primeira. Para completar a história, existe ainda um “gémeo” comercializado pela Mazda: a Mazda Familia Van, que é um clone da Probox.
Porque é que as carrinhas continuam a fazer sentido (mesmo com SUV por todo o lado)
Apesar da popularidade dos SUV, as carrinhas mantêm argumentos fortes para muitos condutores: tendem a oferecer uma bagageira mais longa e utilizável, consumos frequentemente mais contidos (por norma, com menor área frontal do que um SUV equivalente) e um comportamento em estrada mais próximo de uma berlina, sobretudo em auto-estrada. Em mercados onde as frotas e o uso familiar têm peso, estes factores continuam a influenciar decisões de compra.
Há também um efeito de reposicionamento: com menos oferta disponível, algumas carrinhas passam a concentrar-se em versões mais equipadas e margens mais elevadas, deixando de competir apenas pelo preço. Isto pode ajudar a explicar porque certos modelos continuam a ter expressão, mesmo num contexto dominado por SUV.
Novo fôlego na China?
A pressão comercial dos SUV sobre as carrinhas tem sido tão intensa que algumas marcas optaram por abandonar este tipo de carroçaria, chegando mesmo a anunciar o fim das carrinhas. O mais curioso é que esses sinais vieram de construtores historicamente associados a este formato, como a Volvo e a Mercedes-Benz.
Ainda assim, existe um potencial “balão de oxigénio” - e vem de um sítio onde poucos o esperariam: a China. O mercado chinês está a tornar-se uma espécie de último refúgio para tipologias automóveis que perderam relevância na Europa e, em parte, na América do Norte.
É na China que os MPV (monovolumes) prosperam, hoje muitas vezes posicionados como veículos de luxo, e é também o maior mercado global para berlinas tradicionais de três volumes e quatro portas. Por isso, não seria surpreendente que passasse a ser, igualmente, um dos próximos grandes palcos para as carrinhas.
O interesse está a aumentar e as marcas locais não estão a ficar paradas: NIO, BYD, Zeekr e Wuling já acrescentaram carrinhas às suas gamas, mostrando que este formato ainda pode encontrar espaço para crescer - mesmo quando grande parte do mundo parece ter escolhido outro caminho.
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